Também conhecido como
Urinálise
EAS
Nome formal
Urinálise
Este artigo foi revisto pela última vez em
Este artigo foi modificado pela última vez em
15 de Janeiro de 2018.
De relance
Por que fazer este exame?

Para pesquisar distúrbios renais, metabólicos e infecções urinárias

Quando fazer este exame?

Como um exame de rotina ou quando há sintomas de infecção urinária; como parte da avaliação na gravidez ou no pré-operatório.

Amostra:

Cerca de 20 mililitros de urina. A primeira amostra da manhã é mais útil.

É necessária alguma preparação?

Nenhuma.

O que está sendo pesquisado?

A urinálise é um grupo de exames químicos e microscópicos. Detecta produtos normais e anormais do metabolismo, células, fragmentos de células e bactérias na urina. Os rins filtram o sangue, eliminando na urina restos metabólicos desnecessários,  como ureia e creatinina, e conservando substâncias necessárias e reaproveitáveis, como proteínas e glicose. Alterações da composição da urina podem indicar problemas metabólicos ou problemas renais.

Muitos distúrbios afetam a composição da urina, principalmente aumentando a quantidade de substâncias, como proteínas, glicose ou bilirrubina, e células, como leucócitos e hemácias. Concentrações aumentadas de componentes que não são encontrados normalmente em quantidade significativa na urina podem ocorrer porque:

  1. A quantidade no sangue está aumentada, e os rins estão eliminando o excesso.
  2. A função renal está comprometida por uma doença.
  3. Há uma infecção urinária, no caso de bactérias e leucócitos em excesso na urina.

A urinálise inclui três fases:

  1. Exame visual, que avalia a cor e a transparência da urina;
  2. Exame químico, que avalia 10 componentes da urina que podem estar alterados;
  3. Exame microscópico, que identifica e determina a quantidade e o tipo de células, bactérias, cristais e outros componentes que podem ocorrer na urina.

As duas primeiras fases podem ser feitas no consultório médico. A terceira é feita no laboratório.

Como a amostra é obtida para o exame?

A amostra de urina para urinálise pode ser colhida em qualquer momento. A primeira amostra de urina da manhã é considerada melhor porque a urina está mais concentrada e tem maior probabilidade de mostrar anormalidades.

É importante lavar a genitália antes de colher a urina porque esta pode ser contaminiada por bactérias e por células da pele que circunda a uretra, e interferir nos resultados. Mulheres devem afastar os lábios da vulva e limpar a saída da uretra com movimentos da frente para trás, evitando a contaminação da urina com materiais e células da pele ou da vagina. Homens devem limpar a ponta do pênis. Quando iniciar a micção, deve ser desprezado um pouco de urina para dentro do vaso sanitário. O jato seguinte deve ser usado para encher o frasco de coleta. Feito isso, continuar a micção no vaso até ela terminar. Esse tipo de coleta é chamado urina de coleta de “jato médio”.

A urina colhida deve ser examinada logo. Se for necessária uma hora ou mais para o transporte até o laboratório, a amostra deve ser refrigerada ou adicionado um conservante.

NOTA: Se exames médicos em você ou em alguém importante para você o deixam ansioso ou constrangido, ou se você tem dificuldade de lidar com eles, leia um ou mais dos seguintes artigos: Lidando com dor, desconforto ou ansiedade durante o exameConselhos sobre exames de sangueConselhos para ajudar crianças durante exames médicos, e Conselhos para ajudar idosos durante exames médicos.

Outro artigo, Siga essa amostra, fornece uma visão da coleta e do processamento de uma amostra de sangue e de uma amostra de cultura da garganta.

É necessário algum preparo para garantir a qualidade da amostra?

Nenhuma preparação é necessária, mas as instruções de colheita devem ser obedecidas como descrito acima.

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Perguntas frequentes
  • Como o exame é usado?

    A urinálise é usada como um recurso de triagem ou de diagnóstico porque detecta anormalidades de substâncias e de células associadas a distúrbios renais ou metabólicos e infecções urinárias. Pode ser pedida também em intervalos, para acompanhar a evolução de um problema antes e após o tratamento.

  • Quando o exame é pedido?

    A urinálise pode ser pedida como um exame de rotina antes de uma internação, de uma cirurgia ou durante a gravidez. É pedida sempre quando há sinais e sintomas de infecção urinária ou de doença renal. Alguns desses sinais:

    • Dor abdominal.
    • Dor nas costas.
    • Micção frequente ou dolorosa.
    • Sangue na urina.

     

  • O que significa o resultado do exame?

    A urinálise é um excelente exame de triagem porque é de execução relativamente simples e fornece indicações de muitos distúrbios possíveis. Por outro lado, resultados normais não excluem doenças. As anormalidades na urina podem não ocorrer no início da doença, ou aparecer esporadicamente, não sendo percebidas em uma amostra específica de urina.

    Para detalhes adicionais sobre o significado dos resultados da urinálise, veja:

    • Exame visual
    • Exame químico
    • Exame microscópico
  • Há mais alguma coisa que eu devo saber?

    O conjunto de exames da urinálise fornece uma avaliação geral de alguns distúrbios. São necessários outros exames para detalhar o diagnóstico.

