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20 de Setembro de 2017.

O que é?

A síndrome metabólica é um conjunto de fatores de risco que inclui obesidade abdominal, diminuição da capacidade de processar a glicose (resistência à insulina e aumento da glicemia), dislipidemia e hipertensão arterial. Pessoas com essas alterações têm um risco maior de apresentar doença cardiovascular e diabetes do tipo 2.

Desde sua descrição inicial, em 1988, foram usadas diversas denominações, como síndrome X, síndrome de Reaven, síndrome de obesidade, síndrome de resistência à insulina, síndrome plurimetabólica e síndrome dismetabólica. Em 1998, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou o uso exclusivo da expressão "síndrome metabólica", definindo critérios específicos de diagnóstico (veja abaixo).

A síndrome metabólica é bastante comum e afeta principalmente pessoas com obesidade abdominal e estilo de vida sedentário. Alguns especialistas questionam o valor do diagnóstico, considerando que o conjunto de alterações não é melhor que cada fator de risco isolado para a avaliação do risco de doença cardiovascular.

A OMS foi a primeira a publicar uma definição de critérios para diagnóstico da síndrome metabólica, em 1998. Nos EUA, são usadas as orientações do ATP III (terceiro relatório do painel de especialistas do National Cholesterol Education Program sobre detecção, avaliação e tratamento de hipercolesterolemia em adultos) e da AHA (American Hearts Association, Associação Americana de Cardiologia), em conjunto com o NHLBI (National Heart, Lung and Blood Institute, Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue). A tabela abaixo resume esses diferentes critérios.

Critérios para diagnóstico clínico da síndrome metabólica

Medidas OMS1 ATP III2 AHA/NHLBI3
Cintura   ≥102 cm em homens
≥88 cm em mulheres
≥102 cm em homens
≥88 cm em mulheres
IMC IMC >30 kg/m2    
Triglicerídeos ≥150 mg/dL ≥150 mg/dL ≥150 mg/dL
Colesterol HDL <35 mg/dL em homens
<39 mg/dL em mulheres
<40 mg/dL em homens
<50 mg/dL em mulheres
<40 mg/dL em homens
<50 mg/dL em mulheres
Pressão arterial ≥140/90 mm Hg ≥130/85 mm Hg ≥130/85 mm Hg
Glicemia IGT, IFG, ou T2D em jejum >110 mg/dL (IFG) em jejum ≥100 mg/dL (IFG)
Resistência à insulina SIM NÃO NÃO
Microalbuminúria SIM NÃO NÃO
Referências:

1. Alberti KG, Zimmet PZ. Diabet Med 1998;15:539–553.

2. National Cholesterol Education Program (NCEP) Adult Treatment Panel III final report. Circulation 2002;106:3143–3421.

3. Grundy, SM, et al. Circulation 2005;112:2735–2752.

Notas: A OMS exige resistência à insulina e dois fatores de risco adicionais para o diagnóstico; o ATP III exige três de cinco fatores para o diagnóstico. A AHA/NHLBI recomenda que triglicerídeos, colesterol HDL e pressão arterial sejam considerados normais quando são prescritos medicamentos.

Abreviações: IMC = índice de massa corporal; IGT = tolerância à glicose alterada; IFG = glicemia em jejum alterada; T2D = diabetes do tipo 2.

Adaptado de: Pizzi, R.,  Agreeing to Disagree: ADA, AHA Publish Opposing Views on Metabolic Syndrome, Clincal Laboratory News, January 2006 Volume 32, No. 1

Na síndrome metabólica também existe tendência à trombose (coagulação do sangue) e à inflamação, mas não são incluídas nos critérios. Mesmo quando assintomáticas, essas alterações podem indicar um risco maior de doença cardiovascular. O fumo também é um fator de risco adicional.

