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28 de Fevereiro de 2018.
Resumo

A tireoide é uma pequena glândula com forma de borboleta situada logo abaixo do pomo de Adão. Tem um papel muito importante no controle do metabolismo do corpo, produzindo hormônios que regulam o uso de energia pelas células do corpo: tiroxina (T4) e tri-iodotironina (T3). A tireoide produz também calcitonina, um hormônio que diminui a reabsorção de cálcio dos ossos e aumenta sua excreção na urina.

Um sistema de feedback controla os níveis de T3 e T4 no sangue. Quando esses níveis diminuem, o hipotálamo produz hormônio liberador da tireotrofina (TRH), que aumenta a produção de hormônio estimulante da tireoide (TSH) pela hipófise. O TSH, por sua vez, estimula a tireoide a produzir T3 e T4. Quando seus níveis se normalizam, a secreção de hormônio liberador da tireotrofina é inibida no hipotálamo.

A maior parte do T4 na tireoide é armazenada ligada a uma proteína chamada tireoglobulina. Quando há necessidade, a tireoide libera o T4 e produz mais. No sangue, a maior parte do T4 é ligada a outra proteína, chamada globulina transportadora da tiroxina (TBG), e é relativamente inativo. No fígado e em outros tecidos, o T4 é transformado em T3, que é o principal responsável pelo controle do metabolismo.

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Sobre Doenças da tireoide
  • Quais são as doenças da tireoide?
    • Hipotireoidismo - Carência de hormônios da tireoide. Os sintomas incluem ganho de peso, pele seca, constipação, intolerância ao frio, perda de cabelos, fadiga e menstruações irregulares. Hipotireoidismo grave não tratado pode resultar em coma e morte. Em crianças, pode retardar o crescimento e o desenvolvimento sexual. Em bebês, pode causar retardo mental. Por isso, em muitos países a pesquisa de hipotireoidismo faz parte da triagem de recém-nascidos, porque o diagnóstico e o tratamento precoces minimizam as consequências a longo prazo.

    • Hipertireoidismo - Excesso de hormônios da tireoide. Os sintomas incluem aumento da frequência cardíaca, ansiedade, perda de peso, dificuldade de dormir, tremores, fraqueza e diarreia. Em alguns casos, pode ocorrer protrusão dos olhos (exoftalmia).
    • A doença de Graves, causa mais comum de hipertireoidismo, é um distúrbio autoimune em que são produzidos anticorpos que provocam inflamação da tireoide com secreção excessiva de hormônios.
    • A tireoidite de Hashimoto é a causa mais comum de hipotireoidismo em países onde foi eliminada a carência de iodo. É um distúrbio autoimune em que são produzidos anticorpos que provocam inflamação e destruição da tireoide, resultando em diminuição da produção de hormônios.
    • Tireoidite - Inflamação da tireoide. Pode estar associada a hipotireoidismo ou a hipertireoidismo. Dependendo da causa, pode ser aguda e transitória ou crônica.
    • Nódulos de tireoide - Pequenos tumores, que podem ser sólidos ou cistos cheios de líquido. A maioria é inócua, mas alguns são cancerosos e precisam ser tratados.
    • Câncer de tireoide - É pouco comum. Existem quatro tipos: papilar, folicular, anaplásico e medular. Cerca de 80% são papilares, afetam mais mulheres que homens e são mais comuns em jovens. Aproximadamente 15% são foliculares. É um tipo mais agressivo e é mais frequente em mulheres idosas. O câncer anaplásico também é mais comum em idosas, representa cerca de 2% do total e tende a ser agressivo e de tratamento difícil. O câncer medular produz calcitonina e pode ser encontrado sozinho ou com outros tumores endócrinos, como parte da síndrome de neoplasia endócrina múltipla. Representa aproximadamente 3% do total e pode ser também de tratamento difícil, especialmente quando se dissemina para fora da tireoide.
    • Bócio - É um aumento visível da tireoide. No passado, era comum devido a carência de iodo na dieta. Na maioria dos países desenvolvidos, sua adição ao sal de cozinha diminuiu muito a incidência de bócio relacionado com a dieta. Em algumas áreas, entretanto, a carência de iodo ainda é comum e é a principal causa de hipotireoidismo. Qualquer das doenças relacionadas acima pode provocar a formação de bócio, que comprime estruturas do pescoço, incluindo a traqueia e o esôfago, e prejudica a respiração e a deglutição.
  • Exames

