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Este artigo foi modificado pela última vez em 12 de Julho de 2017.

A maioria dos testes diagnósticos de rotina requer uma amostra de sangue. Por ser extremamente comum, é o que causa maior apreensão em  pessoas que vão fazer exames de laboratório.

As principais causas são: 1) pelo lado físico, tolerar a picada da agulha; 2) pelo lado emocional, ver o sangue ser removido.

Para a maioria das pessoas, a coleta do sangue não é um problema, apenas um pequeno incômodo. Mas há quem fique ansioso. Para estes é preciso adotar algumas estratégias que os auxilie nesse procedimento. Em algumas pessoas, as condições físicas das veias dificultam o procedimento porque elas estão doloridas por causa de terapias endovenosas anteriores, lesionadas por frequentes punções venosas ou, apenas, são difíceis de encontrar e puncionar.

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Collecting Blood for Testing
  • Como é realizado

    O sangue necessário para um teste diagnóstico é facilmente obtido através do procedimento chamado venipunção, termo que significa “puncionar a veia”. A pessoa que executa esse procedimento é chamada de flebotomista.

    Os flebotomistas que trabalham em hospitais, clínicas e laboratórios realizam várias punções venosas por dia, experiência que os qualifica a lidar com situações difíceis e com pacientes estressados. Os flebotomistas sabem como acalmar o paciente, como cuidar dos que sentem  tontura ou sensação de desmaio, e recebem treinamento específico da anatomia e das necessidades das crianças e dos idosos.

    Pacientes nervosos podem ficar mais relaxados se souberem que as pessoas que estão coletando sangue passaram por um treinamento completo e demonstram alto nível de competência.

    O que vai acontecer? Durante a punção venosa, o flebotomista insere uma agulha através da sua pele até atingir o interior da veia. A quantidade de sangue necessária para os testes é aspirada através da agulha para o interior de um ou mais tubos especiais. Estes tubos são enviados ao laboratório, onde o sangue será analisado de acordo com a solicitação do seu médico. Na maioria das vezes, o flebotomista é capaz de identificar uma veia na dobra anterior do braço que seja de fácil acesso. Então, ele aplica um torniquete acima desse local para tornar a veia mais visível. A dobra anterior do braço não possui muitos nervos o que a torna um bom local para a punção. Punho, mão e pé são outros locais que também podem ser usados. Se lhe pedirem para fechar o punho, faça isso porque ajuda a tornar as veias mais proeminentes. O procedimento costuma durar menos de 3 minutos. Ao final, pede-se ao paciente, ou ao seu acompanhante, para aplicar uma leve pressão com algodão limpo sobre o local puncionado, de modo a auxiliar a coagulação e prevenir inchaço e hematoma (mancha azulada escura onde o sangue extravasou para os tecidos).

    Vai doer? Você pode sentir uma pequena picada quando a agulha perfurar a pele, e algum desconforto quando o sangue for aspirado. Caso esteja acompanhando uma criança ou paciente ansioso, é conveniente explicar-lhe que pode haver dor ou desconforto momentâneo. Não diga, “Isso não vai doer nada”, porque, ao sentir a picada, o paciente terá um pretexto para desconfiar das pessoas e da situação. Ser honesto e criar uma expectativa razoável é uma bom modo de ajudar o paciente.

    Não está fluindo bem? A ingestão de oito a dez copos de líquidos por dia ajuda o sangue a fluir melhor e torna as veias mais fáceis de serem encontradas e perfuradas. Por isso, beba líquidos por um dia ou dois antes da coleta. Mas lembre-se de seguir as recomendações do seu médico – alguns exames exigem que não se beba determinados líquidos antes de fazê-los. Você pode, também, caminhar enquanto espera o exame ou quando for para o laboratório, para aumentar o fluxo do sangue e manter as veias cheias. Fazer exercícios com as mãos e braços também ajuda a quem realiza exames com frequência. Se não houver exigência de jejum, uma forma de melhorar o fluxo sanguíneo é fazer uma boa refeição na véspera.

    Pele seca? A punção pode ser menos dolorosa se aplicar creme hidratante pelo menos quatro vezes ao dia, desde a mão até o cotovelo (ou onde você espera ser puncionado). As loções funcionam melhor quando aplicadas logo após a pele ter sido molhada. Por exemplo, depois do banho, da natação ou de lavar pratos.

    Mãos frias? Aquecer as mãos aumenta a circulação, o que ajuda o flebotomista a encontrar a veia. Se estiver vestindo algum agasalho, enquanto espera pelo exame mantenha o braço pendurado para aumentar a pressão sanguínea nas veias. Se o seu sangue é difícil de ser coletado, costuma dar bom resultado deitar e colocar as mãos sob uma almofada ou coberta aquecidas.

    Está ansioso? Para diminuir a ansiedade, converse ou lembre-se de algo agradável enquanto espera pelo exame. Também é interessante ler ou ouvir música ou gravações que sejam relaxantes.

