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20 de Setembro de 2017.

O que é?


A insuficiência suprarrenal caracteriza-se por produção inadequada dos hormônios suprarrenais cortisol e aldosterona. As glândulas suprarrenais são pequenos órgãos localizados acima dos rins. Têm uma parte interna chamada medula suprarrenal e uma parte externa chamada córtex suprarrenal. As duas camadas produzem diversos hormônios que controlam muitos sistemas do corpo. A produção de hormônios do córtex suprarrenal é regulada por interações entre o hipotálamo, a hipófise e as glândulas suprarrenais. Se qualquer parte desse sistema não estiver funcionando, podem ocorrer distúrbios no corpo. A insuficiência suprarrenal primária, também chamada doença de Addison, afeta os níveis de cortisol e de aldosterona. É causada por hipofunção ou destruição das glândulas suprarrenais. A insuficiência suprarrenal secundária resulta de disfunção hipofisária e em geral só afeta a produção de cortisol.

O cortisol é um hormônio glicocorticoide produzido no córtex suprarrenal. Entre muitas ações, o cortisol afeta o metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras, altera os níveis de glicose no sangue, tem ação anti-inflamatória e participa da reação do corpo a estresse. A aldosterona, um mineralocorticoide, também é produzida no córtex suprarrenal e controla o equilíbrio de sódio e de potássio no corpo. A deficiência desses dois hormônios causa fraqueza, desidratação, incapacidade de manutenção da pressão arterial e resposta inadequada a estresse.

A doença de Addison atinge de uma a quatro pessoas em 100.000 nos EUA. É encontrada em todas as idades e afeta igualmente homens e mulheres. Os sintomas da insuficiência podem não ser observados até que 80% a 90% da glândula suprarrenal estejam destruídos.

Nos EUA, cerca de 70% dos casos de insuficiência suprarrenal primária são devidos a um processo autoimune. Outras causas são tuberculose, comum em algumas áreas do mundo, infecções por bactérias, vírus ou fungos, hemorragia suprarrenal e invasão das glândulas suprarrenais por câncer. Casos raros podem ser resultado de uma anormalidade genética das glândulas suprarrenais.

A insuficiência suprarrenal secundária pode ser provocada pela diminuição da produção do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) hipofisário. Este hormônio estimula a produção de cortisol pelas glândulas suprarrenais. Se houver deficiência de ACTH, resultante de lesão ou tumor da hipófise, a produção de cortisol diminui por falta de estimulação.

A insuficiência suprarrenal secundária pode ocorrer quando é suspenso subitamente o tratamento com corticoesteroides, como a prednisonam  usada para diminuir a inflamação em doenças como a artrite reumatoide. O tratamento com corticoesteroides exógenos inibe a produção endógena de cortisol, que pode demorar semanas ou meses para se normalizar. A produção de aldosterona em geral não é afetada na insuficiência suprarrenal secundária.

Sinais e sintomas


Os sintomas associados à insuficiência suprarrenal são, com frequência, vagos e inespecíficos. Podem se desenvolver devagar, ocorrerem no início apenas durante momentos de estresse e aumentarem de intensidade durante meses. Incluem:

  • Dor abdominal
  • Perda de pelos
  • Desidratação (na doença de Addison)
  • Diarreia e constipação
  • Tonteiras e desmaios
  • Fadiga
  • Hiperpigmentação (na doença de Addison). Manchas escuras na pele, em especial nas dobras; algumas vezes, sardas pretas na testa e na face e/ou descoloração em torno de áreas como mamilos, lábios e ânus
  • Dores musculares e articulares
  • Hipotensão arterial
  • Hipoglicemia
  • Fraqueza muscular
  • Desejo de comer sal (na doença de Addison)
  • Vômitos
  • Perda de peso

Algumas vezes, os sinais e sintomas de insuficiência suprarrenal podem ser súbitos. Em cerca de 25% dos casos, ela é diagnosticada durante uma crise suprarrenal, também chamada crise addisoniana. Essa crise pode ocorrer após estresse, traumatismo, cirurgia ou infecção grave. Pode ser fatal se não for tratada. Os sinais e sintomas da crise podem incluir:

  • Insuficiência renal
  • Perda da consciência
  • Hipotensão arterial
  • Dor intensa lombar, abdominal ou nas pernas
  • Vômitos e diarreia intensos, causando desidratação
  • Choque

Exames


Sintomas como hiperpigmentação, fraqueza, pressão arterial baixa e desejo de sal podem fazer o médico suspeitar de insuficiência suprarrenal, em especial se parecem piorar em períodos de estresse. Os exames laboratoriais são usados para confirmar a insuficiência suprarrenal, para distinguir se primária ou secundária e para pesquisar o distúrbio causador. São pedidos também para avaliar o equilíbrio eletrolítico, os níveis de glicose e a função renal do paciente. Durante uma crise suprarrenal, determinam a gravidade dos desequilíbrios e monitoram a eficácia do tratamento.