    Exames laboratoriais

    O exame mais usado para detectar disfunção da tiroide é o TSH. Se estiver anormal, em geral são pedidos exames de T4 total e livre para confirmar o diagnóstico. Também podem ser solicitados exames de T3 total e livre.

    • TSH - Para detectar hipotireoidismo ou hipertireoidismo, para triagem de hipotireoidismo em recém-nascidos e para acompanhar a reposição de hormônios da tireoide no hipotireoidismo.
    • T4 total e livre - Usados no diagnóstico do hipotireoidismo e do hipertireoidismo, e para triagem de hipotireoidismo em recém-nascidos.
    • T3 total e livre - Para diagnóstico do hipertireoidismo.

    Outros exames:

    Triagens

    A triagem de hipotireoidismo em recém-nascidos é uma rotina em muitos países, inclusive no Brasil. A triagem de adultos é controvertida, mas é recomendada por algumas instituições. A American Thyroid Association, dos EUA, recomenda a verificação do nível de TSH em todas as pessoas com mais de 35 anos de idade, e repetida a cada cinco anos. A American Association of Clinical Endocrinologists, dos EUA, indica a triagem de hipotireoidismo em todas a mulheres acima dos 50 anos de idade, ou mais cedo, se tiverem história familiar de distúrbio da tireoide ou se pretendem engravidar.

    Exames não laboratoriais

    • Cintilografia da tireoide - Usa iodo radioativo ou tecnécio radioativo para avaliar anormalidades da tireoide e a função da tireoide em diversas áreas.
    • Ultrassonografia - Permite medir o tamanho da tireoide e distinguir nódulos sólidos e cistos.
    • Biópsia - Em geral, usa-se uma agulha fina para retirar uma pequena quantidade de tecido ou de líquido da área a ser examinada. É feita sob orientação de ultrassonografia.
  • Tratamento

    O tratamento de doenças da tireoide depende da causa, da gravidade dos sintomas e dos níveis de hormônios medidos nos exames laboratoriais.

    O tratamento dos distúrbios que causam hipertireoidismo pode envolver iodo radioativo, para destruir parte da glândula, medicamentos anti-tireoidianos ou cirurgia para remover toda a tireoide ou parte dela. Esses tratamentos podem ser usados isolados ou em combinação. Se a tireoide for destruída ou removida, instala-se um hipotireoidismo, que deve ser tratado.

    Todos os tipos de hipotireoidismo são tratados com reposição hormonal, usando T3 ou T4 sintéticos ou de porcos.

    O tratamento do câncer de tireoide depende do tipo de câncer e de seu grau de disseminação. Em geral, envolve a remoção cirúrgica de toda a tireoide ou de parte dela, e pode incluir o uso de iodo radioativo e a reposição hormonal. O câncer papilar costuma responder bem ao tratamento, e a maioria dos casos é curada. Outros tipos podem ser de tratamento difícil. Em alguns casos, são usadas radioterapia ou quimioterapia antes ou depois da cirurgia.

Fontes do artigo

NOTA: Este artigo se baseia em pesquisas que incluíram as fontes citadas e a experiência coletiva de Lab Tests Online Conselho de Revisão Editorial. Este artigo é submetido a revisões periódicas do Conselho Editorial, e pode ser atualizado como resultado dessas revisões. Novas fontes citadas serão adicionadas à lista e distinguidas das fontes originais usadas.

Fontes usadas na revisão atual

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