Also Known As
Micobactérias atípicas
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20 de Setembro de 2017.

O que são?


As micobactérias são um grupo heterogêneo de bactérias, abrangendo mais de 100 espécies diferentes. Com exceção do Mycobacterium tuberculosis, que causa a tuberculose, e do Mycobacterium leprae, que causa a hanseníase, a maioria das micobactérias vive no solo e na água em ambientes rurais e urbanos de todo o mundo. Podem ser encontradas em aerossóis, rios e pântanos, em águas urbanas tratadas, piscinas públicas, saunas, umidificadores, aquários, no solo de jardins, em alimentos e em muitos outros lugares. As micobactérias são protegidas por uma parede lipídica resistente a desinfetantes e a medidas de tratamento de água.

Não há uma denominação padronizada para esse grupo de micro-organismos. Eles podem ser chamados micobactérias não tuberculosas, micobactérias atípicas ou micobactérias ambientais.

Diversas espécies identificadas de micobactérias não tuberculosas estão associadas a infecções oportunistas em animais e em humanos, e algumas causam surtos infecciosos esporádicos. Elas são adquiridas por exposição a água, aerossóis, terra e poeira, por inalação, ingestão ou através de lesões da pele, feridas cirúrgicas ou cateteres intravenosos. Não se transmitem de pessoa para pessoa, como o Mycobacterium tuberculosis e o Mycobacterium leprae. Causam infecções pulmonares semelhantes à tuberculose, e infecções de linfonodos, de ossos e da pele e tecidos moles, podendo formar abscessos. Essas infecções podem ser localizadas ou disseminadas.

A maioria das micobactérias não tuberculosas se reproduz lentamente. As infecções podem se tornar aparentes semanas, meses ou mesmo anos após a exposição inicial.

Qualquer pessoa pode ser infectada, mas são mais susceptíveis aquelas com supressão do sistema imunológico, como as infectadas por HIV/AIDS, as que receberam transplantes, e pessoas com doenças pulmonares, como enfisema e fibrose cística) .

O tratamento das infecções por micobactérias não tuberculosas é difícil e demorado, porque com frequência elas são resistentes aos antibióticos comuns.

O quadro abaixo relaciona algumas espécies, com uma descrição sumária.

micobactéria Exemplos
M. avium - complexo intracelular (MAC) Uma das infecções mais frequentes em pacientes com AIDS; infecção pulmonar e disseminada. Tem distribuição ampla.
M. kansasii Infecções pulmonares com maior frequência. Sua prevalência é aumentada no sul dos EUA (Texas e Flórida).
M. abscessus Pode infectar implantes, como marca-passos.
M. chelonae Infecções pós-cirúrgicas em valvas cardíacas artificiais e próteses.
M. fortuitum Infecções pós-cirúrgicas.
M. xenopi Encontrada em sistemas de água quente.
M. scrofulaceum Pode causar adenite cervical, especialmente em crianças.
M. marinum Encontrada em água doce ou salgada, em aquários e piscinas. Penetra em falhas da pele e causa feridas persistentes.
M. ulcerans Endêmica nos trópicos, causa a úlcera de Buruli, grandes lesões de pele e tecidos moles. É a terceira infecção mais comum por micobactérias em pessoas saudáveis.
M. leprae Infecção de membranas mucosas, nervos e pele. Manchas na pele com perda de sensibilidade podem facilitar rupturas e infecção secundária.

Sinais e sintomas


Os sintomas associados a infecções por micobactérias não tuberculosas dependem das partes do corpo envolvidas. Infecções pulmonares podem causar sintomas semelhantes aos da tuberculose. Incluem:

  • Tosse crônica, algumas vezes com escarro sanguinolento
  • Febre
  • Calafrios
  • Perda de peso
  • Fraqueza

Infecções de pele podem provocar feridas persistentes, furúnculos, úlceras e granulomas. Linfonodos afetados apresentam inflamação.

Todos esses sintomas são observados em diversas outras doenças. O diagnóstico de infecção por micobactérias não tuberculosas depende da identificação das bactérias em líquidos do corpo ou tecidos.

