Também conhecido como
Gasometria arterial
pH
PO2
PCO2
Bicarbonato
HCO3–
Saturação de oxigênio
Nome formal
Gasometria
Este artigo foi revisto pela última vez em
Este artigo foi modificado pela última vez em
15 de Janeiro de 2018.
De relance
Por que fazer este exame?

Para determinar se as trocas de oxigênio e dióxido de carbono nos pulmões estão normais, e se há um desequilíbrio entre esses gases no sangue ou um desequilíbrio ácido-base, que pode indicar distúrbios respiratórios, metabólicos ou renais

Quando fazer este exame?

Quando há dificuldade de respirar, falta de ar ou respiração rápida; quando há sintomas de desequilíbrio entre oxigênio e dióxido de carbono ou de desequilíbrio ácido-base; para monitorar problemas que causam falta de oxigênio, desequilíbrio ácido-base ou oxigenioterapia; durante certos tipos de cirurgia.

Amostra:

Na maioria dos casos sangue colhido de uma artéria, em geral da artéria radial no pulso, abaixo do polegar, onde podem ser sentidos os batimentos arteriais; algumas vezes, sangue de uma veia do braço; em bebês, pode ser usado sangue capilar de uma picada no calcanhar.

É necessária alguma preparação?

Em geral, nenhuma preparação é necessária. Entretanto, se a pessoa estiver recebendo oxigenioterapia, ela pode ser suspensa, a critério médico e se tolerado, 20 a 30 minutos antes do exame.

O que está sendo pesquisado?

A gasometria é um grupo de exames feitos em conjunto que medem o pH e as quantidades de oxigênio (O2) e dióxido de carbono (CO2) no sangue. Em geral, é usado sangue arterial. O corpo normal mantém uma faixa estreita de pH entre 7,35 e 7,45, nem ácida demais (acidose), nem alcalina (ou básica) demais (alcalose).

A produção de energia pelas células do corpo consome oxigênio e produz dióxido de carbono. O oxigênio é absorvido nos pulmões e transportado pelo sangue ligado à hemoglobina nas hemácias para todo o corpo. O dióxido de carbono produzido é transportado e dissolvido no plasma para os pulmões, onde é eliminado. Parte do dióxido de carbono dissolvido no plasma se combina com a água, formando ácido carbônico, que se dissocia e permanece em equilíbrio com bicarbonato de sódio. O ácido carbônico e o bicarbonato de sódio formam o principal tampão do corpo, um sistema químico que atenua as variações de pH, evitando a acidose ou a alcalose.

A maior parte da regulação do pH ocorre nos pulmões e nos rins. Quando os pulmões aumentam a eliminação de dióxido de carbono, diminuem a quantidade de ácido no sangue. Quando os rins aumentam a eliminação de bicarbonato, diminuem a quantidade de base no sangue.

Há uma grande variedade de alterações agudas ou crônicas que afetam a produção de ácido no corpo, a função renal ou a função pulmonar, causando desequilíbrios ácido-base. Por exemplo, o diabetes não controlado causa cetoacidose, um tipo de acidose metabólica, e doenças pulmonares afetam as trocas gasosas de oxigênio e de dióxido de carbono. Mesmo problemas temporários, como choque, ansiedade, vômitos prolongados ou diarreia intensa podem provocar acidose ou alcalose.

A gasometria mede o pH e as quantidades de oxigênio e dióxido de carbono no sangue. Os resultados são apresentados como:

  • pH - Uma medida do equilíbrio entre ácidos e bases no sangue. O pH diminui quando há um excesso de ácidos, e aumenta quando há um excesso de bases.
  • Pressão parcial de O2 (PO2). Mede a quantidade de oxigênio no sangue.
  • Pressão parcial de CO2 (PCO2). Mede a quantidade de dióxido de carbono no sangue. Quando a PCO2 aumenta, o pH diminui, porque há mais ácido carbônico presente. Quando a PCO2 diminui, o pH aumenta.

Outros parâmetros podem ser medidos ou calculados:

  • Saturação de O2. Percentagem da hemoglobina que está transportando oxigênio.
  • Bicarbonato (HCO3-). A principal base do corpo, calculada a partir do pH e da PCO2. O bicarbonato é excretado pelos rins em resposta a alcalose.
  • Excesso de base. Cálculo que corresponde à quantidade de ácido que precisa ser adicionada ao sangue para atingir um pH específico em condições padronizadas.

