Também conhecido como
Bilirrubina total, bilirrubina direta, bilirrubina indireta
Nome formal
Bilirrubinas
Este artigo foi revisto pela última vez em
Este artigo foi modificado pela última vez em 27 de Setembro de 2017.
De relance
Por que fazer este exame?

Para triagem e monitoração de doenças hepáticas e anemias hemolíticas.

Quando fazer este exame?

Quando há sinais ou sintomas de doenças hepáticas, obstrução biliar, anemia hemolítica ou icterícia neonatal.

Amostra:

Em adultos, uma amostra de sangue obtida por punção de uma veia do braço; em recém-nascidos, uma amostra de sangue obtida de uma punção no calcanhar. Alguns serviços médicos e hospitalares utilizam um equipamento capaz de medir o nível de bilirrubina através da tonalidade da pele (bilirrubina transcutânea).

É necessária alguma preparação?

Nem sempre é exigido jejum. Pergunte ao médico ou ao laboratório.

O que está sendo pesquisado?

A bilirrubina é um pigmento amarelado, produto da degradação do heme, uma parte da hemoglobina presente nas hemácias. Estas circulam no sangue durante cerca de 120 dias, após o que são destruídas. A hemoglobina é então degradada, e a bilirrubina resultante é liberada no sangue em uma forma simples, pouco solúvel, chamada bilirrubina não conjugada, que é transportada no sangue ligada à albumina. No fígado, essa forma de bilirrubina é ligada a um açúcar, formando a bilirrubina conjugada, solúvel em água, que é excretada como componente da bile no início do intestino delgado (duodeno). No intestino, a maior parte da bilirrubina conjugada é reabsorvida, e o restante é metabolizado por bactérias intestinais e eliminado, dando às fezes sua cor característica.

Níveis mais elevados da bilirrubina no sangue ocorrem quando há aumento da destruição de hemácias (anemias hemolíticas), doenças hepáticas que prejudicam a conjugação e a excreção da bilirrubina, ou obstruções das vias biliares. A elevação dos níveis no sangue induz uma coloração amarelo-esverdeada característica da pele e das membranas mucosas, chamada icterícia.

A bilirrubina é medida no sangue e os resultados em geral são expressos como bilirrubina total, bilirrubina direta (conjugada) e bilirrubina indireta (diferença entre a total e a direta).

A urinálise de rotina também realiza a pesquisa de bilirrubina na urina. A bilirrubina não é um componente da urina normal, mas pode ser detectada nesta quando estão altos os níveis sanguíneos de bilirrubina conjugada.

Como a amostra é obtida para o exame?

Em adultos, é colhido sangue através da punção da veia do braço; em recém-nascidos, de uma punção no calcanhar. Alguns serviços médicos e hospitalares utilizam um equipamento capaz de medir o nível de bilirrubina através da tonalidade da pele (bilirrubina transcutânea).

NOTA: Se exames médicos em você ou em alguém importante para você o deixam ansioso ou constrangido, ou se você tem dificuldade de lidar com eles, leia um ou mais dos seguintes artigos: Lidando com dor, desconforto ou ansiedade durante o exame, Conselhos sobre exames de sangue, Conselhos para ajudar crianças durante exames médicos, e Conselhos para ajudar idosos durante exames médicos.

Outro artigo, Siga essa amostra, fornece uma visão da coleta e do processamento de uma amostra de sangue e de uma amostra de cultura da garganta

É necessário algum preparo para garantir a qualidade da amostra?

O jejum nem sempre é obrigatório. Pergunte ao médico ou ao laboratório. Pode ser necessário jejum de algumas horas antes da coleta.

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Perguntas frequentes
  • Como o exame é usado?

    As bilirrubinas são medidas (dosadas) para avaliar anemias hemolíticas ou doenças hepáticas e das vias biliares. Essa dosagem é especialmente importante em recém-nascidos com icterícia. A barreira entre o sangue e o líquido cefalorraquiano está incompleta nas primeiras semanas de vida, e um excesso de bilirrubina não conjugada no sangue pode se depositar em partes do cérebro do bebê, causando lesões irreversíveis.

  • Quando o exame é pedido?

    A dosagem das bilirrubinas no sangue é solicitada quando há suspeita de anemia hemolítica ou de doença hepática ou das vias biliares. Nesses casos, em geral, também é solicitada com outros exames. Quando há suspeita de anemia hemolítica, podem ser pedidos os exames de hemograma, contagem de reticulócitos, haptoglobinas e desidrogenase lática (LDH). Quando se investiga uma doença hepática, outros exames que podem ser solicitados são fosfatase alcalina, aspartato aminotransferase (AST), alanina aminotransferase (ALT) e gama-glutamil transferase (gama-GT).