    Sensação de desmaio? Se você está nervoso ou apresenta tendência para sentir tontura ou desmaiar, avise ao flebotomista antes de começar. A coleta será feita com você deitado para prevenir um desmaio e queda. Caso sinta tontura ou sensação de desmaio em qualquer momento, avise ao flebotomista ou a alguém que estiver próximo. Abaixar a cabeça e colocá-la entre as pernas ou deitar-se vai ajudá-lo a melhorar.

    Não consegue encontrar a veia? Se o flebotomista pica duas vezes um paciente e não consegue encontrar a veia, ele pode ser substituído por  outro profissional para completar o procedimento. Isso evita que flebotomista e paciente fiquem frustados e ajuda a manter um clima de tranquilidade. Depois de uma tentativa malsucedida, se você se sentir inseguro em relação ao flebotomista, pode solicitar que ele seja substituido.

    O que acontece depois? Caso ocorra inchaço, pele vermelho-azulada (equimose) ou se sinta dolorido, siga os procedimentos habituais para aliviar dor, inclusive colocar compressa gelada sobre o local, usar o mínimo possível o braço afetado e tomar algum medicamento analgésico que seja indicado para você.

  • Quando o sangue é mais difícil de ser colhido

    Para a maioria das pessoas, a punção venosa é rápida, fácil e relativamente indolor. Segundo explica Pruet, uma flebotomista da Fundação Mayo, em Rochester, Minesota (EUA), “ a grande maioria dos pacientes que atendemos é se surpreende com a simplicidade do processo”. “Eles podem sentir alguma ansiedade antes da coleta, mas temos ouvido muitos comentários como ‘foi mais rápido do que eu pensava’, ‘menos doloroso do que eu esperava’ e ‘mais fácil do que pensei’”.

    No entanto, há pessoas com veias muito pequenas e difíceis de acessar. Algumas veias estão lesionadas por punções repetidas ou ocluídas (entupidas). Quem se submete à quimioterapia, por exemplo, e quem sente efeitos colaterais enquanto está em terapia por coumadina pode apresentar mais dificuldade para a coleta de sangue porque é puncionado com frequência. Para essas pessoas, a punção venosa pode exigir mais de uma picada com a agulha.

    Pacientes com experiência em exames geralmente ajudam no procedimento porque dizem ao flebotomista quais são os bons locais para serem puncionados, ou as agulhas, técnicas ou instrumentos que funcionam melhor para eles. Mulheres que sofreram mastectomia, por exemplo, costumam explicar ao flebotomista qual braço não deve ser usado para evitar gânglios linfáticos propensos à infecção. Algumas pessoas que sabem que seu sangue é difícil de ser colhido pedem para serem atendidos por um determinado profissional com o qual eles costumam ter bons resultados. Se você sentir frustrado porque o procedimento não foi bem-sucedido, procure conversar com o flebotomista para que seja criado um protocolo adequado para você

    Além das informações acima, apresentamos a seguir mais algumas sugestões encontradas no livro (em inglês) Caregiving, que discute os problemas que podem ocorrer com veias de pacientes com câncer, durante e depois do tratamento.

    Creme anestésico tópico — Peça um produto que anestesie a pele, como o creme EMLA. 
    Punção na polpa digital — Pergunte se é possível fazer punção da polpa digital. Alguns testes podem ser feitos com gotas de sangue obtidas de picada da polpa digital, o que está disponível na maioria dos laboratórios. 
    Catéter e escalpe — Se você sabe que precisará fazer coletas de sangue frequentes durante um período de tempo e essas coletas requerem três ou mais tentativas até obter sucesso, pergunte se há disponibilidade e se é aconselhável usar catéteres ou escalpes.

  • Outros métodos

    Punção da polpa digital - Um pequeno número de testes requer apenas a punção da polpa digital. Uma amostra muito pequena de sangue capilar pode ser obtida do dedo e do lóbulo auricular, ou, no caso de recém-nascidos, do calcanhar ou do dedão do pé.

    Aquecer a pele com compressas quentes e úmidas por cerca de 10 minutos facilita o fluxo de sangue para a área. A pele é, então, puncionada com uma lanceta. Como existem mais nervos no dedo do que na dobra anterior do cotovelo, você pode achar que a punção digital é um pouco mais dolorosa, embora menos assustadora, como comenta Flaherty. Um aparelho para a punção digital tem recebido elogios dos pacientes, segundo Daly: “Várias pessoas comentam que não sentem nada”. Este tipo de teste está sendo mais utilizado, diz ela, entre os pacientes mais idosos.

    Amostras arteriais - Em situações mais críticas – em geral, com pacientes internados – é preciso anailsar o sangue obtido de artérias. Este procedimento, conhecido como punção arterial, é realizada por um médico ou um enfermeiro especializado. Pode ser usado um anestésico local e, ao terminar, o enfermeiro aplica pressão local para interromper o sangramento e evitar a formação de hematoma.