Como a amostra é obtida para o exame?

O sangue arterial é quase sempre usado para a gasometria, mas, em alguns casos, como em bebês, pode ser usado o sangue capilar de uma punção do calcanhar. No recém-nascido, é colhido sangue do cordão umbilical. Os valores são diferentes no sangue arterial e no sangue venoso.

Em geral, é colhida uma amostra de sangue arterial da artéria radial no pulso, localizada abaixo do dedo polegar, onde os batimentos do pulso podem ser sentidos. É feito um teste de circulação, chamado teste de Allen, para examinar se há circulação adequada no pulso. As artérias radial e ulnar são comprimidas e descomprimidas alternadamente para verificar a volta a circulação normal na mão. Se esta não se recupera com rapidez, deve ser testado o outro braço. Podem ser usadas também as artérias braquiais na dobra dos cotovelos ou as artérias femorais na virilha. Essas colheitas exigem treinamento especial e, com frequência, são feitas por médicos.

Em recém-nascidos com dificuldade de respirar logo após o nascimento, o sangue pode ser colhido de uma das artérias e da veia umbilical, para comparação entre os resultados.

Após a colheita de sangue arterial, deve ser mantida pressão firme sobre o local durante pelo menos cinco minutos. Como a pressão é grande na artéria, o sangramento local demora a parar. Quando a pessoa toma anticoagulantes ou aspirina, pode demorar até 10 a 15 minutos. O colhedor verifica o sangramento e aplica um curativo, que deve ser mantido no local durante pelo menos uma hora.

NOTA: Se exames médicos em você ou em alguém importante para você o deixam ansioso ou constrangido, ou se você tem dificuldade de lidar com eles, leia um ou mais dos seguintes artigos: Lidando com dor, desconforto ou ansiedade durante o exame, Conselhos sobre exames de sangue, Conselhos para ajudar crianças durante exames médicos, e Conselhos para ajudar idosos durante exames médicos.

Outro artigo, Siga essa amostra, fornece uma visão da coleta e do processamento de uma amostra de sangue e de uma amostra de cultura da garganta.

É necessário algum preparo para garantir a qualidade da amostra?

Em geral, nenhuma preparação é necessária. Entretanto, se a pessoa está em oxigenioterapia, o oxigênio pode ser desligado durante 20 a 30 minutos antes da colheita, de acordo com a solicitação médica e como tolerado pelo paciente, ou o fluxo de oxigênio usado é anotado como percentagem ou em litros por minuto, para interpretação correta dos resultados.

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Perguntas frequentes
  • Como o exame é usado?

    A gasometria é usada para avaliar a oxigenação e o equilíbrio ácido-base. É pedida quando há um desequilíbrio ácido-base ou quando há problemas respiratórios. Podem ser pedidos outros exames ao mesmo tempo, como eletrólitos, para avaliar o equilíbrio eletrolítico, glicose, para pesquisar diabetes, e ureia e creatinina, para avaliar a função renal.

    Em pessoas recebendo oxigenioterapia, a gasometria é usada para monitorar a eficácia do tratamento.

  • Quando o exame é pedido?

    A gasometria é pedida quando há sintomas de problemas respiratórios ou metabólicos, ou de doenças renais ou pulmonares que causam desequilíbrio ácido-base ou dificuldade respiratória. É usada para diagnóstico e monitoração desses grupos de doenças e de seu tratamento.

    Traumatismos cranianos e do pescoço podem afetar a respiração. Anestesia prolongada, especialmente após cirurgia com derivação cardiopulmonar ou cirurgia encefálica, pode exigir monitoração prolongada da gasometria no pós-operatório.

    Em recém-nascidos, a gasometria do sangue do cordão umbilical pode revelar problemas respiratórios e orientar seu tratamento.

  • O que significa o resultado do exame?

    Resultados anormais da gasometria podem indicar que:

    • O paciente não está recebendo oxigênio suficiente
    • Não está eliminando dióxido de carbono em quantidade adequada
    • Há um problema na função renal
    • Há um problema metabólico

    Resultados normais da PO2 indicam que a pessoa está recebendo oxigênio suficiente.

