Também conhecido como
Vírus varicela zoster
VZV
Herpes Zoster
Nome formal
Cultura para vírus varicela zoster; PCR para vírus varicela zoster; DFA para vírus varicela zoster; Anticorpos para vírus varicela zoster, IgG e IgM
Este artigo foi revisto pela última vez em
Este artigo foi modificado pela última vez em 28 de Setembro de 2017.
De relance
Por que fazer este exame?

Quando seu médico suspeitar de varicela (catapora) ou de herpes zoster presente ou recente e houver necessidade de diagnóstico definitivo; para confirmar imunidade ao vírus varicela zoster (VZV) ou a possibilidade de reativação de infecção prévia por VZV durante tratamento com medicamentos imunossupressores.

Quando fazer este exame?

Para verificar o estado imune e/ou identificar infecção ativa; algumas vezes quando o indivíduo apresenta sintomas atípicos e/ou graves e o médico deseja fazer distinção entre infecção por VZV e outras causas; antes de transplante de órgão ou quando uma criança, uma gestante ou um indivíduo imunocomprometido tenham sido expostos a paciente com varicela.

Amostra:

Amostra de sangue colhida em veia do braço para teste de anticorpo para VZV; amostra de líquido de uma bolha (vesícula), sangue ou, líquido cefalorraquidiano, ou outros líquidos ou tecidos  corporais para detecção do próprio vírus.

É necessária alguma preparação?

Nenhum

O que está sendo pesquisado?

Os testes para varicela e herpes zoster são realizados para detectar e diagnosticar infecção atual ou passada pelo virus que causa essas condições, o vírus varicela zoster (VZV). Na maioria dos casos não há necessidade de realizar os testes porque o diagnóstico de infecção ativa pode ser feito com base nos sinais e sintomas clínicos, mas em pacientes com lesões cutâneas atípicas, o teste diagnóstico ajuda a confirmar a infecção. Em receptores de transplante de órgão ou em gestantes, os testes podem ser úteis para diagnosticar uma infecção atual ou para determinar o estado de imunidade.

O varicela zoster é membro da família do herpes vírus. É muito comum e a infecção primária é altamente contagiosa, passando de indivíduo a indivíduo por meio de secreções respiratórias. O VZV causa varicela (catapora) em crianças e adultos que não tenham sido previamente expostos. Geralmente, cerca de duas semanas após a exposição ao vírus, surge exantema pruriginoso, seguida pela formação de pápulas semelhantes a espinhas, que se tornam pequenas bolhas (vesículas) repletas de líquido. As vesículas se rompem, formam uma crosta e depois desaparecem. Esse processo ocorre em duas ou três ondas com centenas de vesículas ao longo de poucos dias.

Uma vez resolvida a infecção inicial, o vírus se torna latente, persistindo nas células nervosas sensitivas. O indivíduo produz anticorpos durante a infecção, os quais evitam que a doença se desenvolva novamente em exposições subsequentes. Entretanto, nos indivíduos com sistema imunológico comprometido, o VZV pode se reativar, através da migração pela célula nervosa até a pele e induzindo o aparecimento da doença denominada herpes zoster. Dentre os sintomas desta, destaca-se a sensação de queimação de grau leve a intensa, caracteristicamente em faixa. Geralmente, está localizada em um dos lados do corpo, mas pode ocorrer em muitos locais. Vários dias após a instalação da dor, surgem prurido ou formigamento e erupção com ou sem vesículas, no mesmo lugar. Na maioria dos casos, a erupção e a dor persistem por algumas semanas até o vírus voltar à sua forma latente. Alguns poucos terão dor persistente por vários meses.

A maioria dos casos se resolve sem complicações. Nos indivíduos com comprometimento do sistema imunológico, como, por exemplo, naqueles com HIV/AIDS, ou nos pacientes com órgão transplantado, a doença pode ser mais grave e duradoura. Em alguns casos, o vírus pode se disseminar ao sistema nervoso central.

