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20 de Setembro de 2017.

O que é?

Infertilidade é a incapacidade de engravidar ou de sustentar uma gravidez que resulte em um nascimento vivo. É causada por diversos problemas que afetam o sistema reprodutor. O diagnóstico é feito quando um casal mantém relações sexuais no período fértil durante seis a 12 meses sem que haja gravidez, ou quando esta não se mantém.

A fertilidade depende da interação bem-sucedida de muitos fatores. Podem ocorrer problemas durante o processo de concepção e, em menor frequência, na gravidez. O aparelho reprodutor feminino é formado por vulva, vagina, colo do útero, útero, trompas uterinas e ovários. O masculino consiste em testículos, canais deferentes, vesículas seminais, próstata e pênis. Lesão de qualquer desses órgãos pode contribuir para a infertilidade. Além disso, hormônios produzidos no hipotálamo, na hipófise, na tireoide e nos ovários e testículos têm um papel importante no controle e no suporte da reprodução.

Para que ocorra uma gravidez, é necessário que a mulher desenvolva e libere um óvulo de um dos ovários. Mulheres nascem com um número fixo de 200.000 a 400.000 folículos ovarianos que produzem óvulos. No início de cada ciclo menstrual, os folículos são estimulados pelo hormônio estimulante dos folículos (FSH) para maturar. A produção de estrogênio também aumenta, chegando ao máximo por volta do 14º dia do ciclo, causando espessamento do revestimento do útero. O hormônio luteinizante (LH) aumenta nesse momento, provocando a liberação de um óvulo maduro. Apenas um é liberado em cada ciclo. Durante os anos férteis, uma mulher libera cerca de 400 óvulos. O óvulo é transportado ao longo de uma trompa uterina e é fecundado por um espermatozoide, dando início à formação de um embrião, que se implanta no revestimento uterino (endométrio), onde é alimentado e suportado pela placenta durante toda a gestação. A infertilidade ocorre com problemas em qualquer um desses processos.

Em cerca de 65% dos casos, a infertilidade depende de fatores da mulher; e em cerca de 20%, do homem. Nos 15% restantes, não é identificada a causa. A idade tem importância, especialmente em mulheres, mas também em homens. Acredita-se que danos ao DNA de óvulos e de espermatozoides estejam relacionados com a idade. Além disso, desequilíbrios hormonais tendem a se desenvolver com o aumento da idade. A fertilidade feminina é máxima aos vinte e poucos anos de idade. Quando a mulher atinge a menopausa, poucos óvulos estão disponíveis e funcionais. No homem, o número e a motilidade dos espermatozoides diminuem com a idade, reduzindo a probabilidade de fertilização.

Embora a causa precisa da infertilidade nem sempre seja conhecida, com frequência ela resulta de diversos problemas. Entre os mais comuns estão a endometriose e os efeitos da fibrose das trompas uterinas após doenças transmitidas sexualmente. A presença de outras doenças ou infecções em um dos parceiros também pode ser a origem do problema. Também podem interferir a nutrição, saúde, estilo de vida e fatores ambientais. Alguns dos motivos mais comuns relatados são distúrbios do sêmen, defeitos da trompa uterina, problemas de ovulação e anormalidades do muco cervical. A investigação de infertilidade pode ser complexa, dispendiosa e prolongada. Em geral, os dois parceiros são submetidos a exames detalhados, incluindo físico, de sangue e de imagem para determinar a origem do problema.

Exames da fertilidade feminina

A fertilidade feminina diminui bastante por volta dos 25 anos de idade, e mais ainda após os 40 anos. Fatores comuns de infertilidade incluem bloqueio das trompas uterinas, síndrome do ovário policístico, que pode interferir na liberação dos óvulos, fibromas uterinos, endometriose, distúrbios autoimunes , diabetes, hipotireoidismo, distúrbios da alimentação, fumo excessivo, uso de drogas e de álcool, obesidade e intolerância ao glúten (doença celíaca). A fertilidade também pode ser afetada por níveis flutuantes ou insuficientes de hormônios, ovulação inconsistente ou por um ambiente reprodutor que são suporta a fertilização adequada, interfere nos movimentos dos espermatozoides ou impede a implantação do óvulo fertilizado no útero. A avaliação da fertilidade de uma mulher inclui história clínica e familiar e um exame físico, seguidos de exames laboratoriais e de imagem.

Previsão da ovulação em casa

Há três métodos caseiros para prever a ovulação:

  • A temperatura basal pode ser medida com um termômetro, para determinar os dias mais férteis do ciclo menstrual. Essa temperatura aumenta logo antes da ovulação e permanece elevada durante pelo menos três dias. Fazendo um gráfico da temperatura basal durante três a quatro ciclos, pode ser observado um padrão, e é possível programar o ato sexual para cinco dias antes da elevação esperada da temperatura. Esse método não é muito preciso, mas é simples e barato.
  • Outro método de previsão da ovulação em casa é o autoexame da secreção vaginal. No período mais fértil, o muco é mais elástico e claro, podendo ser alongado entre os dedos polegar e indicador até um fio de 5 cm a 7,5 cm. Nesses dias deve ocorrer a ovulação e a mulher está em seu período mais fértil.
  • O método mais precioso é usar um kit que mede o hormônio luteinizante (LH) na primeira urina de cada manhã. O nível do hormônio aumenta um a dois dias antes da ovulação.

