Também conhecido como
Contagem diferencial manual
morfologia celular
Nome formal
Esfregaço de sangue
Este artigo foi revisto pela última vez em
Este artigo foi modificado pela última vez em 28 de Setembro de 2017.
De relance
Por que fazer este exame?

Para determinar se hemácias, leucócitos e plaquetas têm aspecto e número normal, para diferenciar os diferentes tipos de leucócitos e determinar suas percentagems relativas no sangue, para auxiliar no diagnóstico de deficiências, doenças e distúrbios que envolvem a produção, função e destruição de células do sangue, para monitorar a produção e a maturidade das células do sangue em doenças como leucemias, durante radioterapia ou quimioterapia, ou para pesquisa de variantes da hemoglobina.

Quando fazer este exame?

Quando os resultados do hemograma estão anormais, é examinado o esfregaço de sangue e feita uma contagem diferencial de leucócitos para determinar a presença de células anormais ou imaturas. Quando o médico suspeita de uma deficiência, doença ou distúrbio que possa afetar a produção de células do sangue. Quando o paciente é tratado com medicamentos que podem afetar a produção de células do sangue.

Amostra

Uma amostra de sangue obtida de uma veia do braço ou por uma picada no dedo, orelha ou, no caso de bebês, no calcanhar.

É necessária alguma preparação?

Nenhuma

O que está sendo pesquisado?

O esfregaço de sangue permite avaliar leucócitos, hemácias e plaquetas. Essas populações de células são produzidas na medula óssea e liberadas na corrente sanguínea quando necessário. A função principal dos leucócitos é combater infecções. A das hemácias é transportar oxigênio para as células. As plaquetas são pequenos fragmentos de células que, ao serem ativadas, formam um tampão como parte dos primeiros passos da coagulação do sangue. O número de cada tipo de célula varia mas, em geral, é mantido dentro de limites específicos. Os números podem ser alterados com doença, estresse, exercícios intensos ou fumo.

O esfregaço de sangue permite observar as células do sangue no momento da colheita. Para preparar um esfregaço, é espalhada uma gota de sangue em uma camada fina sobre uma lâmina de vidro e corada com corantes especiais. Depois de seca, a lâmina é examinada por um especialista usando um microscópio.

A gota de sangue na lâmina contém milhões de hemácias, milhares de leucócitos e centenas de milhares de plaquetas. Sob o microscópio, os leucócitos corados podem ser vistos com facilidade e contados para avaliar a proporção de cada um de seus tipos. Além disso, permite avaliar se o tamanho, forma e aspecto das células correspondem ao que é considerado normal. É possível distinguir cinco tipos diferentes de leucócitos e determinar a proporção de cada um contando pelo menos 100 leucócitos sucessivos. Durante esse exame, são avaliados também o tamanho, forma e cor (indicativa do conteúdo de hemoglobina) das hemácias e o número de plaquetas presentes.

Como a amostra é obtida para o exame?

Uma amostra de sangue obtida inserindo uma agulha em uma veia do braço ou picando um dedo ou orelha, ou, no caso de bebês, o calcanhar.

NOTA: Se exames médicos em você ou em alguém importante para você o deixam ansioso ou constrangido, ou se você tem dificuldade de lidar com eles, leia um ou mais dos seguintes artigos: Lidando com dor, desconforto ou ansiedade durante o exame, Conselhos sobre exames de sangue, Conselhos para ajudar crianças durante exames médicos, e Conselhos para ajudar idosos durante exames médicos.

Outro artigo, Siga essa amostra, fornece uma visão da coleta e do processamento de uma amostra de sangue e de uma amostra de cultura da garganta.

É necessário algum preparo para garantir a qualidade da amostra?

Nenhuma preparação é necessária

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Perguntas frequentes
  • Como o exame é usado?

    Preparava-se um esfregaço de sangue sempre que era feito um hemograma. Os aparelhos atuais de contagem de células fornecem uma contagem diferencial de leucócitos automatizada. Entretanto, se há suspeita de anormalidades de hemácias, leucócitos ou plaquetas anormais, o esfregaço de sangue continua a ser o melhor método de avaliação e identificação definitiva de células imaturas ou anormais. Os laboratórios normalmente fazem a contagem diferencial sempre que observam sinais de anormalidade na contagem automatizada ou quando o médico solicita.

    Existem muitas doenças, distúrbios e deficiências que podem afetar o número e o tipo de células do sangue produzidas, sua função e  sobrevida. Em condições normais, são liberadas na circulação apenas células maduras e normais. Há algumas circunstâncias em que a medula óssea é forçada a liberar células imaturas ou mal formadas na circulação. A presença de números significativos de células anormais sugere uma doença subjacente. Nesse caso, devem ser feitos outros exames.

  • Quando o exame é pedido?

    O esfregaço de sangue é pedido principalmente para avaliar as populações de células quando o hemograma com diferencial realizado  por um contador automático indica a presença de células anormais ou imaturas. Pode também ser feito quando o médico suspeita que uma deficiência, doença ou distúrbio está afetando a produção ou aumentando a destruição de células do sangue, ou para monitorar o tratamento de doenças do sangue.

