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Mycoplasma

Mycoplasma

Este artigo foi revisto pela última vez em 27 de Outubro de 2008.

Este artigo foi modificado pela última vez em 24 de Maio de 2019.

Nome formal: Sorologia para Mycoplasma pneumoniae (Anticorpos IgG e IgM); Cultura para Mycoplasma;  Pesquisa de DNA para Mycoplasma.

Também conhecido como:

  • Detecção de Mycoplasma por Biologia Molecular
  • Cultura de Mycoplasma 
  • Cultura Ureaplasma

Amostra:

Sangue;
Swab orofaríngeo;
Escarro;
Líquidos cavitários;
Fragmentos de tecido;
Swab genital ou uretral.

É necessária alguma preparação?
Não é necessária.

O que está sendo pesquisado?

O Mycoplasma pneumoniae (MP) é o menor microrganismo de vida livre (capaz de se autorreplicar) conhecido. Essa ausência de parede celular torna o MP insensível a antibióticos que atacam a parede celular (como os beta-lactâmicos) e faz com que ele não seja corado pela coloração de Gram. O MP adere às células ciliadas do epitélio respiratório e produz uma toxina chamada CARDS (Community-Acquired Respiratory Distress Syndrome toxin) – toxina da síndrome do desconforto respiratório adquirida na comunidade -, que entra nas células hospedeiras e causa dano (Gao & Sun, 2024).

A fisiopatologia da infecção de MP é complexa e envolve mecanismos diretos de dano ao hospedeiro, bem como respostas imunológicas inflamatórias. O microrganismo adere ao sistema respiratório, fixa-se às células ciliadas do epitélio respiratório, em seguida haverá produção de toxinas que levam a danos celulares diretos. Além disso, o Mycoplasma desenvolveu mecanismos para persistir no organismo e evitar eliminação. Dentre esses mecanismos, o microrganismo consegue se esconder no interior das células hospedeiras, dificultando a atuação do sistema imune. Além do trato respiratório, o MP pode afetar quase todos os órgãos (pele, sistema nervoso, sangue, sistema cardiovascular, musculoesquelético) através de invasão direta ou mecanismos imunomediados, causando condições como encefalite, anemia hemolítica imune e púrpura trombocitopênica imune (Gao & Sun, 2024). 

Atualmente, os testes dividem-se principalmente na detecção direta do patógeno (ou seu material genético) e na detecção da resposta imunológica do paciente. 

Vale ressaltar que outros tipos de espécies de Mycoplasma podem ser detectados como Mycoplasma hominis, Mycoplasma genitalium e Ureaplasma urealyticum. A principal diferença entre eles é a capacidade de causar sintomas (patogenicidade) e na prevalência clínica. O Mycoplasma genitalium é mais patogênico e os sintomas são genitais, como disúria (dor ao urinar) e corrimento genital purulento, principalmente, em pacientes que testaram negativo para clamídia e gonorreia. Ao contrário do M. genitalium, tanto o M. hominis quanto às espécies de Ureaplasma foram associados predominantemente à colonização ou a sintomas inespecíficos. Isso sugere que a presença destes organismos frequentemente não indica uma doença ativa (Mori et al., 2026). Atualmente, o Mycoplasma genitalium tornou-se uma ameaça global devido à sua resistência a antibióticos, principalmente aos macrolídeos (Waites et al., 2023).

Perguntas Frequentes

Para detectar uma ativação ou recente infecção de mycoplasma.

Quando o médico suspeita que sintomas respiratórios ou sistêmicos são causados por infecções por mycoplasma; quando se suspeita que a infecção genital pode ser causada pelo mycoplasma ou ureaplasma.

A amostra necessária depende se o teste é feito para determinar a presença de anticorpos ou para detectar o próprio microrganismo, e também do estado de saúde do paciente (Mycoplasma Test, 2022).

A sorologia (pesquisa de anticorpos) requer uma amostra de sangue, obtida por meio de punção venosa (Mycoplasma Test, 2022).

A detecção direta de micoplasma pode ser feita em diversas amostras. Para uma infecção respiratória, as amostras podem incluir escarro, lavado broncoalveolar ou swab da garganta. Se uma infecção sistêmica estiver sendo diagnosticada, amostras de sangue, líquido sinovial, fluidos corporais ou tecidos podem ser cultivadas. Algumas amostras podem exigir um procedimento especial para sua coleta. Para detectar uma infecção genital, um swab do colo do útero ou da uretra pode ser coletado (Mycoplasma Test, 2022).

Recomenda-se, para avaliação urológica, que se utilize a amostra de 1º jato de urina (Waites et al., 2023).