Em gestantes, os efeitos no feto ou no recém-nascido exposto ao VZV dependem do momento da exposição ou ao fato da mãe ter sido ou não previamente exposta. Nas primeiras 20 a 30 semanas de gravidez, a infecção primária por VZV raramente causa malformações congênitas no feto. Se a infecção ocorrer uma a três semanas antes do parto, o bebê pode nascer com catapora, ou desenvolver a doença após o nascimento, embora possa receber proteção parcial pelos anticorpos maternos. Se o recém-nascido for exposto ao VZV no nascimento e não tiver proteção dos anticorpos maternos, pode desenvolver uma infecção grave e fatal.

Antes da introdução e uso extensivo da vacina contra varicela zoster, em 1995, praticamente todos os indivíduos nos EUA chegavam a vida adulta tendo sido infectados pelo VZV. Embora o vírus ainda esteja presente em forma latente na maioria dos adultos, de acordo com o Centers for Disease Control and Prevention dos Estados Unidos (CDC), a incidência de novos casos de varicela em crianças foi reduzida em cerca de 90%.

Como a amostra é obtida para o exame?

A amostra necessária depende de ser requisitado teste para determinar a presença de anticorpos ou para detectar o próprio vírus, e do estado de saúde do paciente. Para o teste de anticorpos é necessária amostra de sangue.  A detecção do vírus também pode ser realizada em diferentes tipos de amostras, incluindo o líquido da vesícula, sangue, líquido cefalorraqueano, outros líquidos orgânicos ou tecidos.

NOTA: Se exames médicos em você ou em alguém importante para você o deixam ansioso ou constrangido, ou se você tem dificuldade de lidar com eles, leia um ou mais dos seguintes artigos: Lidando com dor, desconforto ou ansiedade durante o exame, Conselhos sobre exames de sangue, Conselhos para ajudar crianças durante exames médicos, e Conselhos para ajudar idosos durante exames médicos.

Outro artigo, Siga essa amostra, fornece uma visão da coleta e do processamento de uma amostra de sangue e de uma amostra de cultura da garganta.

É necessário algum preparo para garantir a qualidade da amostra?

Não há necessidade de preparo prévio para esses exams.

.

Accordion Title
Perguntas frequentes
  • Como o exame é usado?

    Os casos atuais de catapora e herpes zoster, provocados pelo vírus varicela zoster (VZV) geralmente são diagnosticados com base nos sintomas e apresentação clínica do paciente. A maioria dos adultos terá sido infectada com o VZV, e as crianças atualmente são vacinadas. Portanto, não são realizados testes de triagem na população geral. Contudo, os testes para VZV ou para os anticorpos produzidos em resposta à infecção por VZV podem ser solicitados em alguns casos. Por exemplo, em gestantes, recém-nascidos, pacientes antes de transplante e naqueles com HIV/AIDS. Dentre os objetivos para a realização desses testes estão:

    • Determinar se o paciente foi previamente exposto ao VZV, por infecção passada ou por vacinação, e se desenvolveu imunidade contra a doença
    • Diferenciar entre infecção ativa e prévia
    • Determinar se alguém com sintomas graves ou atípicos apresenta infecção ativa por VZV ou outra doença com sintomas semelhantes

    Há vários métodos para investigação de VZV:

    Testes de anticorpos
    Quando alguém é exposto ao VZV, seu sistema imunológico reage produzindo anticorpos contra o vírus. Dois tipos de anticorpos contra VZV podem ser encontrados no sangue: IgM e IgG. Os anticorpos IgM são os primeiros a serem produzidos pelo organismo em resposta à infecção por VZV. Estão presentes na maioria dos indivíduos no prazo de uma a duas semanas após a exposição inicial. A produção de IgM aumenta por curto período para, então, diminuir. Finalmente, o nível (título) de IgM anti-VZV normalmente cai abaixo dos níveis detectáveis. A IgM pode voltar a ser produzida quando o VZV latente é reativado. Os anticorpos IgG são produzidos pelo organismo várias semanas após a infecção inicial pelo vírus e proporciona proteção em longo prazo. Os níveis de IgG aumentam durante a infecção ativa e estabilizam-se quando a infecção é resolvida e o vírus se torna inativo. Uma vez que o indivíduo tenha sido exposto ao VZV, ele manterá uma quantidade mensurável de IgG anti-VZV no seu sangue pelo resto da vida. O teste de IgG anti-VZV pode ser usado junto com o teste de IgM para ajudar a confirmar a presença de infecção recente ou antiga por esse vírus.