  • O que significa o resultado do exame

    Os achados do esfregaço de sangue nem sempre são diagnósticos. Muitas vezes indicam a presença de uma doença e sua gravidade, e sugerem a necessidade de outros exames diagnósticos. Podem incluir:

    Hemácias
    Hemácias normais e maduras têm tamanho uniforme (7 µm) e não possuem um núcleo como a maioria das outras células. São redondas a achatadas, com uma depressão no meio (bicôncavas). Devido à hemoglobina, sua cor é rosa com um centro pálido quando se usa a coloração de rotina. Alterações de tamanho e de forma em um número significativo de hemácias indicam problemas. As irregularidades presentes podem incluir:

    • Anisocitose – Hemácias de tamanhos variados. A presença de hemácias pequenas (menos de 7µm) é chamada microcitose, e a de hemácias grandes ( mais de 7 µm), macrocitose.
    • Poiquilocitose – Hemácias de formatos variados, podendo incluir equinócitos, acantócitos, eliptócitos, ceratócitos, hemácias afoiçadas, hemácias em alvo, hemácias em gota, esquizócitos e hemácias em rouleaux.

    Para mais detalhes sobre hemácias, clique aqui.

    Leucócitos
    Leucócitos, as células brancas, têm um núcleo cercado de citoplasma. Todos os leucócitos derivam de células tronco da medula óssea. Nesta, elas se diferenciam em dois grupos: células mieloides e células linfoides. Formam, então, cinco tipos diferentes de leucócitos:

    • Neutrófilos - Células que têm grânulos róseos ou púrpura no citoplasma. Compreendem a maioria dos leucócitos no sangue de adultos normais.
    • Eosinófilos - Reconhecidos com facilidade por seus grânulos grandes e alaranjados. Em geral, são em pequeno número (1-3%), mas podem estar em número maior em pessoas com alergias ou com parasitoses.
    • Basófilos - Têm grandes grânulos negros e são o tipo menos encontrado (menos de 1%). É raro o aumento do número de basófilos, mas pode ser ocorrer em algumas leucemias, varicela, colite ulcerativa e após imunizações.
    • Monócitos - São os maiores leucócitos (12-20 µm), ingerem e destroem partículas estranhas (fagocitose), como restos celulares e bactérias.
    • Linfócitos - São os menores leucócitos (10-12 µm), têm um citoplasma homogêneo e um núcleo redondo e uniforme. São responsáveis pela produção de anticorpos (imunoglobulinas).

    Para mais detalhes sobre leucócitos, clique aqui.

    Plaquetas
    São fragmentos de células gigantes da medula óssea chamadas megacariócitos. Quando há lesão de um vaso sanguíneo, as plaquetas se agregam, formando um tampão que inicia a coagulação do sangue. É necessário um número suficiente de plaquetas para controlar hemorragias. Número de plaquetas baixo prejudica a capacidade de formar coágulos e pode resultar em risco de vida. Em algumas pessoas, são produzidas plaquetas em excesso, o que interfere no fluxo sanguíneo e aumenta o risco de trombose. Essas mesmas pessoas também podem ter sangramentos porque as plaquetas têm função alterada, mesmo que mantenham o aspecto normal.

    A contagem de plaquetas em geral é parte do hemograma. Um número muito baixo ou muito alto pode ser melhor avaliado com a preparação de um esfregaço de sangue para observar anormalidades de forma ou de tamanho.

  • Há mais alguma coisa que eu devo saber?

    Algumas situações que podem afetar ou invalidar os resultados de um esfregaço de sangue incluem:

    • O paciente recebeu uma transfusão de sangue recente.
    • O paciente tem níveis elevados de proteínas.
    • Amostra coagulada.
    • Sangue colhido no tubo errado ou em quantidade insuficiente.
    • Preparação ou coloração do esfregaço inadequada.
  • Por que a contagem automatizada não substituiu completamente o exame do esfregaço de sangue?

    Substituiu na rotina, mas a contagem automatizada avalia as hemácias, os leucócitos e as plaquetas com base na forma, tamanho e propriedades elétricas e fotométricas. Pode haver alguma variação de cada tipo de célula devido a estímulos fisiológicos ou externos. Em geral, os aparelhos podem detectar a presença de células anormais, mas não classificá-las com precisão. Por exemplo, fragmentos celulares ou grumos de plaquetas podem ser confundidos com leucócitos, elevando falsamente a contagem. Essas anormalidades são vistas no esfregaço de sangue por um especialista, para identificação e classificação adequadas. Além disso, na observação microscópica também identificamos eventuais parasitas do sangue.

Fontes do artigo

NOTA: Este artigo se baseia em pesquisas que incluíram as fontes citadas e a experiência coletiva de Lab Tests Online Conselho de Revisão Editorial. Este artigo é submetido a revisões periódicas do Conselho Editorial, e pode ser atualizado como resultado dessas revisões. Novas fontes citadas serão adicionadas à lista e distinguidas das fontes originais usadas.

 

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