Aguarde, carregando...

Home|Testes|Q|Quimiotripsina Fecal
Quimiotripsina Fecal

Nome formal: Quimiotripsina

Também conhecido como

  • Quimiotripsina nas fezes; 
  • Tripsina  

Amostra:
Amostra de fezes frescas, não contaminada com urina.

É necessário alguma preparação para o teste?:
Se o paciente estiver em uso de enzimas pancreáticas exógenas, geralmente é orientado a suspendê-las por 5 dias antes da coleta da amostra, a fim de evitar interferência no resultado.

Por que realizar o teste?:
Para auxiliar na detecção e avaliação da insuficiência pancreática exócrina.

Quando realizar o exame?:
Quando houver sintomas como diarreia persistente, fezes fétidas, volumosas e gordurosas (esteatorreia), desnutrição, má absorção, suspeita de deficiência de vitaminas lipossolúveis ou quando houver suspeita clínica de insuficiência pancreática exócrina.

O que está sendo pesquisado?

A quimiotripsina é uma serina protease produzida pelo pâncreas exócrino que desempenha papel fundamental na digestão de proteínas no intestino delgado. Ela cliva preferencialmente as ligações peptídicas adjacentes a aminoácidos aromáticos como fenilalanina, triptofano e tirosina, e também a leucina, convertendo proteínas alimentares em peptídeos menores que serão absorvidos pelo organismo ¹.

O quimotripsinogênio, precursor inativo da quimiotripsina, é sintetizado no pâncreas e secretado no intestino delgado, onde é ativado proteoliticamente pela tripsina. Do ponto de vista estrutural, a quimiotripsina e a tripsina são serinas proteases com alta identidade de sequência e estrutura terciária semelhante, mas com especificidades de substrato distintas, determinadas principalmente pela conformação de alças (loops) próximas ao sítio ativo ².

A quimiotripsina é mais resistente à degradação pelo trânsito intestinal do que a tripsina, o que permite sua detecção nas fezes. Quando o pâncreas está funcionando normalmente, quantidades detectáveis de quimiotripsina chegam às fezes. Nos pacientes com disfunção pancreática, os ductos pancreáticos podem estar obstruídos, ou as células acinares que produzem quimotripsinogênio podem estar danificadas ou destruídas, resultando em quantidade insuficiente de enzimas disponíveis para a digestão adequada dos alimentos no intestino delgado — situação denominada insuficiência pancreática exócrina (IPE) ³.

A IPE é condição frequente, com diagnóstico muitas vezes tardio, e pode ser causa de desnutrição, deficiência de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e comprometimento do estado geral do paciente. É observada principalmente na pancreatite crônica, mas também pode ocorrer em outras condições pancreáticas e gastrointestinais ³.

Perguntas Frequentes

O teste da quimiotripsina fecal é utilizado, em conjunto com outros exames, para avaliar a função exócrina do pâncreas em crianças e adultos. Por si só, não é diagnóstico, mas serve como triagem inicial e pode motivar a realização de exames adicionais mais específicos.

A quimiotripsina fecal é empregada principalmente nas seguintes situações:

  • Avaliação de insuficiência pancreática exócrina em pacientes com sintomas digestivos sugestivos, como esteatorreia, diarreia crônica e perda de peso não intencional ³
  • Triagem de função pancreática em crianças com suspeita de fibrose cística (FC) ou síndrome de Shwachman-Diamond (SDS) ³. 
  • Monitoramento da adesão ao tratamento com enzimas pancreáticas exógenas em pacientes com IPE diagnosticada. 
  • Investigação complementar em conjunto com a dosagem de gordura fecal e/ou elastase fecal, amilase sérica, lipase sérica e exames de imagem do pâncreas. 

É importante destacar que a elastase fecal-1 apresenta desempenho diagnóstico superior ao da quimiotripsina fecal para o diagnóstico de IPE, especialmente nos casos moderados a graves, sendo atualmente o método não invasivo mais amplamente recomendado para triagem ⁵. A quimiotripsina fecal mantém utilidade clínica em situações específicas, particularmente na avaliação pediátrica e no monitoramento da reposição enzimática.

O médico pode solicitar a dosagem de quimiotripsina fecal quando o paciente apresenta sinais e sintomas sugestivos de insuficiência pancreática exócrina, como:

  • Diarreia persistente ou diarreia crônica;
  • Fezes com odor fétido, volumosas e gordurosas (esteatorreia); 
  • Cólicas e desconforto abdominal recorrentes; 
  • Perda de peso não intencional; 
  • Desnutrição sem causa aparente; 
  • Má absorção de nutrientes; 
  • Deficiência de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K);
  • Em crianças: dificuldade de ganhar peso, atraso no crescimento ou incapacidade de prosperar. 

O exame também pode ser solicitado na investigação de pancreatite crônica, fibrose cística, síndrome de Shwachman-Diamond e outras condições associadas à IPE  ³.

Os valores de referência variam conforme o método laboratorial utilizado. É fundamental interpretar os resultados à luz dos valores fornecidos pelo laboratório responsável pelo exame.

