Também conhecido como
Exame preventivo
Nome formal
Esfregaço de Papanicolaou; esfregaço de colo uterino; citologia de colo de útero e vagina
Este artigo foi revisto pela última vez em
Este artigo foi modificado pela última vez em 28 de Julho de 2019.
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Perguntas frequentes
  • Como o exame é usado?

    Seu médico ou profissional da saúde realiza um teste de Papanicolaou primariamente para procurar células cancerosas ou pré-cancerosas do colo uterino ou da vagina. Uma amostra de células do colo ou uma suspensão de células é aplicada sobre uma lâmina de microscópio e corada com corante especial, para ser examinada em microscópio por técnico especializado ou por médico patologista. O teste de Papanicolaou também pode ser usado para detectar infecções no útero ou na vagina. É possível haver células anormais ou processo infeccioso sem que se notem sintomas. Alguns quadros necessitam de tratamento, enquanto outros se resolvem sem necessidade de intervenção, ou exigem outros exames complementares ou, ainda, devem ser monitorados por algum tempo. Algumas cepas do papilomavírus humano (HPV), infecção viral sexualmente transmissível muito comum, estão associadas a aumento do risco de câncer de colo uterino. Pode-se solicitar o teste de DNA para HPV junto ou após o teste de Papanicolaou, principalmente para mulheres com mais de 30 anos.

  • Quando o exame é pedido?

    A frequência apropriada para a realização de teste de Papanicolaou depende da idade e da atividade sexual (ver Triagem para câncer de colo do útero - faixa etária 13-18), (faixa etária 19-29), (faixa etária 30-49), (faixa etária 50 em diante). O American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) revisou suas diretrizes em 2009 e passou a recomendar que a triagem com teste de Papanicolaou comece a partir de 21 anos e seja realizada a cada dois anos até os 29. Após três testes consecutivos normais e sem qualquer outra anormalidade, esse exame pode ser feito uma vez a cada três anos, a partir de 30 anos de idade. O ACOG também recomenda que mulheres com 30 anos ou mais tenham a opção de realizar o teste de DNA para HPV junto com o de Papanicolaou. Se ambos estiverem negativos, o teste deve ser repetido não antes de três anos.

    O teste de Papanicolaou deverá ser feito com maior frequência se a paciente tem ou teve:

    • HIV
    • Supressão do sistema imune, como nos casos de receptoras de transplante
    • Sua mãe fez uso de DES (dietilestilbestrol) enquanto grávida de você
    • Tratamento prévio para câncer ou para uma patologia denominada neoplasia intraepitelial da cérvice-2 ou 3 (NIC 2 ou NIC 3).
       

    Além disso, o teste de Papanicolaou deve ser solicitado quando a mulher tem múltiplos parceiros sexuais, está grávida ou apresenta sangramento vaginal anormal, dor, feridas, corrimento ou prurido.

  • O que significa o resultado do exame?

    O teste de Papanicolaou “negativo” significa que as células obtidas têm aspecto normal e não há infecção identificável. Em alguns casos, o teste de Papanicolaou convencional pode ser relatado como “insatisfatório” para avaliação. Isso significa que a coleta de células foi inadequada ou que não foi possível identificá-las com clareza. Segue-se um resumo de outros possíveis resultados. 

    • Insatisfatório: amostra inadequada ou há outras substâncias que causam interferência.
    • Benigno: células não cancerosas, mas o esfregaço revela infecção, irritação ou processo normal de reparação celular.
    • Células atípicas de significado indeterminado: alterações anormais nas células que cobrem a maior parte da superfície externa da cérvice (células escamosas—ASCUS) ou nas células que revestem o óstio uterino e canal endocervical (células glandulares —AGCUS) cuja causa é indeterminada. Um resultado de ASCUS frequentemente é seguido por teste de DNA para identificar a presença de infecção por HPV de alto risco.
    • Alterações de baixo grau: frequentemente causada por infecção por HPV que, em alguns casos, pode significar risco de câncer de colo do útero. Esse tipo de resultado deve ser acompanhado por teste de DNA para identificar a presença de infecção por HPV de alto risco.
    • Alterações de alto grau: células com grande atipia que podem resultar em câncer.
    • Carcinoma de células escamosas ou adenocarcinoma: termos usados para identificar determinados tipos de câncer. Nesses casos, o câncer é evidente e requer atenção imediata.


