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Hipovitaminose K
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05 de Dezembro de 2017.
Resumo

A vitamina K é um nutriente necessário ao organismo em quantidades pequenas e regulares. É essencial para a formação de diversas substâncias chamadas fatores de coagulação, as quais, conjuntamente, produzem a coagulação do sangue que ocorre como resultado de lesões nos vasos sanguíneos. A insuficiência dessa vitamina pode levar a uma situação de sangramento excessivo e ao surgimento de lesões, contusões e equimoses (ou manchas roxas na pele). Acredita-se que a vitamina K também tenha um papel importante na prevenção de perda óssea. Baixos níveis de vitamina K são associados a baixas densidades ósseas. Existem algumas evidências de que seus níveis adequados podem melhorar a saúde dos ossos e reduzir o risco de fraturas.

Há três tipos diferentes de vitamina K:

  • A vitamina K1 (filoquinona) é o tipo que provém da dieta, especialmente dos vegetais com folhas verdes, mas também de produtos lácteos e óleos vegetais. É também produzida comercialmente para uso oral ou injetável, no tratamento de algumas condições associadas a sangramentos excessivos.
  • A vitamina K2 (menaquinona) é sintetizada por  bactérias, que fazem parte da flora normal intestinal. É capaz de suplementar a K1, mas não é o suficiente para atender toda a necessidade do corpo.
  • A vitamina K3 (menadiona) é uma forma sintética, hidrossolúvel (solúvel em água), de vitamina K, utilizada como tratamento em adultos. Seu uso em crianças está proibido nos Estados Unidos por é capaz de induzir a anemia hemolítica.

Uma vez que o organismo não consegue produzir uma quantidade suficiente de vitamina K para suas necessidades, a alimentação deve suprir o restante. Ela está presente em grande variedade de alimentos, e uma dieta normal fornece o suficiente para uso normal. Exemplos de alimentos diferentes ricos em vitamina K – frequentemente, acima do mínimo recomendado – incluem: vegetais verdes folhosos como: couve, couve-flor, espinafre, nabo, mostarda, alface, além de outros vegetais como brócolis, cebola, salsa, aspargos, couve de Bruxelas, vegetais em broto e repolho. Outras fontes incluem produtos lácteos, cereais, óleos vegetais e soja. As vitaminas K1 e K2 – os tipos fornecidos pela dieta e produzidos pelo corpo – são ambas lipossolúveis e armazenadas no tecido gorduroso do organismo e no fígado. Um adulto armazena aproximadamente o suficiente para uma semana de vitamina K.

As pessoas submetidas a tratamento com a droga anticoagulante warfarin (COUMADIN®) devem ser cuidadosas quanto à quantidade de vitamina K presente nos alimentos que ingerem porque ela é um antagonista (provoca efeito contrário) a este medicamento e a outros utilizados como anticoagulantes orais. Isto significa que a vitamina K torna a droga menos efetiva no tratamento da condição para a qual foi prescrita. O warfarin é administrado a pessoas com uma variedade de condições, como: Trombose Venosa Profunda (TVP) e doenças cardiovasculares – com o objetivo de "afinar" o sangue (dificultar a coagulação), de maneira a prevenir sua coagulação inapropriada (intravascular, ou dentro dos  vasos sanguíneos). Este medicamento funciona porque inibe a formação dos fatores de coagulação que são dependentes da vitamina K. O warfarin afeta cada pessoa diferentemente, e deve ser cuidadosamente monitorizado – tipicamente, isto é feito através do Tempo de Protrombina (AP ou PT), exame que traz resultados sob a forma de uma Relação Normalizada Internacional – RNI (ou INR, na sigla em inglês). Esse resultado é comparável a valores obtidos em laboratórios de todo o mundo, efetuados em condições similares. Os valores de RNI devem ser mantidos em uma estreita faixa, de acordo com a condição que está sendo tratada. Uma dose insuficiente de warfarin pode resultar em sangramentos perigosos, mas uma dose excessiva pode causar episódios de hemorragia (sangramento). Pessoas utilizando estas drogas não devem evitar alimentos ricos em vitamina K, mas é importante consumi-la em quantidades constantes a cada dia. Acréscimos ou decréscimos significativos na vitamina K ingerida podem afetar o efeito do warfarin em seu organismo.

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Sobre Deficiência de Vitamina K
  • Deficiência de vitamina K

    As causas mais comuns de deficiência de vitamina K são: dieta inadequada, absorção insuficiente e armazenamento reduzido da vitamina devido à doença hepática. Também pode ser causada por uma baixa produção intestinal.

    Não é comum que adultos saudáveis apresentem insuficiência de vitamina K, mas pode ocorrer com relativa frequência em pacientes com doenças severas ou crônicas. Por exemplo, é geralmente encontrada em pessoas internadas em unidades de terapia intensiva, em pacientes de câncer durante a quimioterapia, em quem faz diálise crônica e em pacientes em risco de malnutrição, como aqueles com dieta inadequada associada ao alcoolismo ou abuso de drogas. A má absorção, especialmente de gorduras devido a doenças como fibrose cística, doença celíaca, pancreatite crônica ou Doença de Crohn, também pode provocar deficiência de vitamina K. Doenças hepáticas coleostáticas, tais como obstrução do duto biliar ou cirrose biliar, também podem levar à absorção insuficiente e à deficiência de vitamina K.