De forma geral:

RESULTADOInterpretação 
Positivo (quimiotripsina presente)Resultado normal. A quimiotripsina está presente nas fezes de indivíduos saudáveis, indicando função pancreática exócrina preservada.
Negativo (quimiotripsina ausente ou reduzida)Pode indicar insuficiência pancreática exócrina. Um resultado negativo isolado não é diagnóstico; exames adicionais serão necessários para confirmação.

O diagnóstico não pode ser feito com base em um único exame. O médico avaliará o resultado em conjunto com os sintomas, o exame clínico e outros exames laboratoriais e de imagem.

O médico pode solicitar os seguintes exames complementares para avaliar de forma mais abrangente a função pancreática e digestiva: 

  • Elastase fecal-1: exame não invasivo com melhor desempenho diagnóstico para IPE, especialmente em casos moderados a graves ⁵; 
  • Gordura fecal (72 horas): avalia a absorção de lipídios; 
  • Amilase sérica e lipase sérica: marcadores de função e inflamação pancreática; 
  • Exames de imagem: ultrassonografia abdominal, tomografia computadorizada ou colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) para avaliação estrutural do pâncreas; 
  • Teste de estimulação com secretina: avaliação direta da função pancreática (padrão-ouro, realizado em centros especializados).

A insuficiência pancreática exócrina (IPE) resulta de dano progressivo ao parênquima pancreático. As causas mais frequentes incluem: 

  • Pancreatite crônica: causa mais comum de IPE em adultos, frequentemente relacionada ao consumo abusivo de álcool ou a episódios repetidos de pancreatite aguda ³; 
  • Fibrose cística (FC): causa mais comum de IPE na infância; decorre de mutações no gene CFTR, que compromete a secreção de enzimas e bicarbonato pelo pâncreas; 
  • Síndrome de Shwachman-Diamond (SDS): segunda causa mais frequente de insuficiência pancreática hereditária em crianças, após a FC; todos os portadores apresentam algum grau de IPE desde a infância; 
  • Câncer pancreático: pode ocasionar obstrução dos ductos pancreáticos com consequente redução da secreção enzimática; 
  • Pancreatite autoimune (relacionada à IgG4); 
  • Doença celíaca e doença de Crohn; 
  • Síndrome de Zollinger-Ellison; 
  • Procedimentos cirúrgicos que afetam o pâncreas ou reduzem a função gastrointestinal (ex.: gastrectomia, duodenopancreatectomia).

Ambos são marcadores não invasivos da função pancreática exócrina. A elastase fecal-1 (FE-1) é considerada superior à quimiotripsina fecal em termos de sensibilidade e especificidade diagnóstica, especialmente nos casos de IPE moderada a grave. A FE-1 não é influenciada pela reposição enzimática oral e tem melhor estabilidade na amostra de fezes. A quimiotripsina fecal pode ser útil em contextos específicos, como monitoramento da adesão ao tratamento com enzimas pancreáticas, e em algumas situações pediátricas ⁵. 

Revisado em 10/04/2026 por Edy Alyson.

Fontes do Artigo

  1. Rifai N, Horwath AR, Wittwer CT, editores. Tietz Textbook of Clinical Chemistry and Molecular Diagnostics. 6ª ed. Philadelphia: Saunders; 2018. Capítulo 582, Chymotrypsin; p. 1398-1420.
  2. Ma W, Tang C, Lai L. Specificity of trypsin and chymotrypsin: loop-motion-controlled dynamic correlation as a determinant. Biophys J. 2005;89(2):1183-93. doi: 10.1529/biophysj.104.057158. PMID: 15923233. PMCID: PMC1366603.
  3. Ramsey ML, Galante GJ. Pancreas and pancreatitis: exocrine pancreatic insufficiency. Pediatr Pulmonol. 2024;59 Suppl 1:S44-S52. doi: 10.1002/ppul.27013.
  4. McPherson RA, Pincus MR. Henry’s Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods. 23ª ed. Philadelphia: Saunders; 2017. p. 306-23.
  5. Vanga RR, Tansel A, Sidiq S, El-Serag HB, Othman MO. Diagnostic performance of measurement of fecal elastase-1 in detection of exocrine pancreatic insufficiency: systematic review and meta-analysis. Clin Gastroenterol Hepatol. 2018;16(8):1220-1228.e4. doi: 10.1016/j.cgh.2018.01.027.
  6. Al Adem K, Ferreira JC, Villanueva AJ, Fadl S, El-Sadaany F, Masmoudi I, et al. 3-chymotrypsin-like protease in SARS-CoV-2. Biosci Rep. 2024;44(8):BSR20231395. doi: 10.1042/BSR20231395.
  7. Omiyale AO. Adult pancreatoblastoma: current concepts in pathology. World J Gastroenterol. 2021;27(26):4172-81. doi: 10.3748/wjg.v27.i26.4172.
  8. Capurso G, Traini M, Piciucchi M, Signoretti M, Arcidiacono PG. Exocrine pancreatic insufficiency: prevalence, diagnosis, and management. Clin Exp Gastroenterol. 2019;12:129-39. doi: 10.2147/CEG.S168266. PMID: 30962702. PMCID: PMC6432881.
  9. Uddayasankar U, revisão realizada em 2020. In: Lab Tests Online [Internet]. Washington, DC: AACC; 2020 [acesso em 2025]. Quimiotripsina fecal.