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Também conhecido como:
Amostra:
Amostra de sangue, amostra de urina de 24 horas ou, em casos específicos, amostra de saliva.
Preparo necessário:
Nenhum preparo específico é necessário.
Por que fazer este exame?
Para medir os níveis de estrógeno em mulheres com ciclos menstruais irregulares, sangramento intenso ou anormal, infertilidade, sintomas de menopausa ou outras alterações hormonais; para avaliar o estado fetal-placentário durante a gravidez; e para investigar características femininas em indivíduos do sexo masculino.
O que está sendo pesquisado?
Os estrógenos constituem um grupo de hormônios esteroides primariamente responsáveis pelo desenvolvimento dos órgãos sexuais e das características sexuais secundárias femininas. Embora sejam os principais hormônios sexuais femininos, pequenas quantidades de estrógenos também estão presentes nos indivíduos do sexo masculino, desempenhando funções importantes no equilíbrio hormonal e na saúde óssea.
Nas mulheres, o hormônio folículo-estimulante (FSH), produzido pela hipófise anterior, estimula as células foliculares que circundam os óvulos nos ovários, induzindo a produção de estrógenos. Ao atingir determinado nível, os estrógenos desencadeiam a liberação de um pico de hormônio luteinizante (LH), que culmina na ovulação e prepara o organismo para uma eventual fertilização. Os estrógenos interagem ainda com o sistema circadiano, regulando processos moleculares, fisiológicos e comportamentais ao longo do ciclo estral ¹. São descritas quatro frações principais de estrógenos endógenos ²:
Quando houver sintomas de desequilíbrio hormonal, sangramento vaginal anormal, desenvolvimento anormal ou precoce de órgãos sexuais, ou quando o médico desejar monitorar a saúde da placenta ou do feto durante a gravidez.
A amostra para dosagem de estrógenos pode ser obtida de diferentes formas, de acordo com o tipo de exame solicitado:
Importante: os resultados obtidos em amostras de sangue, urina e saliva não são comparáveis entre si. O médico deverá escolher o tipo de exame e o tipo de amostra de acordo com a hipótese diagnóstica ².
A dosagem de estrogênio é um recurso diagnóstico versátil, utilizado em diversas situações clínicas:
Avaliação do ciclo menstrual e da função ovariana: A dosagem seriada de estradiol ao longo do ciclo menstrual permite monitorar o desenvolvimento folicular e identificar alterações como anovulação e insuficiência ovariana. É amplamente utilizada nos protocolos de reprodução assistida para monitoramento da resposta ovariana à estimulação e para determinar o momento ideal da coleta de óvulos na fertilização in vitro (FIV) ⁴.
Diagnóstico diferencial de amenorreia: A dosagem de estradiol é fundamental para distinguir as diferentes causas de ausência de menstruação (amenorreia), incluindo menopausa, gravidez, síndrome dos ovários policísticos e outras disfunções hormonais ⁴.
Avaliação da menopausa e terapia hormonal: O estradiol e a estrona são dosados para confirmar a transição menopausal, avaliar os sintomas vasomotores (fogachos, sudorese noturna, insônia) e monitorar a resposta à terapia hormonal da menopausa (THM)⁴. A correta compreensão da fisiologia e dos sintomas da menopausa é essencial para a tomada de decisão terapêutica individualizada ⁵.
Avaliação do desenvolvimento puberal: A dosagem de estrogênio auxilia no diagnóstico de puberdade precoce em meninas e de ginecomastia (desenvolvimento de tecido mamário) em meninos, quando níveis elevados de estradiol podem estar associados a tumores produtores de estrógenos.
Avaliação da unidade fetoplacentária: Em gestantes, amostras seriadas de estriol permitem avaliar a tendência de aumento ou redução ao longo do tempo, fornecendo informações sobre o bem-estar fetal e o funcionamento placentário. O estriol livre é medido entre a 15ª e a 20ª semana de gestação como parte do rastreamento pré-natal de aneuploidias (teste duplo, triplo ou quádruplo) ².