Exames laboratoriais

Exames de sangue que medem os níveis de diversos hormônios são muito úteis para determinar a causa da infertilidade:

Como alterações da função da glândula tireoide também afetam o ciclo menstrual e a ovulação, são medidos os níveis de TSH (hormônio estimulante da tireoide) e de T4 (tiroxina). Também são úteis esteroides, como testosterona e DHEA-S (sulfato de dihidroepiandrosterona, usado na produção de androgênios e estrogênios).

O exame microscópico do muco cervical após o coito mostra alterações que podem prejudicar o progresso dos espermatozoides.

Outro exame oferecido ao casal com problemas de fertilidade é o cariótipo. Ao realizar a análise cromossômica do casal, com uma amostra obtida por coleta de sangue, pode ser identificada alteração causadora de infertilidade não detectada por outros métodos.

Exames de imagem

Exames de imagem revelam problemas físicos que podem impedir a fertilização ou a implantação do óvulo fertilizado no útero. Endoscopias, radiografias e ultrassonografias permitem identificar defeitos anatômicos, crescimentos anormais (pólipos, abscessos, tumores), fibroses (aderências) das trompas uterinas ou do útero, e infecções.

Exames da fertilidade masculina

A fertilidade masculina é afetada por fatores como baixo número, dificuldade de movimentação, aglutinação ou anomalias dos espermatozoides, dilatação das veias do cordão espermático (varicocele) e obstruções que impedem a liberação de espermatozoides durante a ejaculação. A varicocele é a anormalidade anatômica mais comum.

História de caxumba, lesões de testículos, exposição a substâncias químicas, doenças agudas, febre prolongada e uso de álcool, de drogas ou de anabolizantes podem prejudicar a fertilidade masculina. A temperatura também afeta o sêmen. Exposição dos testículos a um excesso de calor ou a febre prolongada pode afetar o número, a motilidade e a forma dos espermatozoides. Alterações relacionadas com a idade incluem diminuição da produção de testosterona, redução do número e da mobilidade dos espermatozoides, problemas da próstata, de ereção e de ejaculação.

Em homens, pode ser suficiente obter a história clínica e fazer um exame físico para detectar anormalidades anatômicas causadoras de infertilidade. Exames de imagem, como ultrassonografia transretal, também ajudam a identificar anormalidades específicas e obstruções do trajeto do sêmen.

Exames laboratoriais

Análise do sêmen - É o exame mais importante para avaliar a infertilidade masculina. A colheita e o exame imediato de uma ejaculação permitem detectar rapidamente anormalidades da contagem, da mobilidade e da forma dos espermatozoides.

Exames de sangue são usados para medir os níveis de hormônios e para detectar anticorpos antiespermatozoides:

Biópsia - Em algumas circunstâncias uma biópsia testicular ajuda a identificar deficiência da produção de espermatozoides, tumores ou maturação incompleta dos testículos.

Tratamento

Cuidados médicos e aconselhamento antes da concepção são úteis para pessoas que pretendem procriar. Em muitos casos, as recomendações aumentam a probabilidade de fertilização e de uma gravidez e parto normais.

Se um casal não engravida após seis a 12 meses de relações sexuais, é recomendada consultar ginecologistas, urologistas e endocrinologistas. Mulheres com mais de 30 anos de idade devem ser investigadas logo, porque a gravidez é mais difícil após os 40 anos. A investigação do homem em geral é mais simples que a da mulher.

O casal deve reconhecer desde o início que os resultados nem sempre são os desejados, e devem ser consideradas outras alternativas, como permanecer sem filhos, adoção, uso de espermatozoides ou óvulo doados ou de uma mãe substituta.

O plano de tratamento pode incluir alterações de estilo de vida, uso de medicamentos, como bromocriptina e clomifeno, hormônios, como menotrofina, cirurgias e técnicas de reprodução assistida, dependendo do problema e do diagnóstico. Essas técnicas incluem inseminação intrauterina e fertilização in vitro.

Páginas relacionadas


Neste site
Exames: DHEA-S, FSH, Estradiol, LH, Progesterona, Prolactina, TSH, T4, Semen analysis, Testosterona
Estados clínicos/Doenças: Gravidez, PCOS, PID, STDs

Em outros sites da Internet
Endometriosis Association
RESOLVE, the National Infertility Association
International Council on Infertility Information Dissemination
The American Fertility Association
American Society for Reproductive Medicine
National Women's Health Information Service: Infertility, Frequently Asked Questions

Fontes do artigo

NOTA: Este artigo se baseia em pesquisas que incluíram as fontes citadas e a experiência coletiva de Lab Tests Online Conselho de Revisão Editorial. Este artigo é submetido a revisões periódicas do Conselho Editorial, e pode ser atualizado como resultado dessas revisões. Novas fontes citadas serão adicionadas à lista e distinguidas das fontes originais usadas.

Fontes usadas na revisão atual

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Medical/technical advisor: Anthony Kurec, MS, DLM(ASCP), Administrator, University Pathologists Laboratories, LLP, SUNY Upstate Medical University.