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Este artigo foi modificado pela última vez em 01 de Agosto de 2018.
Resumo

Para uma explicação sobre o pâncreas, veja “O que é o pâncreas?”, em Doenças pancreáticas.

O que é pancreatite?

Pancreatite é uma inflamação do pâncreas, que pode ser aguda ou crônica. Crises agudas se caracterizam por dor abdominal intensa que se irradia do abdome superior para as costas, causando desde algum edema do pâncreas até insuficiência de órgãos, com risco de vida. A pancreatite crônica provoca lesão progressiva dos tecidos pancreáticos e pode ocorrer após crises repetidas de pancreatite aguda.

O pâncreas é um órgão alongado situado na cavidade abdominal, atrás do estômago e abaixo do fígado. É formado por tecido glandular exócrino, que produz enzimas que digerem gorduras, proteínas e carboidratos no intestino delgado, e bicarbonato que neutraliza o ácido proveniente do estômago. Tem também ilhotas de tecido endócrino produtor dos hormônios insulina e glucagon, que regulam o transporte de glicose para dentro das células e o nível de glicose no sangue.

Normalmente, as enzimas pancreáticas são produzidas e transportadas para o duodeno em formas inativas. Na pancreatite, elas são ativadas dentro do pâncreas e digerem os tecidos circunstantes. A morte de células libera enzimas na corrente sanguínea, onde podem ser detectados níveis altos.

As principais causas de pancreatite são obstrução da secreção pancreática por cálculos e ingestão excessiva de álcool, que compreendem 80% dos casos agudos e muitos crônicos. Outras causas são:

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Sobre Pancreatite
  • Sinais e sintomas

    Pancreatite aguda

    Cerca de 75% dos casos de pancreatite aguda são considerados brandos, embora possam causar dor abdominal intensa, náuseas, vômitos, fraqueza e icterícia. Essas crises ocorrem com inflamação, edema e hemorragias locais, que em geral desaparecem com o tratamento, deixando pouca ou nenhuma lesão permanente. Em cerca de 25% dos casos, desenvolvem-se complicações, como morte de tecidos (necrose), infecção, dificuldade respiratória, hipotensão arterial, choque e insuficiência renal ou hepática. O acompanhamento médico é sempre importante porque a intensidade dos sintomas não reflete necessariamente a gravidade da lesão, e podem existir sintomas semelhantes causados por outras doenças que precisam de tratamento diferente.

    Pancreatite crônica
    Pacientes com pancreatite crônica podem ter crises recorrentes com sintomas semelhantes aos da pancreatite aguda. A frequência dessas crises costuma aumentar com o progresso da doença. A fibrose progressiva do tecido pancreático destrói as células produtoras de enzimas e, mais tarde, as células produtoras de hormônios, causando insuficiência pancreática (incapacidade de produzir enzimas e digerir gorduras e proteínas), perda de peso, desnutrição, ascite, pseudocistos pancreáticos (coleções de líquido e restos de tecido que podem se infectar), fezes gordurosas e diabetes.

    A dor na pancreatite crônica pode ser intensa, contínua ou intermitente, e piora com ingestão de alimentos ou de álcool.

  • Exames
    • Amilase é a enzima pancreática responsável pela digestão de carboidratos. Sua dosagem no sangue é o exame mais usado para diagnosticar e monitorar a pancreatite aguda. Aumenta de 2 a 12 horas após o início dos sintomas, chegando a um máximo em 12 a 72 horas, mas volta ao normal em uma semana. Pode atingir de 5 a 10 vezes o limite do nível normal. A amilase também pode ser usada para acompanhar pacientes com hepatite crônica. Com frequência, há elevações moderadas até que as células produtoras sejam destruídas, quando os níveis diminuem até abaixo do normal. A amilase total no sangue é a soma de duas isoenzimas: P-amilase, produzida no pâncreas, e S-amilase, produzida nas glândulas salivares. Algumas vezes, elas podem ser medidas em separado, para distinguir causas pancreáticas e não pancreáticas de aumentos da amilase total.

