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26 de Abril de 2018.

O que são?

Os marcadores ósseos são testes de sangue e de urina que detectam produtos do remodelamento ósseo e ajudam a determinar se as taxas de reabsorção e/ou de formação encontram-se excessivamente aumentada e indicam a possibilidade de distúrbio nos ossos. Os marcadores podem ser usados para determinar o risco de fratura e/ou para monitorar a resposta a tratamento com uso de medicamentos em pacientes com diagnóstico de doenças como osteoporose.

O osso é um tecido vivo em crescimento, com taxa de renovação em torno de 10% ao ano. É formado em grande parte por colágeno de tipo 1, uma rede proteica que confere ao osso sua força tênsil e estrutura, e fosfato de cálcio, um complexo mineral que confere rigidez à estrutura do esqueleto. Essa combinação de colágeno e cálcio confere ao osso sua rigidez com flexibilidade suficiente para suportar peso e resistir a estiramento. Mais de 99% do cálcio que existe no corpo está contido nos ossos e nos dentes. O 1% restante é encontrado no sangue.

Por toda a vida, o tecido ósseo envelhecido é removido (reabsorção) e substituído por tecido novo (formação) para manter saudável a estrutura óssea. Durante a reabsorção, células denominadas osteoclastos dissolvem pequenas quantidades de osso, enquanto enzimas dissolvem a rede proteica. A formação óssea é então iniciada por células denominadas osteoblastos. Elas secretam diversos compostos que ajudam a formar uma nova rede proteica que é, então, mineralizada com cálcio e fosfato para produzir novo tecido ósseo. Esse remodelamento permanente ocorre em escala microscópica em todo o corpo e mantém os ossos vivos e vigorosos.

Na fase inicial da infância e na adolescência, a adição de osso novo é mais rápida que a remoção do antigo. Como consequência, os ossos aumentam de tamanho, peso e densidade. A formação ocorre mais rápido que a reabsorção até que se atinja o pico de massa óssea (densidade e resistência máximas), entre 25 e 30 anos de idade. Após esse período, a reabsorção óssea passa a ser mais rápida que a formação, o que levando à perda óssea. Esta é mais acelerada nas mulheres nos primeiros anos após a menopausa, mas prossegue pelos anos pós-menopáusicos. Nos homens, não há perda óssea considerável até meados da oitava década de vida.

Como são usados?

O médico pode solicitar um ou mais marcadores ósseos para determinar se está havendo aumento nas taxas de reabsorção e/ou formação. Esses marcadores são usados como complemento aos testes que avaliam a densidade óssea, por meio dos quais os médicos avaliam se os ossos estão mais delgados ou se há alguma doença neles. Os marcadores são usados, a princípio, para avaliar a resposta ao tratamento com medicamentos que procuram reduzir a reabsorção em casos de doença óssea, e também para ajudar a informar se a dose do remédio está adequada. Esses testes permitem informar, em um período de três a seis meses, se o paciente responde ao tratamento para evitar a reabsorção ou para estimular a formação óssea. A mesma avaliação feita com exames radiográficos para densidade óssea pode levar de um a dois anos. Assim, o tratamento pode ser alterado caso a resposta não seja adequada.

Como os pacientes com câncer de mama e de próstata apresentam alta incidência de metástase, há dados que evidenciam que os marcadores ósseos ajudam os médicos a predizer que pacientes com essas doenças têm maior risco de complicações causadas por metástase nos ossos e, portanto, são indicados para uso de medicamentos poupadores ósseos, como os bifosfonatos. Esses marcadores também podem predizer a resposta de um paciente ao tratamento em caso de doença que seja acompanhada por perda óssea.

Marcadores ósseos

Segue abaixo uma lista com alguns marcadores de reabsorção e de formação óssea conhecidos e determinados em amostras de sangue ou de urina. Existem pesquisas em andamento que procuram descobrir novos biomarcadores capazes de predizer perda óssea anormal em vários estados de doença. Mas para muitos desses marcadores, é necessário cautela ao interpretar os resultados porque estes podem variar entre uma pessoa e outra em função da alimentação, atividade física e horário da coleta.