  • A hora é um fator importante na colheita de urina?

    Como a urinálise é um exame geral de triagem, a hora da coleta não é importante, embora a primeira urina da manhã seja preferida porque é mais concentrada. Em alguns casos, o médico pode pedir a coleta em uma hora específica. Por exemplo, para a pesquisa de glicose na urina após uma refeição.

  • A urinálise pode ser feita em casa?

    O exame microscópico exige equipamento e habilidades especiais. O exame visual pode ser feito pela própria pessoa. O químico é realizado com tiras reagentes adquiridas em farmácias e usadas de acordo com as instruções fornecidas.

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Exame Visual
  • Resumo

    Avalia a cor e a transparência da urina.

    Muitas dúvidas nessa fase são esclarecidas nos exames químico e microscópico.

  • Cores

    A urina normal tem tonalidades variadas de amarelo. Cores incomuns podem ser causadas por doenças, medicamentos e alimentos. Por exemplo, beterraba pode torná-la avermelhada, que precisa ser distinguida da cor que é resultado da presença de sangue, que é sempre anormal.

  • Clareza

    A urina em geral é transparente, mas pode ficar turva pela presença de cristais, muco ou esperma, que geralmente não indicam doença, ou por contaminantes, como loções ou talcos. Por outro lado, a turvação da urina por leucócitos, hemácias ou bactérias sempre exige investigação.

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Exame Químico
  • Resumo

    A maioria dos laboratórios usa tiras reagentes para o exame químico da urina. São feitas de plástico com pequenos pedaços de papel embebidos em reagentes químicos que mudam de cor quando imersos na urina. Ess alteração é comparada com uma escala de cor fornecida para cada área de reação. Para evitar erros de tempo e de avaliação da cor, com frequência são usados aparelhos automáticos de leitura de tiras. A intensidade da cor final fornece uma medida aproximada da quantidade de substância presente na urina. Por exemplo, uma pequena alteração na área de proteína indica uma pequena quantidade de proteína na urina, e uma cor intensa indica uma grande quantidade.

    Algumas tiras também têm uma área para o ácido ascórbico (vitamina C).

  •  Densidade 

    A densidade expressa a quantidade total de substâncias dissolvidas na urina, em comparação com a água pura, que não tem substâncias diluídas e tem uma densidade igual a 1,000 g/cm3 a 25 ºC..

    Não existem valores anormais da densidade da urina. Os comuns variam de 1010 a 1020, mas podem ser observados valores até 1003 e 1030, dependendo do grau de hidratação da pessoa. Densidades baixas indicam hidratação excessiva, e altas indicam desidratação.

  • pH 

    O pH mede o grau de acidez ou de alcalinidade de uma solução. O pH da urina depende da quantidade de ácidos e bases na alimentação e do estado do equilíbrio ácido-base do corpo. Não há valores anormais de pH urinário. Em geral ela é um pouco ácida (pH de 5,0 a 6,0), mas, dependendo principalmente da alimentação, os valores podem variar bastante (de 4,5 a 8,0).

    Algumas substâncias dissolvidas na urina se precipitam formando cristais quando ela está ácida. Outras se precipitam quando a urina está alcalina. Se a formação de cristais for intensa, podem surgir cálculos que causam obstrução do fluxo de urina. A formação desses cálculos é reduzida com dietas ou medicamentos que modificam o pH da urina, de acordo com o tipo de cristal formado.

  • Proteínas 

    As tiras reagentes avaliam a quantidade de albumina na urina. Normalmente, essa quantidade não pode ser detectada por esse método. Quando a tira reagente fornece um resultado positivo (expresso em cruzes, de um a quatro), há excesso de albumina, que pode ser um sinal precoce de doença renal ou de outros distúrbios que precisam ser esclarecidos com outros exames.

    É usado outro método para fazer uma avaliação quantitativa das proteínas na urina, incluindo todas as proteínas presentes.

  • Glicose

    Normalmente, não há glicose na urina. Os rins não a excretam glicose, a não ser que a quantidade no sangue ultrapasse um valor determinado (limiar de excreção da glicose). A presença de glicose na urina, chamada glicosúria, ocorre quando ela existe em excesso no sangue, como no diabetes melito, ou quando há diminuição do limiar de excreção. São necessários outros exames para determinar a causa de glicosúria.

  • Cetonas 

    Cetonas não são encontradas normalmente na urina. São produtos do metabolismo de gorduras e podem aparecer quando a pessoa não ingere quantidades adequadas de carboidratos, por falta de alimentos ou em dietas, ou quando os carboidratos não são usados adequadamente pelo corpo, como no diabetes melito. A excreção de cetonas na urina é chamada cetonúria.

  • Hemoglobina (hemácias)

    Esse exame é usado para detectar hemoglobina (hemoglobinúria) ou hemácias na urina (hematúria). Normalmente, pode ser encontrado um pequeno número de hemácias na urina, e o exame com a tira reagente é negativo. Hematúria ocorre por irritação ou traumatismo do trato urinário. Hemoglobinúria ocorre quando há destruição de hemácias na urina ou destruição de hemácias no sangue (hemólise intravascular). A reação é positiva também quando há excreção de mioglobina na urina (mioglobinúria), o que pode ocorrer quando há destruição de tecido muscular.

