Este artigo foi modificado pela última vez em
20 de Setembro de 2017.

O que é?

A malária é uma doença causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitidos por fêmeas de mosquitos do genro Anopheles. As quatro principais espécies de plasmódios que infectam humanos são Plasmodium falciparum, Plasmodium vivax, Plasmodium malariae e Plasmodium ovale. Existem espécies de animais que podem infectar o homem, mas, destas, a única que tem alguma importância epidemiológica é o Plasmodium knowlesi, que infecta macacos e humanos em regiões do sudeste asiático. Raramente ocorre transmissão da mãe para o bebê durante a gravidez ou durante o parto, por transfusão de sangue ou transplante de órgãos, ou por compartilhamento de agulhas e seringas.

Quando pessoas são picadas por um mosquito infectado, o parasita passa para a circulação sanguínea e se acumula no fígado. Após um período de incubação de 7 a30 dias, milhares de parasitas são liberados na circulação e penetram nas hemácias, onde continuam a se proliferar. Depois de 48 a 72 horas, as hemácias infectadas se rompem, o que provoca muitos dos sintomas da doença. Alguns casos por Plasmodium vivax ou Plasmodium ovale permanecem assintomáticos durante meses ou anos após a infecção. Quando os parasitas adormecidos no fígado voltam à circulação, os sintomas se iniciam. Qualquer tipo de malária pode ser grave ou fatal, mas, em geral, os casos mais graves são causados pelo Plasmodium falciparum.

A maioria dos casos de malária ocorre na África subsaariana, mas ela é registrada também em regiões tropicais e subtropicais das Américas, da Ásia e da Oceania. No Brasil, a maior parte dos casos é detectado na bacia amazônica. Em todo o mundo, a Organização Mundial de Saúde calcula que ocorrem mais de 300.000 novos casos e mais de um milhão de mortes por ano.

Riscos

Pessoas que viajam para áreas onde a malária é endêmica devem procurar orientação médica antes de partir. O risco de exposição deve ser avaliado e precisam ser tomadas providências, antes, durante e após a viagem, incluindo quimioprofilaxia com medicamentos, se for necessário.

O site Malaria Risk Information and Prophylaxis, by Country (em inglês) contém informações detalhadas sobre risco e profilaxia da malária por país.

Sinais e sintomas

A malaria se apresenta com uma doença semelhante à gripe, com mal-estar, febre, calafrios dor de cabeça e dores musculares. Em alguns casos, há sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia. A destruição de hemácias pode resultar em anemia e icterícia.

Os sintomas ocorrem quando os parasitas emergem da fase hepática e invadem o sangue, penetrando nas hemácias, o que pode ocorrer meses após a infecção inicial, mas, em geral, acontece entre 7 e 14 dias. São características crises cíclicas de calafrios e febre alta, que coincidem com a destruição maciça de hemácias a cada dois a quatro dias. A pessoa sente-se bem entre as crises. O fígado e o baço podem estar aumentados.

Em casos graves, especialmente os causados pelo Plasmodium falciparum, é possível que sejam afetados o cérebro, os rins e os pulmões, provocando convulsões, confusão metal, coma, sofrimento respiratório agudo e insuficiência renal, com risco de vida.

Exames laboratoriais

Pesquisa de parasitas no sangue

O diagnóstico de malária é feito com o achado de parasitas no sangue do paciente, examinado por microscopia de amostras de sangue em lâminas de vidro, em gotas espessas ou esfregaços. O exame deve ser feito por um uma pessoa treinada, e permite a identificação da espécie de plasmódio envolvida.

O número de parasitas no sangue varia de acordo com o ciclo do plasmódio. Se a pesquisa for negativa, o exame deve ser repetido a cada 8 a 12 horas durante dois a quatro dias, para aumentar a probabilidade de detecção. O número máximo de parasitas ocorre no início das crises de febre.