Dentre os testes de reabsorção óssea realizados em urina ou sangue estão:

  • C-telopeptídeo (telopeptídeo C-terminal do colágeno tipo 1 (CTx)) – Fragmento de peptídeo derivado da porção do carboxi terminal da matriz proteica. Ajuda no monitoramento das terapias de antirreabsorção, como as realizadas com bisfosfonatos e terapia de reposição hormonal, em pós-menopáusicas e em indivíduos com redução da massa óssea (osteopenia).
  • N-telopeptídeo (telopeptídeo N-terminal do colágeno tipo 1 (NTx)) – Fragmento de peptídeo do aminoterminal da matriz proteica. Recomenda-se que esse teste seja realizado na linha de base antes de se iniciar a terapia para osteoporose e de três a seis meses depois.
  • Deoxipiridinolina (DPD) – Produto da quebra do colágeno com estrutura em anel.
  • Ligações cruzadas de piridínio – Grupo de produtos da quebra do colágeno que inclui DPD. É usado para monitorar a resposta terapêutica. Não é tão específico para colágeno ósseo quanto os telopeptídeo.
  • Fosfatase ácida resistente ao tartarato (TRAP) 5b – 5b é a isoforma de TRAP produzida por osteoclastos durante o processo de reabsorção óssea.

Dentre os testes sanguíneos para avaliar a formação óssea estão:

  • Fosfatase alcalina (ALP) ósseo-específica (uma das isoenzimas da ALP) - Está associada à função dos osteoblastos. Acredita-se que seja importante no processo de mineralização óssea. Recomenda-se que o teste seja realizado na linha da base antes de se iniciar o tratamento para osteoporose e novamente após três a seismeses. Os resultados podem ser afetados pelos níveis da ALP hepática.
  • Osteocalcina (proteína gla óssea) – Proteína sintetizada por osteoblastos. Parte da porção não-colágeno na nova estrutura óssea. Uma parte dela entra na corrente sanguínea. A osteocalcina ajuda a predizer a taxa de perda óssea em pós-menopáusicas e pode servir como indicadora da taxa de remodelamento ósseo. Tem alguma utilidade na escolha do tratamento mais efetivo para osteoporose, mas não é tão sensível às mudanças quanto são os telopeptídeo. Recomenda-se que o teste seja realizado na linha da base antes de se iniciar o tratamento para osteoporose e novamente após três a seis meses. Esse teste pode sofrer interferência com o uso de varfarina.
  • P1NP (propeptídeo aminoterminal do procolágeno tipo 1) – Sintetizado por osteoblastos, reflete a taxa de formação de colágeno e óssea. Pode ser pedido junto com marcadores de reabsorção óssea como C- ou N-telopeptídeo. É o marcador mais sensível para formação óssea e é particularmente útil para monitoramento das terapias de formação e de antirreabsorção ósseas. Recomenda-se que o teste seja realizado na linha da base antes de se iniciar o tratamento para osteoporose e novamente após três a seis meses.

Níveis aumentados de marcadores ósseos na urina ou no sangue sugerem aumento nas taxas de reabsorção e/ou formação ósseas, mas não indicam a causa. Quando usados para monitorar terapias de antirreabsorção, níveis decrescentes dos marcadores de reabsorção óssea indicam boa resposta ao tratamento.

Se você estiver realizando um ou mais desses testes, talvez lhe recomendem um período de jejum antes da coleta de sangue. Siga todas as instruções que receber quanto ao horário da coleta da amostra, como colher o segundo jato da urina da manhã.

Há limites para o uso clínico de muitos desses marcadores, mas os pesquisadores continuam a estudar meios de melhorar sua utilidade clínica. Sua principal aplicação é para avaliar a efetividade das diversas terapias usadas para tratar as doenças do metabolismo ósseo e ajustar adequadamente a posologia para um efeito máximo.

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Estados clínicos/Doenças: Osteoporose

Em outros sites da Internet

NIH Osteoporosis and Related Bone Diseases Resource Center
CDC: Improving the Clinical Use of Biochemical Bone Marker in Metabolic Bone Diseases

Article Sources

NOTA: Este artigo se baseia em pesquisas que incluíram as fontes citadas e a experiência coletiva de Lab Tests Online Conselho de Revisão Editorial. Este artigo é submetido a revisões periódicas do Conselho Editorial, e pode ser atualizado como resultado dessas revisões. Novas fontes citadas serão adicionadas à lista e distinguidas das fontes originais usadas.

Fontes usadas na revisão atual

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Fontes usadas nas revisões anteriores

Interview with Laurence M. Demers, PhD. Distinguished Professor of Pathology and Medicine, The Pennsylvania State University College of Medicine, The M. S. Hershey Medical Center, Hershey, PA.

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