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Este artigo foi modificado pela última vez em 01 de Agosto de 2018.

O que é?

A esclerose múltipla (EM) é uma doença crônica que afeta o sistema nervoso central, provocando inflamação e destruição da mielina, que reveste fibras nervosas e isola e acelera os sinais elétricos transportados por elas. A perda da mielina prejudica a transmissão de impulsos nervosos, o que resulta em sintomas motores, sensitivos e psicológicos. Com o tempo, a lesão da bainha de mielina se resolve e os sintomas desaparecem, mas crises repetidas podem gerar um processo contínuo de desmielinização e remielinização, com fibrose progressiva e incapacidade permanente.

A causa da esclerose múltipla é desconhecida. Considera-se que seja um processo autoimune dependente de predisposição genética e fatores ambientais, podendo ser desencadeado por uma infecção (Vírus). A doença se inicia em geral entre 20 e 40 anos de idade, é mais comum em mulheres, em caucasianos provenientes do norte da Europa, e ocorre com maior frequência em locais de clima temperado. O risco de desenvolver a doença na população geral é menor que 0,1%, aumenta para 3% nos membros de uma família com um indivíduo afetado, e para 30% caso o indivíduo seja irmão gêmeo idêntico de quem apresenta a doença. Isto reforça a hipótese do componente genético como fator causador.

Sinais e sintomas

A EM pode afetar qualquer área do sistema nervoso central. Por isso, os sinais e sintomas variam de acordo com as funções desempenhadas pela região afetada. Sua duração pode variar entre dias e meses. Alguns exemplos:

  • Alterações sensoriais, como perda de sensibilidade, formigamento, dor, queimação, prurido e distúrbios visuais.
  • Alterações motoras, como fraqueza, tremor, dificuldade de coordenação (ataxia), incluindo dificuldades com a fala, a deglutição e a marcha, incontinência ou retenção urinária, e constipação.
  • Sintomas psicológicos, como alterações cognitivas e de memória, depressão, instabilidade emocional e dificuldade de aprendizado.
  • Fadiga ocorre na maioria dos pacientes.
  • Sensibilidade à temperatura é frequente, com piora dos sintomas com o calor.

A evolução da doença também varia bastante. Cerca de 85% dos pacientes inicialmente têm a forma remitente recorrente, com crises intercaladas com períodos de remissão. Desses, metade desenvolve a forma progressiva secundária, com piora a cada crise, sem recuperação completa durante as remissões. Cerca de 10% dos pacientes têm a forma progressiva primária, com piora constante, sem haver remissões e exacerbações.

Exames

Exames laboratoriais
Não existe um exame laboratorial específico para esclerose múltipla, mas diversos produzem resultados anormais que têm utilidade para o diagnóstico. Os mais úteis verificam a produção de imunoglobulinas no sistema nervoso central, incluindo:

  • Análise do líquido cefalorraquiano. Avalia aspectos físicos e químicos do líquido cefalorraquiano que podem estar alterados na esclerose múltipla.
  • Eletroforese e focalização isoelétrica do líquido cefalorraquiano. A eletroforese e a focalização isoelétrica são métodos de separação de proteínas em líquidos biológicos. Amostras de líquido cefalorraquiano e de soro do paciente são separadas lado a lado por um desses métodos e comparadas para detecção de faixas oligoclonais. No líquido cefalorraquiano, uma alteração está presente em cerca de 90% dos casos de esclerose múltipla.
  • Índice de imunoglobulina G (IgG) no líquido cefalorraquiano. Níveis de IgG elevados no líquido cefalorraquiano podem ser resultado de produção excessiva de IgG no sistema nervoso central ou de passagem de proteínas plasmáticas para o líquido cefalorraquiano, o que pode ocorrer após inflamação ou traumatismo. Para distinguir essas possibilidades, o índice de IgG é calculado a partir de medidas de albumina e de IgG no líquido cefalorraquiano (LCR) e no soro, usando a fórmula:

    Índice de IgG = [IgG (LCR) ÷ IgG (soro)] ÷ [Albumina (LCR) ÷ Albumina (soro)]

    Um índice de IgG elevado indica aumento da produção de IgG no sistema nervoso central, o que ocorre em 90% dos casos de esclerose múltipla.

  • A proteína básica da mielina é o principal componente proteico da mielina, e pode ser medida no líquido cefalorraquiano. Concentrações aumentadas indicam desmielinização, que pode ocorrer na esclerose múltipla e em outros processos inflamatórios do sistema nervoso central. Esse exame não é específico para esclerose múltipla, mas pode ser usado para avaliar a atividade da doença estabelecida.

Exames não laboratoriais

  • A ressonância magnética produz imagens do cérebro que permitem a identificação e o acompanhamento de áreas de lesão na esclerose múltipla. Além dessa técnica, que é a mais usada, existem outras que podem produzir informações sobre a esclerose múltipla, como a ressonância magnética funcional, a espectroscopia por ressonância magnética e a ressonância magnética com tensor de difusão.
  • Potenciais evocados visuais são exames que medem a velocidade de transmissão nervosa em diversas partes do cérebro, e podem detectar evidências de desmielinização e fibrose ao longo das vias nervosas sugestivas de esclerose múltipla.

Tratamento

Ainda não há cura para a esclerose múltipla. Os objetivos do tratamento são retardar a evolução da doença e aliviar os sintomas. Para reduzir a gravidade das crises, são prescritos corticosteroides durante períodos curtos e outros medicamentos para aliviar os sintomas.

A EM pode proporcionar uma diminuição importante da qualidade de vida do paciente. Talvez seja necessário uma equipe multidisciplinar para auxiliar o paciente e acompanhá-lo durante a evolução da doença.

Existem diversos medicamentos sendo pesquisados. Também se estuda muito para entender melhor as causas, desenvolver estratégias para retardar a progressão, e tratar os sintomas da doença.

Páginas relacionadas


Neste site
Exames: análise do líquido cefalorraquiano, eletroforese de proteínas
Estados clínicos/Doenças: distúrbios autoimunes

Em outros sites da Internet
Multiple Sclerosis Foundation
The National Multiple Sclerosis Society (NMSS)
International MS Support Foundation
National Institute of Neurological Diseases and Stroke: MS Information Page
Multiple Sclerosis Association of America

Fontes do artigo

NOTA: Esse artigo se baseia em pesquisas que incluíram as fontes citadas e a experiência coletiva de Lab Tests Online Conselho de Revisão Editorial. Este artigo é submetido à revisões periódicas do Conselho Editorial, e pode ser atualizado como resultado dessas revisões. Novas fontes citadas serão adicionadas à lista e distinguidas das fontes originais usadas.

Fontes usadas na revisão atual

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