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Este artigo foi revisto pela última vez em 27 de Outubro de 2008.
Este artigo foi modificado pela última vez em 24 de Maio de 2019.
Também conhecido como:
Amostra:
Uma amostra de sangue obtida de uma veia do braço.
É necessária alguma preparação?
O paciente não deve fumar antes da coleta.
Por que fazer este exame?
Para detectar níveis elevados de amônia no sangue, avaliar alterações de consciência em pacientes com doenças hepáticas graves e alguns distúrbios hereditários do ciclo da ureia e para apoiar o diagnóstico de síndrome de Reye.
O que está sendo pesquisado?
Esse exame mede a quantidade de amônia no sangue. A amônia é uma molécula produzida por bactérias intestinais e por células do corpo durante o metabolismo de proteínas. É um resíduo que normalmente é transportado para o fígado, onde é convertido a ureia e glutamina. A ureia é levada para os rins e excretada na urina. Se a amônia não for toda transformada em ureia, acumula-se no sangue e atravessa a barreira hematoencefálica. Outras fontes de amônia são os rins e os músculos.
No cérebro, amônia e outros compostos normalmente metabolizados pelo fígado podem se acumular, causando a encefalopatia hepática, que cursa com desorientação, sonolência e, em casos mais graves, coma e morte. Bebês e crianças com níveis elevados de amônia no sangue apresentam vômitos, irritabilidade, letargia progressiva e, se não tratados, convulsões, dificuldade respiratória, coma e morte.
Problemas no processamento da amônia podem ocorrer por diversas causas: doenças hepáticas agudas e crônicas, que podem diminuir a conversão de amônia a ureia; insuficiência renal, prejudicando a excreção de ureia, o que aumenta o nível de amônia no sangue; e defeitos hereditários raros do ciclo da ureia, caracterizados pela deficiência de uma ou mais enzimas necessárias para a conversão da amônia em ureia.
A dosagem da amônia é usada principalmente para investigar a causa de alterações de comportamento e de consciência. Pode ser solicitada junto com outros exames, como glicose, eletrólitos e exames de função renal e hepática, para ajudar no diagnóstico de coma de origem desconhecida ou para apoiar o diagnóstico de síndrome de Reye ou de encefalopatia hepática causada por diversas doenças do fígado. Também é usada para avaliar a gravidade de defeitos do ciclo da ureia.
Como a encefalopatia hepática pode ser causada pelo acúmulo de diversas substâncias no sangue e no cérebro, os níveis de amônia têm pouca correlação com a intensidade da lesão.
A dosagem de amônia é solicitada, quando um recém-nascido apresenta sintomas como irritabilidade, vômitos, letargia e convulsões nos primeiros dias após o nascimento, ou quando uma criança mostra esses sintomas uma a duas semanas após uma doença viral, como gripe ou resfriado, e o médico suspeita de síndrome de Reye.
Apesar de ser elemento chave na encefalopatia hepática, sua mensuração não é recomendada no manejo dessa condição.
Concentrações aumentadas de amônia no sangue indicam que o corpo não está sendo capaz de metabolizá-la e eliminá-la, mas não indicam a causa. Em bebês, níveis muito altos podem ser observados em deficiências hereditárias de enzimas do ciclo da ureia e na doença hemolítica do recém-nascido. Aumentos moderados transitórios são relativamente comuns em recém-nascidos, sem causar sintomas evidentes.
Aumento dos níveis sanguíneos de amônia pode indicar a síndrome de Reye, em crianças e adolescentes com alteração do nível de consciência após um quadro gripal. Ainda, o aumento dos níveis de amônia pode indicar um defeito enzimático do ciclo da ureia ainda não diagnosticado.
É importante ressaltar que concentrações sanguíneas normais de amônia não excluem encefalopatia hepática. Outros resíduos contribuem para as alterações mentais e da consciência, e os níveis de amônia no cérebro podem ser muitos mais altos que os níveis no sangue.
Níveis aumentados de amônia também podem ser encontrados nos seguintes contextos:
Resultados inadequados de amônia podem ocorrer devido a processamento de amostra armazenada por tempo prolongado, não refrigerada e quando sangue é coletado em tubo com anticoagulante heparina. Há alguma indicação de que os valores encontrados em sangue arterial seriam mais acurados que no sangue venoso, mas ainda não há aplicabilidade clínica.
Ademais, há, no Brasil, a expansão do diagnóstico de doenças raras através da Triagem Neonatal (Teste do Pezinho), segundo a Portaria GM/MS Nº 7.293, de 26 de junho de 2025. Contudo, os níveis de amônia não são medidos nessa triagem, mas sim outros catabólitos provenientes de defeitos do ciclo da ureia.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. PORTARIA GM/MS Nº 7.293, DE 26 DE JUNHO DE 2025. 2025.
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