Pesquisa de antígenos (teste rápido)

Existem alguns testes rápidos em que uma gota de sangue é colocada sobre uma tira reagente. Uma mudança de cor na tira indica a presença de antígenos de plasmódios. Alguns desses testes detectam as quatro espécies comuns (P. falciparum, P. vivax, P. ovale e P. malariae), mas não distinguem entre elas. Outros identificam cada espécie. Em todos os casos, um resultado positivo deve ser seguido por um exame microscópico do sangue, para confirmação e avaliação da quantidade de parasitas.

Reação em cadeia de polimerase (PCR)

Este método detecta o DNA das espécies de plasmódios. É mais sensível que a microscopia e a pesquisa de antígenos, e pode ser usado para confirmar resultados duvidosos quando há poucos parasitas ou infecções mistas, situação em que a microscopia é menos precisa. A técnica exige equipamentos especiais e tem custo elevado, o que limita seu uso em muitas regiões onde a malária é endêmica.

Pesquisa de anticorpos

Testes sorológicos medem anticorpos no sangue produzidos em resposta à infecção. Como a resposta imunológica demora algumas semanas, esses exames não são usados para diagnóstico de malária e, sim, para avaliações epidemiológicas de infecções anteriores.

Testes de sensibilidade

Alguns plasmódios são resistentes aos medicamentos usados para o tratamento da malária. Laboratórios especializados avaliam a sensibilidade de cepas específicas de plasmódios, cultivando o parasita em presença de quantidades crescente do medicamento ou pesquisando genes que indicam resistência.

Prevenção

Viajantes em áreas de risco devem se proteger contra a malária. O aspecto mais importante da prevenção é evitar picadas de mosquitos, especialmente no final da tarde. É recomendável usar roupas que cubram a pele, com calças e mangas compridas, telas e ar refrigerado nas casas, e repelentes de insetos nas roupas.

Medicamentos antimaláricos são usados também como profilaxia. Como têm efeitos colaterais, devem ser considerados diversos fatores, como a resistência de plasmódios na área a ser visitada, a época da viagem, o tipo e o tempo de estadia e a história médica da pessoa. A resistência do Plasmodium falciparum à cloroquina está se estendendo para várias regiões. Por isso, poderm ser prescritos outros antimaláricos, como a mefloquina, a combinação atovaquona e proguanila, e a doxiciclina.

Tratamento

O diagnóstico e o tratamento precoces da malária são importantes, porque a infecção envolve risco de vida.

O tratamento é orientado pela espécie de plasmódio envolvida, a área da infecção (e os padrões locais de resistência) e a gravidade do quadro clínico. Mulheres grávidas ou amamentando e crianças exigem atenção especial, porque são mais susceptíveis a complicações da doença e do tratamento. Pacientes com malária não complicada podem ser tratados com medicamentos orais. As formas mais graves exigem internação e medicamentos intravenosos.

A cloroquina é o medicamento mais usado. Quando há resistência a ela, especialmente para o Plasmodium falciparum, a Organização Mundial de Saúde recomenda o uso de tratamento combinado incluindo artemisina.

Infecções por Plasmodium vivax ou por Plasmodium ovale podem mostrar recidivas após períodos em que o parasita fica adormecido no fígado. Precisa de tratamento adicional.

Páginas relacionadas

Neste site

Exames: Esfregaço de sangue

Em outros sites da Internet:

Centers for Disease Control and Prevention: About Malaria
Centers for Disease Control and Prevention: Travelers' Health - Malaria
World Health Organization: Malaria
MedlinePlus Interactive Tutorial from the Patient Education Institute: Malaria

Fontes do artigo

NOTA: Este artigo se baseia em pesquisas que incluíram as fontes citadas e a experiência coletiva de Lab Tests Online Conselho de Revisão Editorial. Este artigo é submetido a revisões periódicas do Conselho Editorial, e pode ser atualizado como resultado dessas revisões. Novas fontes citadas serão adicionadas à lista e distinguidas das fontes originais usadas.

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