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Este artigo foi revisto pela última vez em 27 de Outubro de 2008.
Este artigo foi modificado pela última vez em 24 de Maio de 2019.
Nome formal: Lactato desidrogenase, Total e Isoenzimas
Também conhecido como:
Amostra:
Sangue
É necessária alguma preparação?
Nenhuma preparação para o teste é necessária. Porém, alguns laboratórios sugerem jejum de 4 horas. Deve-se evitar atividades físicas extenuantes. Alguns fármacos e uso de vitaminas podem alterar o resultado.
Por que fazer este exame?
Para auxiliar na identificação da causa e da localização do dano tecidual no corpo e para monitorar sua progressão. A LDH está elevada em muitas condições, que refletem sua ampla distribuição nos tecidos. Historicamente, ela foi utilizada para auxiliar no diagnóstico e monitoramento de ataque cardíaco, mas a troponina substituiu, em grande parte, a LDH nesse papel.
O que está sendo pesquisado?
A LDH é uma enzima que ajuda as células a produzir energia. Ela está presente em quase todos os tecidos, sua liberação no sangue funciona como um sinal de que houve algum ‘vazamento’ ou dano celular. A lactato desidrogenase (LDH ou DHL) é uma enzima composta de duas subunidades LDHA e LDHB, codificadas por dois genes independentes, os quais permitem combinações que variam de LDH-1 a LDH-5. Além disso, a LDH apresenta um elevado significado clínico, já que atua como um biomarcador para várias doenças, ou seja, seu valor se altera quando o indivíduo apresenta alguma enfermidade. Por exemplo, níveis elevados de LDH no soro (acima de 200 -280 U/L em humanos saudáveis) são observados em pacientes com câncer, malária e COVID-19 grave, servindo como indicador de prognóstico, sobrevivência e guia para tratamentos medicamentosos. Apresenta, também, funções catalíticas e metabólicas. A lactato desidrogenase contribui na conversão reversível de lactato e nicotinamida adenina dinucleotídeo oxidado (NAD) em piruvato e nicotinamida adenina dinucleotídeo reduzido (NADH). Nesse sentido, a LDH-A tem mais afinidade pelo piruvato. Já a LDH-B tem mais afinidade pelo lactato na reação inversa. O piruvato, em células normais, entra na mitocôndria para a reação de oxidação, porém, pode acontecer de algumas anormalidades, como tumores, fazerem com que o piruvato não entre na mitocôndria devido à elevada intensidade da glicólise (Zhou et al., 2022).
Um nível total de LDH poderá refletir a presença de dano tecidual, mas não é específico. Por si só, ele não pode ser utilizado para identificar a causa subjacente ou sua localização. Embora exista alguma sobreposição, cada uma das cinco isoenzimas de LDH tende a se concentrar em tecidos específicos do corpo. Portanto, podem ser utilizadas medidas individuais dos níveis de isoenzimas da LDH, juntamente com outros testes, para auxiliar na determinação da doença ou condição que está provocando o dano celular e para ajudar a identificar os órgãos e tecidos envolvidos (Pan et al., 2025).
Juntamente com outros exames, quando o médico suspeita de uma condição aguda ou crônica que esteja provocando destruição celular ou tecidual, para identificar a fonte do dano e monitorar o problema.
Ao solicitar o exame de LDH, busca-se investigar a presença de danos celulares ou alterações metabólicas significativas no organismo, sendo a enzima um marcador biológico fundamental para o diagnóstico, prognóstico e monitoramento de diversas condições médicas (Zhou et al., 2022).
A solicitação e análise de Lactato Desidrogenase (LDH) buscam encontrar indicadores cruciais sobre o estado metabólico, a agressividade e o prognóstico de doenças, especialmente o câncer. Os principais pontos a serem avaliados são (Pan et al., 2025):
A alta expressão de LDH está frequentemente associada a um prognóstico ruim em diversos tipos de tumores. Níveis elevados indicam uma rápida proliferação celular e uma maior carga tumoral. A LDH é essencial para sustentar a glicólise aeróbica (Efeito Warburg), fornecendo energia rápida e biomoléculas necessárias para o crescimento acelerado das células cancerígenas.
A LDH sérica serve como um marcador preditivo para determinar como o paciente responderá a certos tratamentos:
A análise da LDH ajuda a identificar o potencial metastático do tumor. A superexpressão de LDH-A facilita a sobrevivência das células tumorais em condições de hipóxia (falta de oxigênio) e promove a degradação da matriz extracelular e a angiogênese (formação de novos vasos), processos essenciais para a migração e invasão celular
A LDH é buscada também como um indicador de imunossupressão. O lactato produzido pela LDH acidifica o microambiente tumoral, o que suprime a atividade de células imunes antitumorais (como células T citotóxicas e células NK) e favorece células imunossupressoras (como Tregs e macrófagos M2). Portanto, níveis altos de LDH sugerem um ambiente tumoral que favorece a evasão imunológica.
