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Este artigo foi modificado pela última vez em 10 de Julho de 2017.

O que é?


O câncer de colo do útero (câncer cervical) é causado por crescimento descontrolado de células da cérvice uterina. A cérvice é a parte inferior estreitada do útero. Tem a forma de um cone e comunica o útero com a vagina.

É o segundo tipo de câncer mais frequente em mulheres em todo o mundo (depois do câncer de mama). A Organização Mundial de Saúde calcula que há cerca de 500 mil novos casos e 300 mil mortes por ano no mundo. Desde a introdução do teste de Papanicolaou, um exame de triagem que permite o diagnóstico precoce de lesões pré-cancerosas e cancerosas no colo uterino, a incidência de câncer cervical invasivo nos países desenvolvidos diminuiu em até 70%. Entretanto, em regiões onde o acesso à triagem e ao tratamento ainda é limitado, ele continua a ser um grande problema de saúde pública.

O câncer cervical é um tumor de crescimento lento. As primeiras alterações ocorrem nas células que revestem a parte externa ou o canal da cérvice, e são detectadas no teste de Papanicolaou como “células atípicas”. Essas atipias não são, no início, características de lesões pré-cancerosas, podendo ocorrer temporariamente como resposta a infecção ou a irritação da cérvice. Quando evoluem, assumem características mais definitivas de lesões pré-cancerosas, com probabilidade maior de progredirem para câncer se não forem tratadas. Alterações cancerosas iniciais se limitam à superfície de revestimento, quando são chamadas carcinoma (in situ). Sem tratamento, o tecido canceroso invade os tecidos vizinhos da cérvice e outras áreas do corpo. Veja a terminologia dos resultados do teste de Papanicolaou no quadro.

Cerca de 80% a 90% dos casos de câncer cervical são carcinomas de células escamosas, células planas que revestem a parte externa da cérvice. A maioria dos restantes são adenocarcinomas, que têm origem nas células glandulares do canal da cérvice (endocérvice). Em poucos casos há uma mistura dos dois tipos de células.

Com detecção precoce, o câncer de colo do útero é tratável com facilidade. Se não for tratado, é quase sempre fatal. Com o tempo, ele se dissemina para o resto do útero e para bexiga, reto e parede abdominal. Após atingir os linfonodos pélvicos, forma metástases à distância.

Fatores de risco


O fator de risco mais importante de câncer de colo do útero é a infecção por papilomavírus (HPV). É um grupo de vírus que causa verrugas em diversas partes do corpo, incluindo a cérvice uterina. Os vírus que afetam a genitália são transmitidos sexualmente.

As cepas cervicais do HPV são divididas em categorias de alto e de baixo risco em relação ao câncer cervical. O HPV 6 e o HPV 11, por exemplo, causam a maior parte dos casos de verrugas genitais, mas são classificados como de baixo risco porque raramente são associados a câncer. Outras cepas, como 16, 18, 33, 35 e 45 são consideradas de alto risco porque estão associadas a um risco maior de câncer cervical e vaginal.

Mulheres que iniciam a vida sexual cedo, que têm muitos parceiros sexuais ou um parceiro com muitas parceiras apresentam um risco maior de infecção, assim como as infectadas com HIV/AIDS ou com outros tipos de depressão imunológica. Fumantes têm o dobro do risco de câncer cervical de não fumantes.

Prevenção


A prevenção do câncer cervical é feita evitando fatores de risco, como muitos parceiros sexuais, sexo não protegido e fumo, e promovendo a triagem e o tratamento precoce de lesões pré-cancerosas.

Foi desenvolvida uma vacina contra infecções por papilomavírus, que são a causa mais comum de câncer cervical. A vacina, aprovada em 2006, evita infecções pelos tipos 16 e 18, que causam cerca de 70% dos casos de câncer cervical, e pelos tipos 6 e 11, responsáveis por cerca de 90% das verrugas genitais. O uso é recomendado para mulheres com 9 a 26 anos de idade, em três doses durante um período de seis meses. A vacina é segura, mas só é eficaz se aplicada antes da exposição inicial ao vírus. Por isso, sua aplicação ideal é antes do início da vida sexual. Por outro lado, ela não dá proteção total contra o câncer cervical e seu uso não dispensa a triagem de rotina recomendada.

Sintomas


Alterações pré-cancerosas da cérvice uterina não causam sintomas. Mas quando eles aparecem - por exemplo, corrimento vaginal e sangramento anormal entre os períodos menstruais ou após relações sexuais - em geral, o câncer já atingiu o estágio invasivo e pode estar disseminado para os tecidos vizinhos.

No entanto, além do câncer, existem muitos outros problemas que podem causar sangramento ou corrimento vaginal. Por isso, é importante que o médico determine a causa precisa.