    De acordo com o National Cancer Institute, dos Estados Unidos, cerca de 55 milhões de testes de Papanicolaou são realizados naquele país a cada ano. Destes, aproximadamente 3,5 milhões são anormais e requerem algum nível de acompanhamento.

  • Há mais alguma coisa que eu devo saber?

    O teste de Papanicolaou geralmente é utilizado como exame de triagem. Um percentual de anormalidades pode passar despercebido com um único teste. Por isso, é importante que esse exame seja realizado regularmente. Uma limitação importante do teste tem relação com a coleta da amostra. O esfregaço de Papanicolaou representa uma amostra muito pequena das células presentes na cérvice uterina e na região da vagina. Mesmo para o médico mais experiente a amostra coletada pode ser inadequada e necessitar que o exame seja repetido.

    O teste de Papanicolaou, quando realizado rotineiramente, é de grande valia para a detecção e tratamento de áreas com lesões pré-cancerosas, o que ajuda a prevenir o desenvolvimento de câncer de colo do útero. Além disso, ajuda a descobrir câncer de colo nos estágios iniciais, quando é mais fácil de ser tratado. O teste de Papanicolaou também é usado para monitorar quaisquer anormalidades ou achados fora do comum. Em muitos casos, esses achados fazem parte do processo de reparo celular normal do organismo e resolvem-se sozinhos, sem necessidade de qualquer tratamento. Se você utilizar ducha higiênica ou fizer banho de assento ou usar cremes vaginais nas 48 a 72 horas anteriores ao exame, o resultado pode ser “insatisfatório”. Outros fatores que podem alterar o resultado são sangramento menstrual, infecção, medicamentos (como digitálicos e tetraciclinas) ou relações sexuais nas 24 horas que precedem a coleta de material.

    Nesses casos, talvez seja necessário repetir o teste, mas isso não significa necessariamente que há algum problema significativo. Em alguns casos, o uso da técnica com preparado líquido talvez elimine materiais que atrapalham os resultados, como sangue e muco, capazes de impedir a visão clara das células da cérvice. Outra vantagem é que o mesmo material pode ser usado para realizar exames adicionais como o teste para HPV, se for necessário.

  • Quais são os fatores de risco para câncer de colo do útero?

    O fator mais importante para câncer de colo de útero é infecção por papilomavírus humano (HPV). Há testes disponíveis para triagem desse tipo de infecção que, frequentemente, são realizados em conjunto com o teste de Papanicolaou. Também há uma vacina para ajudar a prevenir infecção por HPV. Ela é administrada em três doses, ao longo de seis meses, e é mais efetiva quando aplicada antes do início da vida sexual ativa.

    Também há aumento do risco associado à idade em que se iniciam as relações sexuais (quanto mais cedo, maior o risco), multiplicidade de parceiros sexuais, falta de frequência de testes de Papanicolaou, tabagismo, história de exposição a doença sexualmente transmissível (DST) e presença de outras doenças sexualmente transmissíveis, como herpes ou HIV.

  • Um teste de Papanicolaou anormal sempre significa câncer?

    Um único teste “anormal” não necessariamente indica a presença de câncer. As membranas que cobrem o colo do útero estão sempre sendo submetidas a alterações e reparos. Embora nem sempre haja necessidade de tratamento, a situação exige ser monitorada de perto. Nesses casos, é possível que seja necessário repetir o teste a cada três ou seis meses até que a situação tenha sido resolvida.

  • Para as portadoras de câncer de colo do útero, quais são as opções de tratamento?

    O câncer de colo do útero é uma doença lentamente progressiva que pode levar anos para avançar além da cérvice. É por este motivo que o exame ginecológico regular é a melhor oportunidade para evitar que o câncer evolua e para permitir que sejam detectadas e removidas as lesões pré-cancerosas. Com exames regulares também é possível detectar a doença em fase inicial. O tratamento padrão é a cirurgia minimamente invasiva do colo do útero (também chamada LEEP, conização, conização com bisturi a frio ou crioterapia), que remove lesões pré-cancerígenas ou tecido canceroso em estágio muito inicial.

    Nos casos com câncer em estágio mais avançado, pode ser indicada a histerectomia (retirada do útero). Se o câncer se espalhou para outros tecidos (metástases), talvez haja necessidade de radioterapia e, em algumas circunstâncias, cirurgias adicionais.