Embora o foco do texto seja o câncer, ele detalha que diferentes isoformas da LDH indicam a origem tecidual da enzima, o que pode sinalizar onde está ocorrendo dano ou alta demanda metabólica:
6.Infecções Parasitárias
O exame é utilizado como biomarcador para a detecção de malária, uma vez que a LDH sobe rapidamente no sangue quando humanos são infectados (Zhou et al., 2022).
A interpretação do resultado do exame de LDH depende da concentração da enzima encontrada no sangue, sendo que em um adulto saudável os níveis não devem ultrapassar 200 U/L. Um intervalo de referência comumente utilizado varia de 140 a 280 U/L para indivíduos sem alterações clínicas (Farhana & Lappin, 2023). O significado dos resultados varia conforme os níveis encontrados:
Um resultado elevado serve como um alerta para a possível presença de doenças, danos celulares ou alterações metabólicas:
Investigação de Anemias
O exame é solicitado para diferenciar tipos de anemia e detectar hemólise:
Câncer e Tumores:
A elevação é comum em pacientes com câncer devido ao aumento da glicólise nas células tumorais (efeito Warburg), que converte o piruvato em lactato através da LDH,. Níveis muito altos (acima de 1000 U/L) sugerem fortemente a possibilidade de doenças relacionadas ou tumores. Além disso, a LDH elevada está associada a um pior prognóstico e menor taxa de sobrevivência (Wang et al., 2022).
COVID-19: Níveis aumentados de LDH estão associados a um maior risco de desenvolver a forma grave da doença e indicam um prognóstico de sobrevivência ruim (Wang et al., 2022).
Malária: A LDH sobe rapidamente no sangue quando há infecção por malária, servindo como um biomarcador para a fase ativa da doença (Wang et al., 2022).
Derrame Pleural: O nível de LDH ajuda a distinguir se um derrame pleural é benigno ou maligno (Wang et al., 2022).
Atividade Física Extenuante: O exercício extenuante aumenta a atividade da LDH (devido à produção de ácido lático nos músculos), o que pode ser confundido com lesão tecidual patológica se o histórico do paciente não for consultado (Farhana & Lappin, 2023).
Resultados baixos ou a redução dos níveis ao longo do tempo têm um significado clínico positivo:
Sucesso Terapêutico: Após a remoção completa de um tumor, espera-se que os níveis de LDH caiam significativamente dentro de uma a duas semanas (Wang et al., 2022).
Bom Prognóstico: Níveis baixos de LDH estão associados a uma boa recuperação e indicam que a ressecção do tumor foi completa (Wang et al., 2022).
Resposta a Medicamentos: O monitoramento dos níveis ajuda a guiar o tratamento medicamentoso; por exemplo, em pacientes com melanoma recebendo terapia anti-PD-1, a LDH serve como preditor de resultados (Wang et al., 2022).
Uma observação importante é que o paciente deve sempre consultar o valor de referência impresso no laudo do laboratório onde realizou o exame, para evitar interpretações equivocadas baseadas em valores genéricos.
O que pode interferir no exame?
Câncer Torácico: A isoenzima LDH-A (veja tabela 1) é considerada um marcador da capacidade celular de adquirir independência do oxigênio (hipóxia). Cerca de 90% dos pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas (NSCLC) expressam LDH-A, enquanto o tecido pulmonar não tumoral não expressa. A alta expressão correlaciona-se com metástases, envolvimento de linfonodos e pior sobrevida. No mesotelioma pleural maligno, a alta expressão de LDH-A está ligada a maior agressividade e quimiorresistência (Comandatore et al., 2022).
Tabela 1- Isoenzimas e o local tecidual onde são encontradas e sua afinidade de reação:

Fonte: (Comandatore et al., 2022)
Câncer Pancreático (PDAC): A LDH-A é superexpressa durante a carcinogênese pancreática e apresenta níveis significativamente mais altos em tumores mais agressivos. A superexpressão de LDH-A no tecido está correlacionada com tumores maiores e menor sobrevida global (Comandatore et al., 2022).
Comandatore, A., Franczak, M., Smolenski, R. T., & Giovannetti, E. (2022). Lactate Dehydrogenase and its clinical significance in pancreatic and thoracic cancers. Seminars in cancer biology, 86(PT2), 93-100. doi.org/10.1016/j.semcancer.2022.09.001.
Farhana, A., & Lappin, S. L. (2023). Biochemistry, Lactate Dehydrogenase – StatPearls – NCBI Bookshelf. NCBI. Retrieved February 2, 2026, from https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK557536/
Pan, W., Tao, C., Wu, Y., & Jiang, F. (2025). A Medicinal Chemistry Perspective on Lactate Dehydrogenase: Current Status and Future Directions. Journal of medicinal chemistry, 68(16), 16869–16900. doi.org/10.1021/acs.jmedchem.5c00182.
Silva, R. S., Dominguet, C. P., Tinoco, M., Veloso, J. C., Pereira, M. L., Baldoni, A. O., & Rios, D. R.A. (2021). Interferência dos medicamentos nos exames laboratoriais. J Bras Patol Med Lab, 57. 10.5935/1676-2444.2021001.
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