    Os resultados dos outros componentes da gasometria são inter-relacionados e devem ser considerados em conjunto. Certas combinações de resultados fornecem uma indicação da causa da acidose ou da alcalose:

    • A acidose respiratória se caracteriza por pH baixo e PCO2 alto, devido a dificuldade respiratória – pouco oxigênio é absorvido e pouco dióxido de carbono é eliminado. Isso tem muitas causas, incluindo pneumonia, doença pulmonar obstrutiva crônica e sedação excessiva.
    • A alcalose respiratória se caracteriza por pH alto e PCO2 baixo, devido a hiperventilação causada por dor, sofrimento emocional e outros distúrbios.
    • Na acidose metabólica, há diminuição do pH e do bicarbonato. As causas incluem diabetes, choque e insuficiência renal.
    • Na alcalose metabólica há aumento do pH e do bicarbonato, que pode ocorrer com hipocalemia, vômitos crônicos com perda de ácido gástrico e infusão excessiva de bicarbonato.

    O quadro abaixo resume as principais combinações observadas:

    pH Bicarbonato PCO2 Estado Causas comuns
    <7.4 baixo baixa acidose metabólica Insuficiência renal, choque, cetoacidose diabética
    >7.4 alto alta alcalose metabólica Vômitos crônicos, hipocalemia
    <7.4 alto alta acidose respiratória Doenças pulmonares, como pneumonia, DPOC
    >7.4 baixo baixa alcalose respiratória Hiperventilação, dor, ansiedade

    Se não forem tratados, esses desequilíbrios provocam risco de vida. O médico providencia o tratamento adequado do distúrbio e da causa.

  • Há mais alguma coisa que eu devo saber?

    A colheita de sangue arterial em geral é mais dolorosa que a de sangue venoso. A pessoa sente um desconforto moderado e há necessidade de compressão do local durante algum tempo para evitar sangramento.

    Algumas vezes, é colhido sangue misto de um acesso central, em situações especiais, como laboratórios de cateterismo cardíaco e serviços de transplante. Nesses casos, a interpretação dos resultados deve ser feita por um especialista. Sangue venoso não pode ser usado para avaliação do oxigênio.

  • Esse exame pode ser feito no consultório médico?

    O exame exige equipamento especializado, que em geral não está disponível em consultórios.

  • Eu já tive pneumonia e tenho asma. Por que meu medico nunca pediu esse exame?

    A maioria dos casos de pneumonia e de asma pode ser diagnosticada e monitorada com a escuta do tórax, com a espirometria e com radiografias de tórax. A gasometria pode ser necessária quando há problemas respiratórios agudos ou prolongados, em ambientes de emergência ou de internação hospitalar.

  • Há outro modo de medir o oxigênio no sangue?

    A oximetria de pulso é um método não invasivo de monitoração contínua da saturação de oxigênio. Não é necessária uma amostra de sangue. Um sensor (oxímetro) que mede a luz transmitida através dos tecidos é preso à ponta de um dedo ou ao lobo de uma orelha. O método é útil para monitorar a saturação de oxigênio, mas sua precisão é afetada pela presença de hemoglobinas anormais, como carboxi-hemoglobina, por perfusão deficiente ou por anemia intensa.

  • Porque meu resultado inclui carboxi-hemoglobina? O que é isso?

    Alguns aparelhos, chamados co-oxímetros, medem também formas anormais de hemoglobina.
    Níveis elevados de carboxi-hemoglobina ocorrem no envenenamento por monóxido de carbono, que forma com a hemoglobina uma ligação 210 vezes mais forte que a ligação com o oxigênio, prejudicando o transporte de oxigênio no corpo.
    Outros derivados anormais da hemoglobina medidos com um co-oxímetro são a meta-hemoglobina e a sulfo-hemoglobina, que podem resultar da ingestão de alguns medicamentos e substâncias.

Fontes do artigo

NOTA: Este artigo se baseia em pesquisas que incluíram as fontes citadas e a experiência coletiva de Lab Tests Online Conselho de Revisão Editorial. Este artigo é submetido a revisões periódicas do Conselho Editorial, e pode ser atualizado como resultado dessas revisões. Novas fontes citadas serão adicionadas à lista e distinguidas das fontes originais usadas.

 

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