Exames laboratoriais

Exames de triagem

Teste de Papanicolaou
O teste de Papanicolaou, em que células cervicais são colhidas sobre uma lâmina de vidro e coradas com corantes especiais para exame microscópico, é largamente usado para pesquisa de alterações pré-cancerosas e cancerosas nas células cervicais. Recentemente, foi desenvolvida uma técnica em meio líquido (chamada de citologia em meio líquido) e é o método preferido no momento. As duas técnicas são aceitáveis, mas a técnica em meio líquido elimina artefatos de secagem da lâmina e substâncias que podem interferir, como lubrificantes, sangue menstrual e secreções. Outra técnica recente usa sistemas computadorizados de análise de lâminas, que permitem o exame de um grande número de células. Essas novas técnicas procuram melhorar a detecção de um pequeno número de células no início da doença.

As orientações de diferentes organizações sobre a triagem de câncer cervical com o teste de Papanicolaou variam:

  • O American College of Obstetricians and Gynecologists, dos EUA, recomenda que mulheres com menos de 21 anos de idade não sejam testadas, porque nessa idade o câncer cervical é raro e alterações comuns podem causar resultados falsos positivos e tratamentos desnecessários. Mulheres entre 21 e 29 anos devem ser testadas a cada dois anos.
  • A American Cancer Society e a U.S. Preventive Services Task Force, dos EUA, recomendam a triagem anual de mulheres após três anos de vida sexual ou após 21 anos de idade, até 30 anos de idade.
  • As três organizações concordam sobre a triagem após os 30 anos. Mulheres com risco baixo e com testes de Papanicolaou normais durante três anos devem passar a ser testadas a cada três anos, a não ser que existam fatores de risco, como exposição a dietilestilbestrol, diagnóstico anterior de câncer cervical, comportamento sexual de risco, infecção por HIV ou imunodepressão, quando devem ser testadas com maior frequência.
  • O American College of Obstetricians and Gynecologists, dos EUA, recomenda a suspensão da triagem entre 65 e 70 anos de idade quando os últimos exames foram normais, a não ser que haja os fatores de risco citados acima.

Papiloma vírus (HPV)
O American College of Obstetricians and Gynecologists recomenda desde 2003 que a pesquisa de DNA do HPV seja oferecida e mulheres com mais de 30 anos de idade, além do exame pélvico anual e do teste de Papanicolaou a cada três anos. Antes dos 30 anos, a pesquisa de HPV não se justifica porque a infecção é muito frequente e em geral se resolve sem tratamento. Os exames podem ser mais frequentes se houver fatores de risco ou resultados anteriores positivos.

A pesquisa de DNA do HPV detecta as cepas de HPV associadas a risco mais alto de câncer cervical mas não distingue as diferentes cepas do vírus. Outros exames de DNA são necessários para identificar uma cepa específica. A maioria das mulheres infectadas com HPV não desenvolve câncer cervical, e algumas que têm a doença não apresentam infecção pelo HPV. São necessárias mais pesquisas para estabelecer o valor preciso da triagem de HPV na prevenção desse tipo de câncer.

Exames diagnósticos

  • Colposcopia - Exame da cérvice banhada com uma solução ácida usando uma luz brilhante e uma lente para pesquisar áreas anormais. O teste de Schiller é feito pintando a cérvice com iodo. O tecido normal adota uma coloração castanha, e áreas de câncer ou de inflamação ficam mais claras. O teste é usado para indicar locais que devem ser biopsiados.
  • Biópsias do colo do útero - Retiram fragmentos de tecido para exame microscópico, permitindo a identificação de áreas pré-cancerosas, cancerosas ou inflamadas.

 

Estágio


Se um câncer for detectado, é preciso estabelecer o seu estágio, o que é feito por exame microscópico de biópsias cirúrgicas e exames de imagem. Os estágios variam de 0, câncer restrito às células de revestimento da cérvice, até IVB, câncer disseminado para outras áreas do corpo, como pulmões. A definição do estágio é muito importante para determinar o prognóstico e as opções de tratamento.

Tratamento


O tratamento do câncer cervical depende do estágio da doença. Se estiver limitado à cérvice, pode ser removido por cirurgia ou destruído usando crioterapia ou laser.

Câncer cervical mais invasivo precisa de cirurgia para retirar os tecidos e órgãos afetados, seguida de radioterapia para destruir células cancerosas remanescentes. Pode ser necessário fazer quimioterapia em câncer com disseminação metastática.

Páginas relacionadas


Neste site
Exames: teste de Papanicolaou, HPV
Triagem: cancer cervical (13-18 anos), (19-29 anos), (30-49 anos), (50 anos ou mais)

Em outros sites da Internet
Personal Pap Smear Scheduling Reminder
National Cancer Institute: What you need to know about cancer of the cervix
American Cancer Society: All About Cervical Cancer
National Cervical Cancer Coalition  
CancerLinks
ASCCP: Consensus Guidelines

Fontes do artigo

NOTA: Este artigo se baseia em pesquisas que incluíram as fontes citadas e a experiência coletiva de Lab Tests Online Conselho de Revisão Editorial. Este artigo é submetido a revisões periódicas do Conselho Editorial, e pode ser atualizado como resultado dessas revisões. Novas fontes citadas serão adicionadas à lista e distinguidas das fontes originais usadas.

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