Exames laboratoriais
Cortisol. Os níveis sanguíneos variam, atingindo um máximo no início da manhã. Se as glândulas suprarrenais não tiverem funcionamento normal ou não forem estimuladas pelo ACTH, os níveis são sempre baixos. Com os níveis de ACTH e testes de estimulação com ACTH, os níveis de cortisol são usados para diagnosticar insuficiência suprarrenal.

ACTH. O ACTH é um hormônio da hipófise que estimula a secreção de cortisol pelas glândulas suprarrenais. Em pacientes com insuficiência suprarrenal, níveis baixos de ACTH indicam insuficiência suprarrenal secundária, e níveis altos indicam insuficiência suprarrenal primária (doença de Addison).

Teste de estimulação com ACTH. Envolve a medida dos níveis sanguíneos de cortisol antes e depois de uma injeção de ACTH sintético. Se a função das glândulas suprarrenais estiver normal, os níveis de cortisol aumentam após a injeção. Se as glândulas estiverem lesionadas, a resposta ao ACTH será mínima. Esse teste rápido pode ser pedido com a dosagem basal de cortisol e é seguido por um exame prolongado de estimulação com ACTH durante um a três dias, para distinguir insuficiência suprarrenal primária e secundária.

Aldosterona. Níveis sanguíneos ou urinários baixos de aldosterona indicam insuficiência suprarrenal primária (doença de Addison).

Eletrólitos. Sódio, potássio, cloretos e dióxido de carbono são medidos para detectar e avaliar a gravidade de desequilíbrios eletrolíticos e para acompanhar a eficácia do tratamento. Na doença de Addison, os níveis de sódio, cloreto e dióxido de carbono em geral estão baixos, e os de potássio podem estar muito altos.

Ureia e creatinina são exames que avaliam a função renal.

Os níveis de glicose podem estar muito baixos em uma crise suprarrenal.

Exames usados ocasionalmente
Teste de hipoglicemia induzida por insulina. Os níveis de glicose e de cortisol são medidos em intervalos predeterminados após uma injeção de insulina. Em pessoas saudáveis, os de glicose diminuem e os de cortisol aumentam. Em pessoas com insuficiência suprarrenal, os níveis de cortisol permanecem baixos e os de glicose diminuem e se recuperam devagar.

Renina. Os níveis de renina são elevados na insuficiência suprarrenal primária porque a falta de aldosterona aumenta a excreção de sódio, o que diminui o nível sanguíneo de sódio, o volume de sangue e a pressão arterial, estimulando a produção de renina pelos rins.

Autoanticorpos anti-21-hidroxilase podem ser pedidos quando há suspeita de doença de Addison autoimune. Apesar de serem pouco usados atualmente, são considerados um bom marcador de doença autoimune.

Outros exames
Radiografias são empregadas para pesquisar calcificações no córtex suprarrenal, que podem ser causadas por tuberculose.

Tomografia computadorizada ou ressonância magnética são usadas para avaliar o tamanho e a forma das glândulas suprarrenais e da hipófise. As glândulas suprarrenais pode estar aumentadas com infecções ou neoplasias. Em doenças autoimunes e na insuficiência suprarrenal secundária, as glândulas suprarrenais têm tamanho normal ou reduzido.

Tratamentos


Há tratamentos para insuficiência suprarrenal primária, mas não há cura. Se a doença for provocada por infecção, a função suprarrenal pode ser recuperada pelo menos em parte com a cura da infecção. Entretanto, mesmo pessoas com lesão extensa e permanente das glândulas suprarrenais podem ter uma vida saudável e relativamente normal com reposição dos hormônios em falta e algumas precauções.

Na insuficiência suprarrenal secundária é rara a cura da lesão ou da doença hipofisária. Em casos resultantes de tratamento com corticoesteroides, a produção de cortisol pode se normalizar com o tempo. O tratamento da insuficiência suprarrenal secundária também envolve reposição de hormônios.

Páginas relacionadas


Neste site
Exames: ACTH, aldosterona e renina, cortisol, eletrólitos, potássio, glicose, ureia, creatinina
Estados clínicos/Doenças: distúrbios autoimunes, tuberculose

Em outros sites da Internet
American Autoimmune Related Diseases Association, Inc.
Medic Alert Foundation International
NIDDK: National Endocrine and Metabolic Diseases Information Service
National Adrenal Diseases Foundation

Fontes do artigo

NOTA: Este artigo se baseia em pesquisas que incluíram as fontes citadas e a experiência coletiva de Lab Tests Online  Conselho de Revisão Editorial. Este artigo é submetido à revisões periódicas do Conselho Editorial, e pode ser atualizado como resultado dessas revisões. Novas fontes citadas serão adicionadas à lista e distinguidas das fontes originais usadas.

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