Os fatores associados na síndrome metabólica são interrelacionados. A obesidade e a falta de exercícios facilitam a resistência à insulina. Esta tem um efeito negativo sobre o metabolismo lipídico, aumentando os níveis de triglicerídeos, colesterol VLDL e colesterol LDL, e diminuindo os níveis de colesterol HDL. Isso pode facilitar a formação de placas causadoras de doença cardiovascular nas artérias. A resistência à insulina tende a elevar os níveis sanguíneos de glicose e de insulina, aumentando a retenção de água nos rins e facilitando aumentos da pressão arterial. [Leia uma explicação adicional aqui].

Exames

A obesidade abdominal e a vida sedentária sugerem síndrome metabólica, mas é importante fazer exames laboratoriais e não laboratoriais para confirmação do diagnóstico. São recomendados:

Exames laboratoriais

  • Glicose. Em geral, é medida a glicose em jejum, mas, em alguns casos, o médico pede a glicose pós-prandial (após uma refeição padronizada), ou a curva glicêmica (diversas medidas após a ingestão de uma quantidade padronizada de glicose). O objetivo desses exames é determinar a utilização da glicose pelo paciente. Resultados aumentados indicam intolerância à glicose.
  • Lipidograma. Mede os triglicerídeos, o colesterol HDL, o colesterol LDL e o colesterol VLDL. Se os triglicerídeos estiverem aumentados, pode ser necessária uma medida direta do colesterol LDL

Para obter informações adicionais, o médico pode pedir outros exames, apesar de não serem recomendados para diagnóstico da síndrome metabólica:

  • Peptídio C. É um indicador da produção de insulina pelo organismo.
  • Microalbuminúria. Indicador precoce de doença renal, usado para monitoração de diabéticos e recomendado pela Organização Mundial de Saúde como critério de síndrome metabólica.
  • PCR ultrassensível. Uma medida de baixos níveis de inflamação, usada como parte da avaliação de risco cardíaco.
  • Colesterol sdLDL. Medida de uma subfração do colesterol LDL, de utilidade clínica ainda não estabelecida.
  • Insulina. A insulina em jejum varia muito para ser útil no diagnóstico da síndrome metabólica, mas em geral está elevada nas pessoas afetadas.

Outros exames de valor ainda não estabelecido incluem o inibidor 1 do ativador do plasminogênio e a proinsulina.

Exames não laboratoriais

  • Pressão arterial. Para verificar se há hipertensão arterial
  • Medida do peso e da circunferência abdominal. Para documentar a obesidade abdominal
  • IMC (índice de massa corporal). Medida da obesidade recomendada pela Organização Mundial de Saúde. Calcula-se dividindo o peso (em quilogramas) pelo quadrado da altura (em metros). Um adulto com IMC acima de 30 é considerado obeso.

Tratamento

O tratamento básico da síndrome metabólica envolve perda do excesso de peso e exercícios regulares, que resultam em:

Podem ser necessários medicamentos para corrigir a hipertensão arterial e os níveis altos de colesterol. Alguns médicos prescrevem aspirina, para reduzir o risco de trombose, e medicamentos que aumentam a sensibilidade à insulina, mas essa conduta não tem aceitação universal.

Os pacientes com síndrome metabólica devem procurar seu médico e outros profissionais e saúde, como nutricionistas, para desenvolver um plano de tratamento individual.

Síndrome metabólica: detalhes adicionais

A insulina é um hormônio que estimula a captação de glicose pelas células do corpo, onde é usada para produzir energia. Nas células do fígado e nos músculos, o excesso de glicose é guardado sob a forma de glicogênio, um tipo de reserva que pode ser mobilizada com rapidez. No tecido gorduroso, o excesso de glicose é usado para síntese de ácidos graxos, que formam triglicerídeos.

Em pacientes com resistência à insulina, o pâncreas secreta um excesso de insulina para estimular a entrada de glicose nas células. Assim, os níveis de glicose e de insulina se elevam. Níveis altos de glicose provocar lesões vasculares e de órgãos. Níveis elevados de insulina podem causar retenção de sódio nos rins, aumentando a pressão arterial.