    • Alguns medicamentos, como antibióticos, aspirina (salicilatos) e anticonvulsivantes podem interferir na absorção de vitamina K1, reduzir a quantidade de vitamina K2 produzida nos intestinos, ou aumentar a necessidade orgânica de vitamina K.
    • Em recém-nascidos, as deficiências se associam à doença hemorrágica do recém-nascido, também chamada doença hemorrágica por deficiência de vitamina K. Isto pode causar hemorragias e contusões e, em casos graves, hemorragia cerebral fatal. Este tipo de problema já foi mais comum, porque recém-nascidos têm menor estoque de vitamina K, seus intestinos ainda não possuem uma flora normal estabelecida e o leite materno não a fornece em quantidade suficiente. Além disso, caso a mãe receba certos medicamentos – como anticonvulsivantes – durante a gravidez, o neonato pode apresentar deficiência de vitamina K já ao nascer. Atualmente, esse tipo de situação é resolvida, na maioria dos casos, através da administração rotineira de injeções de vitamina K aos neonatos logo após o nascimento (recomendação da Associação Americana de Pediatria – American Association of Pediatrics). Caso sejam necessárias cirurgias, a vitamina pode ser administrada também no pré-operatório, como forma de prevenir o sangramento excessive.
  • Sinais e Sintomas

    Os sinais e sintomas associados à deficiência de vitamina K podem incluir:

    • Contusões e equimoses após pequenos traumas.
    • Hemorragia subgengival ou nasal.
    • Hemorragia excessiva através de feridas, punções, injeções ou locais de cirurgia.
    • Períodos menstruais prolongados ou com sangramento excessivo.
    • Sangramento no Sistema Gastrointestinal (GI).
    • Sangramento através da urina e/ou fezes.
    • Aumento no Tempo de Protrombina (AP, TP ou RNI).

    Em doença hemorrágica do recém-nascido, os sinais e sintomas podem ser similares a esses, mas nos casos mais sérios pode haver também sangramento intracraniano.

    Pode haver suspeita de deficiência de vitamina K quando os sintomas acima aparecem em alguém que apresenta risco aumentado, como:

    • Aqueles que têm uma condição crônica associada a má nutrição ou má absorção.
    • Pessoas submetidas a tratamentos prolongados com antimicrobianos (antibióticos) – Estes destroem as bactérias que auxiliam na produção de vitamina K2 no intestino delgado.
    • Pacientes com doenças séria, como câncer, ou submetidos à diálise, ou aqueles internados em unidades de terapia intensive.
  • Exames laboratoriais

    Tempo de Protrombina (TP, AP ou RNI)

    A deficiência de Vitamina K pode ser motivo de suspeita – e geralmente é descoberta – sempre que ocorre um sangramento inesperado ou excessivo. Nestes casos, o principal exame laboratorial realizado é o Tempo de Protrombina (também conhecido como Atividade de Protrombina, AP, TP ou RNI). Se o resultado estiver prolongado, e se houver suspeita de deficiência de vitamina K, o próximo passo é administrá-la, geralmente na forma injetável. Caso o sangramento pare e o TP/RNI retorne ao normal, presume-se que a causa é a deficiência de vitamina K.

    Algumas vezes, podem ser solicitados outros testes de coagulação para avaliar um paciente que apresente hemorragia excessiva e contusões ou equimoses, tais como: TTP, Tempo de trombina, Contagem de plaquetas, Testes de função plaquetária, Dosagem de fatores de coagulação, Fibrinogênio, e D-dímero.

    A dosagem da vitamina K no sangue raramente é utilizada para determinar se há alguma deficiência. Como não é um exame rotineiro, geralmente é enviado a um laboratório de referência, e os resultados podem demorar muitos dias.

  • Tratamento

    O tratamento imediato da deficiência de vitamina K em geral envolve a suplementação por via oral ou injetável. Pessoas que apresentam doenças crônicas podem necessitar de suplementação a longo prazo ou por toda a vida.

    Não há relatos de problemas com níveis altos das formas naturais da vitamina K (K1 e K2). Estas apresentam baixa toxicidade, mesmo em altas concentrações. Contudo, a vitamina K3 hidrossolúvel pode ser tóxica, se for administrada em grandes quantidades. Além disso, sabe-se que a vitamina K3 causa anemia hemolítica em lactentes, de modo que não é utilizada para tratar crianças.

    Os fatores de coagulação de vitamina K-dependentes (que dependem dessa vitamina) são produzidos pelo fígado. Pessoas que têm doença hepática crônica podem não conseguir produzir esses fatores em quantidade suficiente, mesmo quando há fornecimento considerável dessa vitamina. Nestes casos, pode ser que a suplementação não apresente resultados.

Fontes do artigo

NOTE: This article is based on research that utilizes the sources cited here as well as the collective experience of the Lab Tests Online Editorial Review Board. This article is periodically reviewed by the Editorial Board and may be updated as a result of the review. Any new sources cited will be added to the list and distinguished from the original sources used.

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