    Detecção do vírus
    O VZV pode ser isolado em amostras de sangue, líquido ou tecido. O isolamento pode ser feito por meio de cultivo do vírus ou por detecção de seu material genético (VZV DNA).

    • Cultura para VZV— Uma amostra de líquido é coletada de uma vesícula (o tipo mais comum de amostra). O material é incubado em cultura de células vivas e nutrientes para que haja crescimento e isolamento do vírus. O teste é sensível e específico, mas demora dois ou mais dias para ser finalizado. As lesões recentes são as melhores para esse teste. A presença de vírus pode se reduzir com o tempo, levando a resultado falso-negativo.
    • Teste de DNA de VZV – Realizado para detectar material genético do VZV em uma amostra do paciente. Esse método é sensível. É possível identificar e quantificar o vírus.
    • Técnica direta de fluorescência para anticorpo (DFA) - Com esse teste visualiza-se a presença de VZV em células retiradas da lesão cutânea do paciente utilizando um microscópio especial e anticorpos marcados. É um teste rápido, porém menos específico e menos sensível que a cultura e o teste de DNA para VZV.

    A escolha do teste e das amostras a serem colhidas depende do paciente, de seus sintomas e dos sinais clínicos observados pelo médico.

  • Quando o exame é pedido?

    Os testes de anticorpos anti-VZV podem ser solicitados para verificar o estado imunológico e/ou para identificar infecção recente. A cultura ou a pesquisa de DNA de VZV pode ser solicitada quando um recém-nascido ou um indivíduo imunocomprometido tenha sido exposto ao VZV e esteja doente com sintomas atípicos e/ou graves – a fim de detectar uma infecção primária por VZV no bebê ou uma infecção primária ou reativada no indivíduo imunocomprometido.

  • O que significa o resultado do exame?

    Deve-se ter cautela ao interpretar os resultados dos testes para VZV. O médico deve avaliar os resultados considerando o quadro clínico. Pode ser difícil distinguir entre infecção ativa e latente por VZV. Essa dificuldade é consequência de vários fatores, inclusive:

    • Um indivíduo saudável que tenha sido infectado por VZV continuará portador do vírus após os sintomas terem desaparecido. O VZV pode ser reativado intermitentemente, frequentemente sem que haja sinais evidentes, liberando pequenas quantidades do vírus nos líquidos corporais sem causar sintomas.
    • Lactentes ou indivíduos imunocomprometidos podem não apresentar uma reação imune intensa à infecção por VZV – seus títulos de IgM e de IgG  podem ser menores que os esperados, mesmo estando eles com infecção ativa por VZV.
    • O vírus pode não estar presente em número suficiente naquele líquido ou tecido utilizado como amostra para o teste de detecção.

    Detecção de anticorpos
    Se ambos, IgG e IgM anti-VZV, estiverem presentes em indivíduo xom sintomas (sintomático), é provavel que ele exposto recentemente ao VZV pela primeira vez e apresenta aricela, ou que o vírus tenha sido reativado e ele esteja com herpes zoster.

    Se apenas IgM estiver presente, a infecção foi muito recente. Se um recém-nascido apresentar anticorpos IgM, ele será portador de infecção congênita por VZV. Se o indivíduo for sintomático, mas apresentar níveis baixos ou indetectáveis de IgG e/ou de IgM, é possível que seja portador de outra doença ou que seu sistema imune não esteja respondendo normalmente – não está produzindo níveis detectáveis de anticorpo contra VZV.

    Detecção do vírus
    Se alguém apresentar sintomas e a cultura for positiva para vírus varicela zoster, é provável que o indivíduo esteja com uma infecção ativa por VZV. Se a cultura for negativa, os sintomas do paciente podem ter outra causa, ou o VZV não está detectável na amostra testada.