O fígado usa triglicerídeos, colesterol e proteínas para produzir lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL). No sangue, uma enzima remove os triglicerídeos da VDLD, produzindo lipoproteínas de densidade intermediária (IDL) e lipoproteínas de densidade baixa (LDL). As LDL, em excesso, podem se oxidar e se depositar nas paredes vasculares, causando endurecimento das artérias e doença cardiovascular. Por outro lado, são uma parte essencial do metabolismo de lipídios e necessárias para a integridade da parede vascular e para a produção de hormônios esteroides.

As moléculas de LDL são produzidas em diversos tamanhos. Acredita-se que LDL pequenas e densas (sdLDL) sejam mais sujeitas a depositar colesterol nas paredes arteriais. Em pessoas obesas ou resistentes à insulina, um excesso de VLDL e de triglicerídeos aumenta a quantidade produzida de sdLDL.

Lipoproteínas de alta densidade (HDL) transportam o excesso de colesterol dos tecidos para o fígado, onde ele é reciclado ou excretado na bile. Havendo quantidade suficiente de HDL, o acúmulo de placas gordurosas nas artérias pode ser revertido. Portanto, existe uma oposição entre os níveis de VLDL, prejudiciais, e os de HDL, benéficos para os vasos.

Páginas relacionadas

Neste site:
Exames: PCR ultrassensível, lipidograma, colesterol, colesterol HDL, colesterol LDL, triglicerídeos, avaliação de risco cardíaco, insulina, glicose e curva glicêmica, colesterol LDL direto

Em outros sites da Internet
American Academy of Family Physician, Familydoctor.org: Metabolic Syndrome
CDC: Nutrition and Physical Activity
CDC: Overweight and Obesity
The President's Council on Physical Fitness and Sports
The Practical Guide: Identification, Evaluation, and Treatment of Overweight and Obesity in Adults
FDA: Better Health Information for Better Nutrition
NIDDK: Nutrition
Boston Obesity/Nutrition Research Center
Clinical Nutrition Research Center at Harvard
Steps to a Healthier US Initiative
National Cholesterol Education Program: ATP III Guidelines At-A-Glance

Fontes do artigo

NOTA: Este artigo se baseia em pesquisas que incluíram as fontes citadas e a experiência coletiva de Lab Tests Online Conselho de Revisão Editorial. Este artigo é submetido a revisões periódicas do Conselho Editorial, e pode ser atualizado como resultado dessas revisões. Novas fontes citadas serão adicionadas à lista e distinguidas das fontes originais usadas.

Fontes usadas na revisão atual

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Blaha, M. and Elasy, T. (2006). Clinical Use of the Metabolic Syndrome:Why the Confusion? Clincal Diabetes v 24 (3). Available online at http://clinical.diabetesjournals.org/. Accessed on 3/9/08.

(January 2006) Pizzi, R. Agreeing to Disagree ADA, AHA Publish Opposing Views on Metabolic Syndrome. Clincal Laboratory News Volume 32, No. 1.

American Diabetes Association. Diabetes Research Summary, Is the Metabolic Syndrome Really a Syndrome? Available online at http://www.diabetes.org. Accessed June 2008.

(22 May 2008) Sattar N, et al. Can metabolic syndrome usefully predict cardiovascular disease and diabetes? Outcome data from two prospective studies. The Lancet 2008; 371:1927-1935. Available online at http://www.thelancet.com. Accessed June 2008.

Fontes usadas em revisões anteriores

Thomas, Clayton L., Editor (1997). Taber’s Cyclopedic Medical Dictionary. F.A. Davis Company, Philadelphia, PA [18th Edition].

Pagana, Kathleen D. & Pagana, Timothy J. (2001). Mosby’s Diagnostic and Laboratory Test Reference 5th Edition: Mosby, Inc., Saint Louis, MO.

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Hoefner, D. (2003 October). The ruthless malady: metabolic syndrome. MLO. Available online at http://www.mlo-online.com.