    Sinais e sintomas de anemia hemolítica incluem:

    Sinais e sintomas de doenças hepáticas podem ser:

    • Dor no quadrante superior direito do abdome
    • Icterícia
    • Fezes claras e urina escura
    • Exposição a vírus das hepatites
    • Uso excessivo de álcool

    A dosagem de bilirrubinas é parte importante dos exames em recém-nascidos com icterícia, para avaliar o risco de lesões cerebrais e orientar o tratamento.

  • O que significa o resultado do exame?

    Adultos e crianças

    Aumentos da bilirrubina não conjugada (indireta) podem ser causados por:

    • Anemias hemolíticas, em que há aumento da destruição de hemácias, como a anemia falciforme.
    • Reações a transfusão de sangue (transfusionais)
    • Hemorragias internas ou grandes hematomas

    Aumentos com predomínio da bilirrubina conjugada (direta) sugerem lesão hepática ou obstrução biliar. Causas comuns de lesão hepática incluem:

    Causas comuns de obstrução biliar são:

    • Cálculos biliares
    • Tumores
    • Fibrose de ductos biliares

    Recém-nascidos

    A icterícia fisiológica do recém-nascido é bastante frequente. É provocada porque o fígado ainda não está totalmente desenvolvido (imaturidade hepática). Em geral, é resolvida sem tratamento. A icterícia aparece em 48 a 72 horas após o nascimento, chega ao máximo entre o terceiro e o quinto dias e desaparece até o oitavo dia.

    A incompatibilidade de grupo sanguíneo Rh (mãe Rh-negativo e bebê Rh-positivo), que provoca anemia hemolítica no feto, já foi um problema frequente, mas atualmente é rara como resultado do uso profilático de imunoglobulina anti-Rh em mães Rh-negativas.

    Outras causas de icterícia neonatal são algumas infecções congênitas e más formações biliares. A atresia biliar é uma obstrução congênita das vias biliares que exige cirurgia urgente para corrigi-la.

  • Há mais alguma coisa que eu devo saber?

    Aumentos da bilirrubina não conjugada podem ser tóxicos para o cérebro de recém-nascidos até duas a quatro semanas de vida. Após essa idade, a barreira entre o sangue e o líquido cefalorraquiano está desenvolvida e impede a passagem da bilirrubina para o cérebro. Níveis elevados de bilirrubina não constituem em si um problema, mas devem ser investigados porque indicam uma situação a ser avaliada e tratada.

    A urina normal não contém bilirrubina. Entretanto, níveis elevados de bilirrubina conjugada, que é solúvel em água, são eliminados na urina e identificados na urinálise de rotina. A associação de icterícia e colúria (bilirrubina na urina) sugere doença hepática ou obstrução biliar. Icterícia sem colúria sugere anemia hemolítica, quando há predomínio da bilirrubina não conjugada, que não é excretada na urina.

  • Existem distúrbios hereditários que causam aumento das bilirrubinas?

    Nas síndromes de Gilbert, Dubin-Johnson, Rotor e Crigler-Najjar há defeitos hereditários que prejudicam a conjugação ou a excreção de bilirrubina, causando icterícia. Das quatro, a síndrome de Crigler-Najjar é a mais grave e pode ser fatal. As outras não causam problemas sérios. A síndrome de Gilbert é muito comum e afeta cerca de 5% a10% da população, mas a maioria dos afetados não apresenta icterícia.

  • Como é tratada a icterícia?

    O tratamento depende da causa. Em recém-nascidos, a fototerapia (exposição do bebê ao “banho de luz”) altera a bilirrubina no sangue, tornando-a mais solúvel e aumentando sua eliminação na bile e na urina. Casos graves são tratados com exsanguineotransfusão. Obstruções biliares por cálculos, tumores ou fibrose podem ser tratadas com cirurgias. Lesões hepáticas extensas irreversíveis, como na cirrose hepática, são tratadas com transplante de fígado.

Fontes do artigo

NOTA: Este artigo se baseia em pesquisas que incluíram as fontes citadas e a experiência coletiva de Lab Tests Online Conselho de Revisão Editorial. Este artigo é submetido a revisões periódicas do Conselho Editorial, e pode ser atualizado como resultado dessas revisões. Novas fontes citadas serão adicionadas à lista e distinguidas das fontes originais usadas.

 

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