Rastreamento pré-natal de anomalias cromossômicas: O estriol livre, em conjunto com a alfa-fetoproteína (AFP), a gonadotrofina coriônica humana (hCG) e a inibina-A, compõe o painel de marcadores bioquímicos utilizados para estimar o risco de síndrome de Down (trissomia 21) e outras aneuploidias fetais ⁶.
Investigação em homens Nos indivíduos do sexo masculino, a dosagem de estrógenos auxilia na investigação de ginecomastia e na detecção de tumores produtores de estrógenos em testículos, suprarrenais ou outras fontes.
Diagnóstico de tumores e síndromes endócrinas Níveis elevados de estrógenos podem indicar tumores ovarianos, testiculares ou suprarrenais secretores de estrógenos, cirrose hepática (que reduz o metabolismo dos estrógenos) ou síndrome de Turner (onde os níveis são reduzidos) ⁷. O manejo clínico e o tratamento das doenças relacionadas a alterações dos estrógenos envolvem abordagem multidisciplinar, especialmente na endometriose, condição caracterizada por atividade aromatase variável e resistência à progesterona nas lesões 8.
O médico pode solicitar a dosagem de estrona, estradiol ou estriol nos seguintes contextos:
Os valores de referência para os estrógenos variam conforme a fração dosada, o sexo, a fase do ciclo menstrual, a faixa etária e o método laboratorial utilizado. Por isso, é fundamental interpretar os resultados sempre à luz dos valores de referência fornecidos pelo laboratório responsável pelo exame.
Níveis elevados ou reduzidos de estrógenos podem ser encontrados em diversas condições clínicas. É preciso ter cautela na interpretação dos valores isolados, pois eles variam dia a dia e ao longo do ciclo menstrual. Quando o objetivo é monitorar o tratamento ou a evolução de uma condição, o médico geralmente avalia tendências — de aumento ou redução — ao longo do tempo, e não apenas um resultado isolado. A seguir, estão listadas algumas situações associadas a alterações nos níveis de estrógenos:
| AUMENTO NOS NÍVEIS DE ESTRÓGENOS | REDUÇÃO NOS NÍVEIS DE ESTRÓGENOS |
| Gravidez normal | Síndrome de Turner |
| Puberdade precoce | Hipopituitarismo |
| Tumores de ovário, testículos ou suprarrenais | Hipogonadismo |
| Cirrose hepática | Menopausa (queda do estradiol) |
| Uso de medicamentos contendo estrógenos | Gravidez complicada (queda do estriol) |
| Endometriose com atividade aromatase elevada | Anorexia nervosa |
| Obesidade (conversão periférica aumentada) | Exercícios físicos extenuantes |
| Insuficiência ovariana prematura |
Fonte: tabela elaborada pelos autores e revisores.
Sim. Além das variações diárias e cíclicas fisiológicas, algumas condições clínicas podem interferir nos níveis de estrógenos:
Não. Os resultados obtidos em diferentes tipos de amostras não são comparáveis entre si ². O médico deve escolher o tipo de exame e amostra com base na hipótese diagnóstica e manter o mesmo método ao longo do acompanhamento.
Sim. Embora em quantidades muito menores do que nas mulheres, os estrógenos estão presentes e são necessários nos homens para o equilíbrio hormonal, a saúde óssea, o metabolismo lipídico e a maturação dos espermatozoides ². Níveis muito elevados ou muito baixos de estradiol em homens podem causar disfunções reprodutivas e metabólicas.
Sim. A dosagem de estrona ou estradiol é frequentemente utilizada para monitorar a resposta à terapia hormonal da menopausa (THM), ajudando a ajustar as doses e garantir a eficácia e a segurança do tratamento⁴. Pesquisas recentes investigam agonistas seletivos do receptor beta de estrógeno como alternativas terapêuticas de próxima geração, com potencial de tratar sintomas menopausais com menores efeitos adversos 9.