Os principais testes e o que cada um avalia (Gao & Sun, 2024): 

  1. Ensaios Moleculares (PCR – Reação em Cadeia da Polimerase) 
  • O que é: É considerado o “novo padrão-ouro” para o diagnóstico devido à sua alta sensibilidade e especificidade. 
  • O que avalia: Detecta a presença de material genético (DNA ou RNA) do Mycoplasma pneumoniae nas secreções respiratórias. Ele busca genes específicos, como o gene da adesina P1 ou o 16S rDNA. 
  • Vantagem/Limitação: É capaz de detectar quantidades muito pequenas da bactéria (menos de 100 UFC/mL) e não apresenta reação cruzada. No entanto, pode ser difícil distinguir entre uma infecção ativa e um portador assintomático, pois o microrganismo pode estar presente sem causar doença. 
  1. Sorologia (Detecção de Anticorpos) 
  • O que é: É a estratégia básica na rotina diagnóstica, podendo ser qualitativa ou quantitativa.
  • O que avalia: Avalia a resposta imunológica do hospedeiro à infecção, medindo os níveis de anticorpos (IgM, IgA e IgG) no soro sanguíneo: 

◦ IgM: Indica infecção recente. Geralmente detectável 1 semana após o início dos sintomas e atinge o pico na 3ª semana. Contudo, em crianças, a IgM pode persistir por muito tempo, e em adultos pode não ser produzida devido a infecções anteriores. 

◦ IgA: Aumenta rapidamente no início da infecção (antes da IgM) e tem alta precisão diagnóstica. 

◦ IgG: Aparece mais tarde (2 semanas após infecção) e indica infecção passada ou tardia. 

  • Critério de Confirmação: Para um diagnóstico definitivo (o padrão-ouro sorológico), avalia-se o aumento do título de anticorpos em pelo menos 4 vezes entre duas amostras de soro coletadas com um intervalo de 2 semanas ou mais (soro pareado). Vale ressaltar que a sorologia isolada para IgM em adultos possui baixa sensibilidade, pois muitos adultos podem não produzir IgM em reinfecções.
  1. Detecção Rápida de Antígeno 
  • O que é: Testes imunocromatográficos (como o teste de ouro coloidal) que não exigem equipamentos complexos. 
  • O que avalia: Detecta proteínas específicas (antígenos) do microrganismo diretamente na amostra. Por exemplo, pode alvejar a região do gene P1. 
  • Utilidade: Embora seja ligeiramente menos sensível que o PCR, é mais rápido e útil para o diagnóstico precoce da infecção. É importante enfatizar que o PCR detecta o DNA, mas não necessariamente a viabilidade do microrganismo. Em pacientes que já iniciaram o tratamento, o PCR pode permanecer positivo por semanas devido a fragmentos de DNA, o que não indica falha terapêutica.
  1. Isolamento e Cultura 
  • O que é: O cultivo da bactéria em meios nutritivos especiais. 
  • O que avalia: Avalia a viabilidade e o crescimento do microrganismo vivo. 
  • Limitação: É um processo lento (pode levar até 3 semanas para crescer). Por isso, não é recomendado para diagnóstico de rotina. Porém, uma cultura positiva é uma prova irrefutável de infecção e permite testar a sensibilidade a antibióticos.

As recomendações são diferentes no que se refere a sexo biológico e idade, bem como aos sintomas.

Na suspeita de MP (Gao & Sun, 2024): 

  1. Presença de Sintomas Respiratórios Persistentes e “Atípicos” 

Deve-se considerar o teste quando crianças ou adolescentes apresentam: 

  • Tosse irritante intermitente, acompanhada de dor de cabeça, febre, dor muscular e dor de garganta. 
  • Tosse seca ou com escarro mucoso, que pode evoluir para traqueobronquite ou pneumonia. 
  • Embora a doença seja frequentemente leve e autolimitada, a confirmação é importante porque os sinais clínicos e achados de radiografia de tórax não são específicos. 
  1. Falha de Tratamento com Antibióticos Beta-lactâmicos

Como o Mycoplasma pneumoniae não possui parede celular, ele é intrinsecamente resistente a antibióticos beta-lactâmicos (como penicilinas e cefalosporinas), que são frequentemente prescritos empiricamente para pneumonias. 

  • Se o paciente não responder a esses antibióticos, o teste é essencial para justificar a mudança para macrolídeos ou, em casos de resistência, tetraciclinas e quinolonas. 
  1. Casos Graves ou com Complicações 

O teste é indicado para orientar o manejo de casos que progridem negativamente ou apresentam manifestações fora do pulmão: 

  • Pneumonia Grave: Febre alta persistente (≥ 5 a 7 dias), piora dos sintomas respiratórios, dispneia, dor no peito ou consolidação pulmonar extensa. 
  • Manifestações Extrapulmonares: Se houver suspeita de complicações associadas, como encefalite, anemia hemolítica, erupções cutâneas (Síndrome de Stevens-Johnson/mucosites), trombose ou embolia. Níveis elevados de D-dímero podem auxiliar na suspeita de casos graves. 
  1. Escolha do Teste Baseada no Tempo de Evolução 

O momento em que o paciente procura atendimento define qual teste solicitar: 

  • Fase Inicial (Início dos sintomas / 1ª semana): 

◦ Deve-se solicitar PCR (ensaios moleculares) ou Detecção Rápida de Antígeno. 