    Se o teste para detecção de DNA de VZV for positivo, confirma-se a presença do vírus. Níveis altos de DNA viral tendem a indicar infecção ativa. Níveis baixos indicam infecção por VZV, mas não implicam condição sintomática. Resultados negativos não afastam infecção por VZV – o vírus pode estar presente em número muito pequeno ou ausente na amostra testada.

  • Há mais alguma coisa que eu devo saber?

    Atualmente há uma vacina para adultos idosos com o objetivo de reduzir o risco de reativação do vírus, cuja apresentação clínica é o herpes zoster, e reduzir a gravidade da doença caso a reativação de fato ocorra. Essa vacina ainda não está sendo amplamente utilizada e seu efeito final sobre a incidência de herpes zoster ainda não foi determinado.

    O VZV raramente causa encefalite, uma complicação grave.

  • O herpes zoster é contagioso?

    Sim, mas não como a catapora. As vesículas do indivíduo infectado contêm o vírus, mas as secreções respiratórias, não.

  • É possível ter herpes zoster sendo exposto a alguém com sintomas de herpes zoster?

    Não. Se você nunca teve infecção por VZV nem foi vacinado, é possível contrair catapora se for exposto ao vírus.

  • A catapora deixa cicatrizes?

    Na maioria dos casos, não. Algumas vezes, as feridas pruriginosas são infectadas por bactéria durante o ato de coçar. Isso aumenta a probabilidade de haver cicatriz.

  • A catapora e o herpes zoster ocorrem em todos os lugares do mundo?

    Sim, as infecções por VZV são encontradas em todo o mundo.

Fontes do artigo

NOTA: Este artigo se baseia em pesquisas que incluíram as fontes citadas e a experiência coletiva de Lab Tests Online Conselho de Revisão Editorial. Este artigo é submetido a revisões periódicas do Conselho Editorial, e pode ser atualizado como resultado dessas revisões. Novas fontes citadas serão adicionadas à lista e distinguidas das fontes originais usadas.

 

Wu, A. (© 2006). Tietz Clinical Guide to Laboratory Tests, Fourth Edition: Saunders Elsevier, St. Louis, MO. Pp 1623.

Forbes, B. et. al. (© 2007). Bailey & Scott’s Diagnostic Microbiology, Twelfth Edition: Mosby Elsevier Press, St. Louis, MO. Pp 748-749.

(Updated 2009 February 3). Shingles: Hope Through Research. National Institute of Neurological Disorders and Stroke [Online information]. Available online at http://www.ninds.nih.gov/disorders/shingles/detail_shingles.htm through http://www.ninds.nih.gov. Accessed February 19, 2009.

(Updated 2009 January 27). Varicella (Chickenpox). CDC, Traveler’s Health – Yellow Book, Chapter 4 Prevention of Specific Infectious Diseases [Online information]. Available online at http://wwwn.cdc.gov/travel/yellowBookCh4-Chickenpox.aspx through http://wwwn.cdc.gov. Accessed February 2009.

Rauch, D. (Updated 2007 July 26). Chickenpox. MedlinePlus Medical Encyclopedia [Online information]. Available online at http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/001592.htm. Accessed February 2009.

Anderson, W. (Updated 2007 September 14). Varicella-Zoster Virus. eMedicine [Online information]. Available online at http://emedicine.medscape.com/article/231927-overview through http://emedicine.medscape.com. Accessed February 2009.

Miller, G. and Dummer, J. (2007 May 9). Herpes Simplex and Varicella Zoster Viruses: Forgotten but Not Gone. American Journal of Transplant 2007;7(4):741-747. Available online at http://www.medscape.com/viewarticle/556000 through http://www.medscape.com. Accessed February 2009.

(Updated December 2008). Varicella-Zoster Virus – VZV. Arup Consult [Online information]. Available online at http://www.arupconsult.com/Topics/InfectiousDz/Viruses/VZV.html through http://www.arupconsult.com. Accessed February 2009.

Children’s Hospital Boston. Varicella Zoster Virus, Congenital Varicella Syndrome. Available online at http://www.childrenshospital.org/az/Site474/mainpageS474P0.html#varicella through http://www.childrenshospital.org. Accessed February 2009.