O estriol pode circular no sangue na forma livre (não ligada a proteínas) ou ligada à globulina de ligação de hormônios sexuais (SHBG) e à albumina. No rastreamento pré-natal, geralmente se mede o estriol livre (não conjugado), pois reflete mais diretamente a atividade da unidade fetoplacentária ².
O estetrol é um estrógeno produzido exclusivamente pelo fígado fetal durante a gravidez. Diferentemente dos demais estrógenos endógenos, o E4 não sofre reações de fase I (como hidroxilação), sendo metabolizado apenas por reações de conjugação. Essa característica metabólica única, associada ao seu perfil de atividade nos receptores de estrógeno, confere-lhe potencial terapêutico promissor em aplicações contraceptivas e para reposição hormonal, com menor impacto hepático e cardiovascular em comparação ao etinilestradiol ².
Os estrógenos exercem efeitos em múltiplas características sobre o sistema cardiovascular. O estradiol modula múltiplos sistemas e enzimas que impactam o desenvolvimento da doença cardiovascular (DCV): favorece o perfil lipídico, preserva a função endotelial, reduz a inflamação vascular e regula a pressão arterial. A ausência de estrógenos produzidos pelos ovários está associada ao desenvolvimento acelerado de DCV ³. O conceito da “hipótese da janela de oportunidade” (timing hypothesis) sustenta que o início da THM logo após a cessação da função ovariana pode retardar o desenvolvimento de DCV em mulheres na pós-menopausa. Dados acumulados nas últimas décadas reforçam que o estradiol e a progesterona, quando utilizados de forma adequada em mulheres mais jovens e saudáveis na menopausa, não causam dano cardiovascular e podem ter efeito protetor ³.
1 Alvord VM, Kantra EJ, Pendergast JS. Estrogens and the circadian system. Semin Cell Dev Biol. 2022;126:56-65. doi: 10.1016/j.semcdb.2021.04.010. PMID: 33975754.
2 Stanczyk FZ. Metabolism of endogenous and exogenous estrogens in women. J Steroid Biochem Mol Biol. 2024;242:106539. doi: 10.1016/j.jsbmb.2024.106539. PMID: 38692334.
3 Gersh F, O’Keefe JH, Elagizi A, Lavie CJ, Laukkanen JA. Estrogen and cardiovascular disease. Prog Cardiovasc Dis. 2024;84:60-67. doi: 10.1016/j.pcad.2024.01.015. PMID: 38272338.
4 Crandall CJ, Mehta JM, Manson JE. Management of menopausal symptoms: a review. JAMA. 2025;334(1):64-78. doi: 10.1001/jama.2025.2975.
5 Gatenby C, Simpson P. Menopause: physiology, definitions, and symptoms. Best Pract Res Clin Endocrinol Metab. 2024;38(1):101855. doi: 10.1016/j.beem.2023.101855. PMID: 38171939.
6 Maines J, Langaker MD. Prenatal Genetic Screening. 2025 Apr 18. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK557702/.
7 Gravholt CH, Andersen NH, Christin-Maitre S, et al. Clinical practice guidelines for the care of girls and women with Turner syndrome: Proceedings from the 2023 Aarhus International Turner Syndrome Meeting. Eur J Endocrinol. 2024;190(6):G53-G151. doi: 10.1093/ejendo/lvae050.
8 Koninckx PR, Fernandes R, Ussia A, et al. Pathogenesis based diagnosis and treatment of endometriosis. Front Endocrinol (Lausanne). 2021;12:745548. doi: 10.3389/fendo.2021.745548.
9 Frick KM, Fleischer AW, Schwabe MR, Abdelazim FA, Sem DS, Donaldson WA. Not your mother’s hormone therapy: highly selective estrogen receptor beta agonists as next-generation therapies for menopausal symptom relief. Horm Behav. 2025;173:105749. doi: 10.1016/j.yhbeh.2025.