◦ Por que? A PCR é o “padrão-ouro” pela alta sensibilidade e especificidade nesta fase. O teste de antígeno é rápido e útil para diagnóstico precoce, embora menos sensível que a PCR. 

◦ A sorologia (anticorpos) pode dar falso-negativo nesta fase, pois o corpo ainda não produziu anticorpos suficientes. 

  • Fase Tardia (Após 1ª semana): 

◦ Pode-se solicitar Sorologia (IgM). 

◦ Por que? A IgM geralmente aparece cerca de 1 semana após o início clínico e atinge o pico na 3ª semana. 

◦ Em adultos, a IgM pode não aparecer (devido a reinfecções), e em crianças pode persistir por muito tempo, o que dificulta saber se é uma infecção aguda ou passada. O ideal para confirmação sorológica é coletar duas amostras (pareadas) com intervalo de 2 semanas para ver se há aumento dos títulos de IgG. 

Resumo da Decisão Clínica 

Solicite o teste quando precisar diferenciar a pneumonia para prescrever o antibiótico correto (evitar beta-lactâmicos ineficazes), especialmente em crianças em idade escolar com tosse persistente, ou em qualquer paciente com pneumonia que não melhora com a terapia inicial.

Sintomas Urogenitais (Waites et al., 2023): 

Em Homens Sintomáticos 

  • Uretrite Recorrente ou Persistente: O CDC recomenda o teste especificamente para homens com Uretrite Não Gonocócica (UNG) que retorna ou persiste após o tratamento inicial;
  • Uretrite Primária: As diretrizes europeias e britânicas são mais abrangentes, recomendando o teste para todos os homens com uretrite.  
  • Outras condições: Deve-se considerar o teste em casos de epididimo-orquite (inflamação do epidídimo e testículo) e proctite (inflamação retal) adquirida sexualmente, especialmente se os sintomas persistirem após tratamento empírico.

Em Mulheres Sintomáticas 

  • Cervicite Recorrente: O teste é recomendado para mulheres com cervicite mucopurulenta recorrente;
  • Doença Inflamatória Pélvica (DIP): O teste deve ser considerado (EUA) ou é recomendado (Europa/Reino Unido) para mulheres com sintomas de DIP;
  • Sangramento e Disúria: Diretrizes europeias indicam o teste em casos de sangramento intermenstrual ou pós-coito e em casos de disúria (dor ao urinar) sem outra etiologia conhecida.

Parceiros Sexuais 

  • O teste é indicado para parceiros sexuais atuais de pessoas que testaram positivo para M. genitalium, a fim de evitar a reinfecção e interromper a transmissão. 

Teste de Cura (Retestagem) 

  • Quando realizar: Devido às altas taxas de resistência antimicrobiana, recomenda-se realizar um teste de cura para garantir a erradicação da bactéria. É crucial esperar pelo menos 3 semanas após o término do tratamento antes de retestar. 
  • Por que esperar: Testes realizados muito cedo (por exemplo, uma semana após o tratamento) podem dar falsos negativos devido à supressão temporária da carga bacteriana, mesmo que a infecção persista.

Revisado em 28 de Janeiro de 2026 por Edy Alyson.

FONTES DO ARTIGO

Gao, L., & Sun, Y. (2024). Laboratory diagnosis and treatment of Mycoplasma pneumoniae infection in children: a review. Annals of medicine, 56(1), 2386636. 10.1080/07853890.2024.2386636.

Mori, N., Yukawa, K., Oda, M., Tanaka, M., Tokimatsu, I., & Sato, A. (2026). Clinical epidemiology and management challenges of genital Mycoplasma and Ureaplasma infections: A retrospective observational study at a Japanese urban clinic. Sex Health, SH25204. 10.1071/SH25204.

Mycoplasma Test. (2022, December 6). Testing.com. Retrieved January 29, 2026, from https://www.testing.com/tests/mycoplasma/.

Waites, K. B., Crabb, D. M., Ratliff, A. E., Geisler, W. M., Atkinson, T. P., & Xiao, L. (2023). Latest Advances in Laboratory Detection of Mycoplasma genitalium. Journal of Clinical Microbiology, 61(3), 1-27. 10.1128/jcm.00790-21.

Wang, Y. S., Zhou, Y. L., Bai, G. N., Li, S. X., & Xu, D. (2024). Expert consensus on the diagnosis and treatment of macrolide-resistant Mycoplasma pneumoniae pneumonia in children. World journal of pediatrics, 20(9), 901–914. 10.1007/s12519-024-00831-0.

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