    • Lipase é a enzima pancreática que digere gorduras emulsionadas pela bile. Seu nível no sangue aumenta de 4 a 8 horas após o início dos sintomas na pancreatite aguda e atinge o máximo em 24 horas. A dosagem de lipase é mais sensível e mais específica que a de amilase para o diagnóstico de pancreatite aguda. Entretanto, há outras fontes de lipase no tubo digestivo e, dependendo do método, podem ocorrer elevações pequenas em distúrbios não pancreáticos. Em pacientes com pancreatite, os níveis sobem até várias vezes acima do normal, e permanecem elevados por mais tempo que os níveis de amilase. Na pancreatite crônica, há diminuição dos níveis de lipase, como os de amilase, com o progresso da destruição tecidual. Níveis de lipase abaixo de 10% do normal são acompanhados de esteatorreia (fezes gordurosas com cheiro característico).
    • Tripsina é a enzima pancreática que digere proteínas. A medida de seu precursor, o tripsinogênio, é considerada o exame mais sensível para o diagnóstico de pancreatite, mas não está disponível como rotina.
    • A medida da tripsina nas fezes é usada para o diagnóstico de insuficiência pancreática, e pode ser parte dos exames para pancreatite crônica, incluindo a pancreatite provocada por fibrose cística.

    Podem ser pedidos outros exames para investigar complicações da pancreatite aguda:

    Outros exames para a pancreatite crônica:

    • Gordura fecal
    • Elastase pancreática fecal
    • Cloretos no suor, para diagnóstico de fibrose cística
    • Pesquisa de mutações associadas a fibrose cística

    Alguns exames não laboratoriais:

    • Ultrassonografia abdominal
    • Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica, em que um endoscópio é usado para injetar contraste nos ductos biliares e pancreáticos, que são radiografados
    • Colangiopancreatografia com ressonância magnética, pode substituir a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica
    • Tomografia computadorizada
    • Teste da secretina (pouco usado), em que uma sonda é colocada no duodeno para medir a secreção de enzimas pancreáticas após a administração intravenosa de secretina.
  • Prevenção, diagnóstico precoce e tratamento

    A pancreatite exige atenção médica imediata. Durante uma crise aguda, o pâncreas pode ser destruído em algumas horas e ocorrerem complicações que provocam risco de vida.

    Pancreatite aguda
    Não é possível evitar nem detectar precocemente crises de pancreatite aguda. Quando é recorrente, a causa pode ser uma combinação de risco genético e de outros fatores, como alcoolismo. Crises associadas a alcoolismo em geral são resultado de anos de consumo moderado ou intenso de álcool, e são precipitadas por um episódio de consumo exagerado. Podem ser precedidas ou não por dor de intensidade variável, que servem de aviso. No caso de pancreatite aguda provocada por cálculos ou outras causas, as crises não são precedidas por sintomas.

    O tratamento consiste em controle da dor e jejum por dias ou, até, semanas, para não estimular o pâncreas até que os sintomas desapareçam. O paciente é hospitalizado durante esse período, e recebe líquidos e alimentos por via intravenosa. As complicações, como infecções, são acompanhadas e tratadas. Se a pancreatite for provocada por cálculos, pode ser necessário fazer cirurgia, que inclui remoção da vesícula biliar.

    Pancreatite crônica
    A pancreatite crônica é tratada para evitar novas crises, reduzir ou evitar novas lesões no pâncreas e tratar as que já existem. Para evitar novas crise é muito importante não ingerir mais bebida alcoólica. Uma dieta pobre em gorduras reduz a carga sobre o pâncreas, e enzimas pancreáticas aliviam a insuficiência e a má absorção. Pode ser necessário incluir na alimentação suplementos de vitaminas lipossolúveis e cálcio. São feitas medidas de glicemia. Se o paciente se tornar diabético, ele passa a receber injeções de insulina. Hipoglicemiantes orais em geral não são úteis nesses casos. É importante manter o controle da dor, que pode ser moderada ou intensa. A dor pode diminuir com o progresso da lesão pancreática.

    Pode ser necessária cirurgia para remover parte do pâncreas ou para aliviar obstruções.

    Pessoas com pancreatite crônica têm um risco maior de desenvolver câncer de pancreas.

Fontes do artigo

NOTA: Este artigo se baseia em pesquisas que incluíram as fontes citadas e a experiência coletiva de Lab Tests Online Conselho de Revisão Editorial. Este artigo é submetido a revisões periódicas do Conselho Editorial, e pode ser atualizado como resultado dessas revisões. Novas fontes citadas serão adicionadas à lista e distinguidas das fontes originais usadas.

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