Exames

Exames laboratoriais

  • Pesquisa e cultura de bacilos ácido-álcool resistentes (BAAR). São os métodos básicos para detectar infecções por micobactérias. As amostras colhidas dependem da parte do corpo infectada. Em infecções pulmonares, são usadas 3 a 5 amostras de escarro colhidas de manhã, em dias diferentes. Em outras partes do corpo podem ser obtidos lavados, aspirados ou swabs da parte infectada, líquidos ou amostras de tecidos (biópsia).

    Devido a sua parede celular característica, as micobactérias resistem à descoloração com ácido durante procedimentos especiais de coloração. Bactérias com essa propriedade específica são chamadas álcool-ácido resistentes (BAAR), e podem ser observadas ao microscópio sobre uma lâmina de vidro.

    As culturas são feitas em amostras tratadas para liquefazer o muco e para reduzir a quantidade de bactérias contaminantes. O processo também concentra os BAAR na amostra, facilitando sua recuperação na cultura. A amostra tratada é cultivada em um meio de suporte e a uma temperatura adequados para micobactérias. Os resultados positivos são definitivos, identificando a bactéria e os medicamentos capazes de matá-la, mas demoram dias ou semanas. Resultados negativos são relatados somente após seis a oito semanas de cultura. Até hoje não se conseguiu cultivar o Mycobacterium leprae. O diagnóstico de hanseníase se baseia em sinais clínicos (manchas na pele com perda de sensibilidade e espessamento de nervos) e na pesquisa de BAAR nos tecidos.

    A pesquisa e a cultura de BAAR são utilizadas também para monitorar a eficácia do tratamento.
  • Exames moleculares. São empregados métodos de biologia molecular para detecção rápida de material genético (DNA/RNA), em amostras ou para identificação de espécies de micobactérias em culturas.

Exames não laboratoriais
Através de radiografias e outros métodos de imagem pesquisa-se alterações provocadas pelas infecções por micobactérias, revelando achados característicos, como cavidades pulmonares ou calcificações nos pulmões ou nos rins.

Tratamento


Os objetivos do tratamento são eliminar as micobactérias e evitar danos adicionais a tecidos e órgãos. Quando há evidências de diversos casos simultâneos, a comunidade onde isso ocorre é investigada para determinar e eliminar a origem da infecção. Em infecções por Mycobacterium tuberculosis ou Mycobacterium leprae, o tratamento visa também evitar a transmissão da infecção para outras pessoas.

O tratamento em geral é feito com mais de um antibiótico ou quimioterápico durante um tempo longo. A duração depende dos resultados dos exames de acompanhamento. Algumas infecções por micobactérias não tuberculosas, como as por Mycobacterium ulcerans, são melhor tratadas com desbridamento cirúrgico das úlceras (remoção do tecido infectado), para evitar maior disseminação da doença. Em infecções localizadas, como um linfonodo, o tecido infectado também pode ser retirado.

Embora os sintomas possam desaparecer após algumas semanas, é importante a continuação do tratamento durante o período recomendado, para garantir a erradicação total das bactérias.

Páginas relacionadas


Neste site
Exames: AFB Smear and Culture, testes de sensibilidade a antibióticos
Estados clínicos/Doenças: HIV/AIDS, tuberculose, doenças pulmonares

Em outros sites da internet
National Jewish Medical and Research Center
National Institute of Allergy and Infectious Diseases: Mycobacteria
World Health Organization, Pathogenic mycobacteria in water: A guide to public health consequences, monitoring and management
Centers for Disease Control and Prevention: Mycobacterium abscessus in Healthcare Settings

Fontes do artigo

NOTA: Este artigo se baseia em pesquisas que incluíram as fontes citadas e a experiência coletiva de Lab Tests Online Conselho de Revisão Editorial. Este artigo é submetido a revisões periódicas do Conselho Editorial, e pode ser atualizado como resultado dessas revisões. Novas fontes citadas serão adicionadas à lista e distinguidas das fontes originais usadas.

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