  • Esterase leucocitária

    A esterase é uma enzima presente em leucócitos. Um número aumentado de leucócitos na urina indica inflamação das vias urinárias, em geral resultado de infecção bacteriana.

  • Nitrito 

    Muitas das bactérias que causam infecções urinárias produzem nitrito. Um exame positivo sugere infecção urinária. Entretanto, nem todas as bactérias que produzem infecções urinárias produzem nitrito, e um teste negativo não exclui infecção urinária.

  • Bilirrubina 

    A presença de bilirrubina na urina indica doença hepática ou obstrução das vias biliares. Esse exame pode ser positivo antes que seja observada icterícia na pessoa.

  • Urobilinogênio 

    O urobilinogênio está presente na urina em pequenas quantidades. Um aumento ocorre em doenças hepáticas ou quando há destruição de hemácias (anemia hemolítica).

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Exame Microscópico
  • Resumo

    Um volume de urina (cerca de 10 mL) é centrifugado e o sedimento obtido é examinado ao microscópio. A quantidade dos elementos observados é expressa como um número por campo microscópico ou com termos como raros, numerosos etc.

  • Hemácias 

    Na urina normal pode ser encontrado um pequeno número de hemácias. Aumenta quando há inflamação ou lesão dos rins ou das vias urinárias. A coleta inadequada pode contaminar a urina com sangue menstrual ou das hemorroidas.

  • Leucócitos 

    É normal achar um pequeno número de leucócitos no sedimento urinário. Números aumentados indicam inflamação das vias urinárias, em geral provocada por infecção.

  • Células epiteliais 

    Algumas células epiteliais da uretra e da bexiga são encontradas normalmente na urina. São menos comuns células renais. Quando há inflamação ou infecção das vias urinárias, o número de células aumenta, e a altura da lesão pode ser determinada pelo tipo de célula predominante.

  • Bactérias e leveduras 

    Em pessoas saudáveis, a urina é estéril; não são observados micro-organismos no sedimento urinário. Bactérias da pele circundante podem penetrar na uretra e causar uma infecção urinária, que, se não for tratada, pode se expandir até os rins, provocando uma pielonefrite. Deve ser feita cultura de urina sempre que houver suspeita de infecção.

    Leveduras também podem ser encontradas na urina, especialmente em mulheres com infecção vaginal por fungos. As infecções urinárias por leveduras devem ser tratadas.

  • Tricômonas 

    Tricômonas são parasitas encontrados na urina, especialmente de mulheres. Como as leveduras, em geral a infecção principal é vaginal (Trichomonas vaginalis), que precisa ser investigada e tratada.

  • Cilindros 

    Cilindros são partículas de proteína coagulada que se formam nos túbulos renais, onde adotam sua forma característica. Um pequeno número de cilindros hialinos é normal. Números maiores sugerem doenças renais.

    Quando há um distúrbio renal, leucócitos ou hemácias podem ser incluídos na proteína que forma o cilindro, e este passa a se chamar cilindro leucocitário ou cilindro hemático. Diferentes tipos de cilindros estão associados a doenças renaisdiferentes. O tipo encontrado sugere um diagnóstico específico. Por exemplo, cilindros leucocitários indicam pielonefrite, e cilindros hemáticos indicam glomerulonefrite.

    Outros tipos de cilindros incluem cilindros hialinos, granulosos, cilindros gordurosos e cilindros céreos.

  • Cristais

    A urina contém muitas substâncias dissolvidas. Dependendo da concentração da substância, do pH e da temperatura da urina, podem se formar cristais que são observados no exame microscópico. Os cristais podem ser partículas sem forma definida (amorfos) ou com formas geométricas que permitem sua identificação. Alguns cristais comuns na urina normal são:

    • uratos amorfos
    • cristais de ácido úrico
    • oxalato de cálcio
    • fosfatos amorfos
    • carbonato de cálcio

    Outros cristais são considerados anormais porque são formados por substâncias que não costumam estar presentes na urina normal, e indicam processos metabólicos alterados, como cristais de:

    • cistina
    • tirosina
    • leucina

    Quando existem cristais nos rins, eles se agrupam e formam cálculos, que obstruem os cálices renais ou os ureteres e provocam dor intensa.

    Medicamentos, como sulfas e contrastes radiológicos também podem se cristalizar na urina, sendo identificados na microscopia.

Fontes do artigo

Fontes usadas na revisão atual

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Fontes usadas em revisões anteriores

Thomas, Clayton L., Editor (1997). Taber’s Cyclopedic Medical Dictionary. F.A. Davis Company, Philadelphia, PA [18th Edition].

Pagana, Kathleen D. & Pagana, Timothy J. (2001). Mosby’s Diagnostic and Laboratory Test Reference 5th Edition: Mosby, Inc., Saint Louis, MO.

Nancy A. Brunzel, MS, CLS (NCA). Department of Laboratory Medicine and Pathology, University of Minnesota, Minneapolis, MN.